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Analice Nicolau

Cineasta brasileira, premiada nos EUA, participa de grande produção da Netflix

Produção com participação de Fernanda Schein deve ser lançada no próximo ano pela platarma de streaming, assim como outros filmes da cineasta.

Por Analice Nicolau 23/06/2021 12h00
Cineasta brasileira, premiada nos EUA, participa de grande produção da Netflix Fernanda Schein

Do interior do Rio Grande do Sul para Los Angeles. O caminho foi longo, mas para Fernanda Schein, que sempre acreditou que poderia transformar tudo em realidade, o tempo foi aliado. Trabalhando por trás das câmeras, a cineasta foi estudar nos Estados Unidos e conseguiu se estabelecer no concorrido mercado norte-americano. Atuando como editora na capital mundial do cinema, a brasileira de 29 anos acumulou experiência em cada oportunidade.

Apaixonada pelo que faz, Fernanda se inspira em grandes nomes de Hollywood para crescer ainda mais na carreira. “Por gostar muito de pós-produção e efeitos especiais, eu adoro diretores que usam muito esses recursos, como Steven Spielberg e Christopher Nolan. Mas minha maior inspiração é a editora Thelma Schoonmaker, que está na indústria há décadas, trabalhando com Martin Scorsese e mostrando o potencial das mulheres no cinema e na pós-produção”, comentou a cineastra.

Fernanda trabalha atualmente em dois projetos. Um curta metragem gravado no Rio e um documentário sobre xadrez

Fernanda trabalhou por 6 meses em uma grande produção da Netflix, que será lançada no ano que vem. Sem poder contar detalhes sobre a obra, Fernanda explica que o processo de edição foi totalmente inusitado por conta da pandemia e uma grande experiência para a carreira: “Fomos mandados trabalhar de casa, aí eu recebi uma estação de edição completa e um HD enorme de 60 TB com todo material. Toda semana, eu e as outras pessoas da equipe editorial tínhamos que trocar HDs uns com os outros, já que não tínhamos um sistema conectando todos os projetos, como acontece quando trabalhamos no estúdio. Mas a equipe era muito colaborativa, super disciplinada e criamos processos remotos muito bons. Foi uma grande experiência que eu fiquei muito feliz em participar”.

Mas para chegar nesse ponto da carreira, foi preciso remar bastante. Em Porto Alegre, ainda aos 17 anos, Fernanda entrou na faculdade de Publicidade e Propaganda. Na universidade teve os primeiros contatos com edição, e a partir daí começou a se especializar. Após o primeiro curso de montagem cinematográfica, teve certeza de que era isso que queria para a vida, mergulhando cada vez mais no mundo da criação de produção de vídeo.

No Brasil, a editora atuou em produtoras importantes do mercado publicitário. Em produções comerciais, Fernanda trabalhou com Giovanna Antonelli e Alexandre Borges, além do ídolo do esporte nacional Gustavo Kuerten, o Guga. Em 2014, a gaúcha decidiu que precisava de novas experiências e partiu para a Califórnia.

Em Los Angeles, a cineasta fez mestrado na New York Film Academy. A partir do contato estabelecido entre professores e colegas, conseguiu trabalhos como freelancer em produções locais e internacionais. Além disso, produziu filmes próprios e venceu o prêmio de melhor curta-metragem no California Women’s Film Festival, com “The Boy in The Mirror”. Vivendo há mais de 5 anos nos Estados Unidos, Fernanda Schein celebra as conquistas e aconselha quem também sonha alto como ela:

Fernanda trabalhou com Giovanna Antonelli e Alexandre Borges, além do ídolo do esporte nacional Gustavo Kuerten, o Guga.

“Desde adolescente eu sempre quis morar em L.A., por ser o lugar de maior referência no Cinema. É maravilhosa oportunidade de trabalhar fora e ao aproveito tudo o que posso. Sempre fui de expor meus sonhos para as pessoas, e acredito que isso me trouxe muitos convites e oportunidades. Eu fiquei nos Estados Unidos porque foi surgindo um projeto atrás do outro. Aprendi que ser bem vocal sobre as coisas que você quer, faz com que elas venham até você, pois as pessoas lembram do seu interesse.”

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A cineasta acredita que o um filme é escrito três vezes. No roteiro, no set e na sala de edição. “A edição é de longe minha parte preferida, só a montagem te mostra se o roteiro foi executado corretamente, e como extrair o melhor resultado possível daquele material. É um trabalho introspectivo, detalhista e sensível. Hoje em dia, com a filmagem digital, o editor chega a receber centenas de horas de material filmado. Cabe ao editor, garantir que toda fala que vai para o corte final tenha sido a melhor versão daquele diálogo, a melhor reação de cada ator. A edição pode criar ou destruir estrelas, na hora de escolher que performance usar”, avalia.

Ao mesmo tempo em que paralisou produções e diminuiu o fluxo de trabalho, por um período, a pandemia de covid-19 indicou novos caminhos para a produção de conteúdo. Com o avanço da vacinação no mundo, as produtoras começam a retomar o ritmo, agora com um público acostumado a ficar em casa e sedento por entretenimento.

“As produtoras estão percebendo que devem ter o máximo de conteúdo pronto, pois na eventualidade de outra situação que prenda as pessoas em casa, o consumo streaming aumenta e o lucro é imenso. Além disso, o espectador está com muita vontade de ir ao cinema, então acredito que muitas coisas serão lançadas nos próximos 2 anos para atender esta grande demanda. Espero que esse reflexo se perceba no Brasil. O cinema brasileiro é muito lindo e merece ser mais divulgado pelo mundo”, diz a cineasta.

Fernanda trabalha atualmente em dois projetos. Um curta metragem gravado no Rio e um documentário sobre xadrez. Para o próximo ano, a editora espera o lançamento de “People to People”, um documentário que mostra a reconstrução de uma escola em Israel pela comunidade judaica de San Diego, na Califórnia.

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