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Analice Nicolau
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Memórias afetivas: o elo necessário para salvar as próximas gerações

Colunista Analice Nicolau

17/04/2026 15h13

Memórias afetivas: o elo necessário para salvar as próximas gerações A Dra. Dina Frutuoso ensina como o afeto intergeracional combate o isolamento na era digital Chega de ignorar o vazio emocional que o isolamento digital impõe às nossas famílias neste 17 de abril de 2026. Enquanto a tecnologia avança a passos largos, percebo um retrocesso perigoso na forma como nos vinculamos a quem veio antes de nós. Não se trata apenas de ler um livro, mas de entender que a sobrevivência psíquica dos nossos jovens depende, hoje, da capacidade de resgatarmos as raízes que o excesso de telas insiste em apagar. Os dados do IBGE não mentem e traçam um cenário que exige ação imediata: o Brasil caminha para ser um país majoritariamente idoso até 2050. Entretanto, a despeito dessa transição demográfica, o desenraizamento familiar é uma realidade amarga alimentada por jornadas de trabalho exaustivas e pela falsa proximidade das redes sociais. Esse fenômeno tem gerado um exército de jovens vulneráveis, sem o anteparo emocional que apenas o legado de gerações anteriores consegue construir. Dina Frutuoso, doutora pela UFRJ e psicóloga clínica com mais de 50 anos de estrada, surge como o farol necessário para iluminar esse abismo. Aos 85 anos, ela transforma a própria solidão vivida na pandemia na obra “Memórias Afetivas - Reflexões sobre amor, resiliência e espiritualidade no relacionamento entre gerações”. Como autora da primeira tese brasileira sobre Universidades Abertas da Terceira Idade, Dina não apenas escreve sobre o envelhecime

Dra. Dina Frutuoso

A Dra. Dina Frutuoso ensina como o afeto intergeracional combate o isolamento na era digital

Chega de ignorar o vazio emocional que o isolamento digital impõe às nossas famílias neste 17 de abril de 2026. Enquanto a tecnologia avança a passos largos, percebo um retrocesso perigoso na forma como nos vinculamos a quem veio antes de nós. Não se trata apenas de ler um livro, mas de entender que a sobrevivência psíquica dos nossos jovens depende, hoje, da capacidade de resgatarmos as raízes que o excesso de telas insiste em apagar.

Os dados do IBGE não mentem e traçam um cenário que exige ação imediata: o Brasil caminha para ser um país majoritariamente idoso até 2050. Entretanto, a despeito dessa transição demográfica, o desenraizamento familiar é uma realidade amarga alimentada por jornadas de trabalho exaustivas e pela falsa proximidade das redes sociais. Esse fenômeno tem gerado um exército de jovens vulneráveis, sem o anteparo emocional que apenas o legado de gerações anteriores consegue construir.

Dina Frutuoso, doutora pela UFRJ e psicóloga clínica com mais de 50 anos de estrada, surge como o farol necessário para iluminar esse abismo. Aos 85 anos, ela transforma a própria solidão vivida na pandemia na obra “Memórias Afetivas – Reflexões sobre amor, resiliência e espiritualidade no relacionamento entre gerações”. Como autora da primeira tese brasileira sobre Universidades Abertas da Terceira Idade, Dina não apenas escreve sobre o envelhecimento; ela convoca a sociedade a entender o propósito da vida através do outro.

Mudar a rota do enfraquecimento desses laços exige o abandono da passividade em favor da escuta ativa e do olhar nos olhos. A psicóloga propõe uma jornada de transformação onde o indivíduo deixa de ser refém do “cancelamento” virtual para se tornar protagonista de sua própria história afetiva. Ao desmistificar a empatia e validar a finitude, a obra ensina que segurar a mão de alguém é o norte mais seguro contra os desvarios da atualidade.

Resultados concretos de décadas de atuação clínica e social no projeto PEBATI mostram que o afeto ancestral é a base da resiliência humana. Quando uma criança recebe o suporte de figuras que compartilham um legado, ela desenvolve uma imunidade emocional capaz de enfrentar crises que o mundo virtual jamais conseguiria resolver. O impacto coletivo dessa mudança de postura reflete diretamente na redução de índices de depressão e no fortalecimento da saúde mental em diversas comunidades brasileiras.

Esta nova dinâmica populacional impõe um reposicionamento estratégico sobre o que significa, de fato, investir no bem-estar social. A inovação que o mercado e as instituições precisam não é digital, mas humanizada, integrando a sabedoria de quem já viveu à energia de quem está começando. Reconhecer o valor da coletividade e da comunicação transparente é o único caminho para que o “jardim das relações” volte a florescer em um solo hoje tão árido.

Investir na conexão entre avós e netos é garantir a sobrevivência do nosso amanhã mais humano. O legado da Dra. Dina Frutuoso não é uma exceção teórica, é um espelho acessível de que a transformação possível é real e urgente. De famílias desconectadas a indivíduos fortalecidos pelo afeto: o futuro do Brasil não espera, ele exige que recuperemos agora a nossa capacidade de sentir e pertencer.

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