Escrito pelo empresário e mentor Marcelo Neri, o romance filosófico e simbólico “O Tabuleiro da Existência” conta história de um homem que precisa enfrentar seus medos mais profundos para encontrar sua essência e seu propósito
Vivemos uma era de conquistas externas colossais e misérias internas profundas, onde o prestígio corporativo já não consegue estancar a angústia silenciosa da alma. Hoje, o topo das pirâmides sociais enfrenta uma epidemia invisível: o sucesso que não preenche, mas esvazia. Acompanho de perto como autoridades e grandes tomadores de decisão se perdem em métricas de desempenho, esquecendo-se de que a verdadeira governança começa no autoconhecimento. A crise de sentido que assola o mundo contemporâneo exige mais do que soluções técnicas; ela clama por uma jornada de reumanização que devolva ao líder o seu propósito original e a sua bússola ética.
Nesta virada de década, a saúde mental e a busca por transcendência tornaram-se os principais indicadores de sustentabilidade de qualquer nação ou instituição de respeito. Dados globais de inteligência emocional apontam que o isolamento no poder é o maior sabotador da eficácia pública e privada, gerando lacunas de empatia e crises de identidade em quem deveria guiar o coletivo. Não se trata apenas de um dilema individual, mas de um fenômeno sistêmico onde o “ter” aniquilou o “ser”. É nesse vácuo existencial que a literatura ganha contornos de ferramenta estratégica, servindo como um espelho necessário para aqueles que detêm a responsabilidade de conduzir o futuro da nossa sociedade.
Consolidado como uma autoridade técnica inquestionável no rigoroso setor marítimo e portuário, Marcelo Neri construiu sua carreira dominando as engrenagens do comércio global. Como CEO, Especialista em Agenciamento Marítimo, Portos, Logística e Afretamento Marítimo, ele vivenciou a pressão das grandes operações internacionais. No entanto, foi na transição para Mentor Executivo e Palestrante Internacional que Neri encontrou sua verdadeira vocação estratégica. Ao notar que suas conquistas materiais já não correspondiam aos seus anseios internos, ele mergulhou na neurociência e na espiritualidade para provocar reflexão em outros profissionais que, assim como ele, se perderam no alto desempenho.

Através das páginas de “O Tabuleiro da Existência”, publicado pela Editora Labrador, somos apresentados a Dante Valente, um milionário que simboliza o ápice do sucesso material e o abismo da infelicidade espiritual. Após um evento traumático, o protagonista é lançado em um campo quântico, um umbral metafísico onde cada movimento no tabuleiro decide o destino de sua essência. A obra confronta a autoridade com a ideia de que o futuro só faz sentido se compreendermos as verdades fundamentais que negligenciamos no passado. Dante precisa revisitar abismos e forjas internas, enfrentando a própria Morte em um jogo onde o prêmio não é o acúmulo, mas a libertação de padrões obsoletos de pensamento.
Dessa jornada transcendental brota a sabedoria da tríade, guiada pelo Filósofo, pelo Terapeuta e pelo Espiritualista. Esses arquétipos não são meros personagens, mas extensões da psique humana que buscam o “conhecimento para além das aparências superficiais” e a compreensão das “cicatrizes invisíveis” que todos carregamos. Marcelo Neri utiliza a teoria mística da tríade como um padrão fundamental da criação, sugerindo que a reconciliação entre o instinto, a razão e a espiritualidade é o único caminho para a verdadeira síntese. Sem essa integração, o líder permanece fragmentado, incapaz de enxergar a teia invisível de significados que conecta todas as ações humanas.
Sua obra transcende a ficção ao conectar o equilíbrio da alma com as estruturas que sustentam a própria democracia e os Três Poderes. Ao citar Aristóteles, Espinosa e Nietzsche, Neri eleva o debate para o patamar da gestão pública e do bem comum, mostrando que a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário reflete a harmonia necessária entre corpo, mente e espírito. Para as autoridades que nos leem, a mensagem é clara: o verdadeiro segredo da felicidade e da governança eficaz reside na jornada interna, e não apenas no objetivo alcançado. É um convite para que a liderança brasileira saia da superfície e mergulhe na profundidade de suas próprias convicções.

Investir na leitura e na visão de Marcelo Neri é investir na reumanização do poder e no futuro da nossa coesão social. De executivo de portos a estrategista da alma, sua transformação é um espelho acessível para todos que sentem o peso do tabuleiro existencial. Não se trata de uma escolha entre o sucesso e a paz, mas de entender que o sucesso sem paz é o maior fracasso de uma liderança. O futuro da nossa existência não espera por processos lentos, ele exige a coragem de olhar para o espelho e mudar o jogo por dentro. Seu legado ensina: a autoridade real é aquela que nasce da transcendência e se manifesta no serviço ao próximo.