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“Não estou indo trabalhar por medo”, diz trans agredida em Uberlândia-MG

Luara Silva estava distribuindo preservativos quando recebeu uma rasteira do agressor

Por Analice Nicolau 25/10/2021 12h30
Luara Silva estava distribuindo preservativos quando recebeu uma rasteira do agressor

Na última semana um caso de agressão contra uma pessoa trans chocou o Brasil. Luara Silva, de 38 anos, levou uma rasteira de um rapaz, de 23 anos, na BR-050, no Bairro Custódio Pereira, em Uberlândia-MG. Em conversa exclusiva ao Jornal de Brasília, a mulher falou sobre o caso.

O crime foi filmado e viralizou na internet. As imagens mostram Luara parada, quando o suspeito desce do carro e se aproxima dela, momento em que dá a rasteira e sai correndo. A vítima é presidente da Associação Triângulo Trans e disse que estava distribuindo preservativos na rua quando o agressor apareceu. “Eu não conhecia ele, estava apenas tentando fazer o bem para a sociedade LGBTQIA+”, disse ela.

A vítima é presidente da Associação Triângulo Trans e disse que estava distribuindo preservativos na rua quando o agressor apareceu

Com medo de que a cena volte a acontecer, Luara afirmou que não tem saído de casa. “Me senti humilhada, estou abalada e sonho com isso. Foi horrível, tive que procurar a ajuda de uma psicóloga. Não estou indo trabalhar por causa da agressão, estou com medo”.

A trans disse que torceu o tornozelo com a queda e ainda teve o celular quebrado com o impacto. Ela recebeu atendimento médico e está tomando alguns antibióticos. Sobre o que pode ter causado a agressão, Luara afirma que não tem dúvida de que foi um caso de transfobia. “Ele [advogado de defesa] falou que poderia ter sido qualquer pessoa, então ele [suspeito] estava procurando vítimas?”, questionou a vítima.

Como presidente do Triângulo Trans, Luara acredita que falta mais segurança e justiça. “Mais policiamento é bom, mas a justiça é devagar, leva muito tempo para ser feita e esses casos ficam esquecidos. A gente deveria pedir as autoridades terem atenção com isso, todos os casos são especiais e precisam de amparo”, finaliza.








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