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Analice Nicolau
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Marcelo Baldassare analisa a reinvenção do CFO no mercado

Colunista Analice Nicolau

31/07/2026 18h15

Marcelo Baldassare, CFO da HP Inc.

O executivo detalha a transição do controle rígido de custos para a criação de valor sustentável nas empresas

O universo das finanças corporativas atravessa uma das transformações mais profundas de sua história recente, impulsionada pela volatilidade dos mercados e pela necessidade constante de inovação. A antiga figura do diretor financeiro retido no isolamento dos balanços, dedicado quase exclusivamente a cortar orçamentos e validar dados contábeis, cedeu lugar a um perfil significativamente mais dinâmico. Hoje, a liderança financeira precisa atuar no centro do planejamento de negócios, traduzindo complexidades econômicas em direcionamentos claros para a organização. Para Marcelo Baldassare, CFO da HP Inc. e executivo com mais de 30 anos de atuação em finanças corporativas, esse movimento consolida uma virada cultural que afasta o setor de seu passado meramente burocrático e o transforma em um motor de crescimento sustentável.

Essa metamorfose na rotina corporativa responde a um cenário global marcado por incertezas econômicas, taxas de juros oscilantes e mudanças regulatórias céleres. Em um ambiente de concorrência acirrada, conselhos de administração e investidores deixaram de buscar apenas guardiões de caixa, passando a exigir líderes aptos a navegar por cenários de alto risco e propor caminhos de expansão. Pesquisas do setor mostram que aproximadamente 82% dos executivos de finanças já expandiram suas atribuições originais, assumindo a gestão de áreas como novos negócios e agendas socioambientais (ESG). Esse alinhamento acompanha o desejo das organizações, onde mais de 70% das decisões de contratação de topo priorizam profissionais com capacidade analítica apurada e visão ampla de longo prazo.

Paralelamente, o avanço veloz de ferramentas de inteligência artificial e automação acelerou a superação das rotinas manuais, liberando os gestores do peso puramente operacional. Se a tecnologia hoje executa projeções e conciliações em questão de segundos, o valor diferencial do ser humano migrou para a interpretação contextual e para a capacidade de articular consensos diante de escolhas difíceis. “A inteligência artificial analisa dados e simula cenários com velocidade, mas o valor do líder financeiro continua no julgamento executivo e na capacidade de transformar informação em decisões estratégicas com impacto real”, avalia Marcelo Baldassare.

Marcelo Baldassare, CFO da HP Inc.

Dessa forma, o novo líder financeiro assume o papel de integrador entre diferentes departamentos, derrubando os tradicionais silos operacionais e atuando como um facilitador de novos projetos. Em vez de funcionar como um obstáculo que trava investimentos para proteger margens imediatas, a diretoria de finanças passa a construir as bases de viabilidade para ideias arrojadas. “O que diferencia um CFO estratégico é a capacidade de conectar finanças com a estratégia do negócio. Em vez de apenas perguntar quanto um projeto custa, o líder moderno precisa provocationar a organização sobre qual é o custo de não investir no futuro”, destaca o executivo.

Apesar de ser uma evolução inevitável, transitar da segurança dos números exatos para a fluidez da gestão de pessoas e estratégias representa um desafio psicológico e prático relevante. Muitos profissionais qualificados estagnam na carreira justamente por tentarem replicar na alta liderança o mesmo comportamento que os consagrou no início da trajetória técnica. O apego exagerado a fórmulas prontas e a obsessão exclusiva pela contenção de despesas costumam limitar o alcance e a credibilidade do gestor perante os demais C-levels. “A armadilha mais comum ao chegar ao topo é manter a identidade puramente técnica do passado, esquecendo que o cargo exige inteligência emocional e habilidade para construir relacionamentos de confiança com o CEO e o Conselho”, alerta o especialista.

Marcelo Baldassare, CFO da HP Inc.

Compreender o momento da organização exige sensibilidade para discernir quando enxugar despesas e quando acelerar os investimentos com coragem e discernimento. Cortar recursos sem critério pode comprometer a capacidade de inovação e sufocar a competitividade da empresa no futuro, enquanto gastar sem controle coloca em risco a liquidez do negócio. A maturidade da gestão moderna reside na habilidade de encontrar esse ponto de equilíbrio, permitindo que a eficiência operacional caminhe lado a lado com a audácia comercial. O verdadeiro estrategista enxerga o orçamento não como um teto rígido, mas como um mapa flexível para viabilizar a longevidade corporativa.

A trajetória para alcançar e se manter na elite corporativa exige um conjunto de habilidades que transcende em muito o domínio dos livros contábeis e modelos matemáticos. A capacidade de ouvir equipes, comunicar visões complexas com clareza e assumir riscos calculados torna-se o diferencial decisivo em um mercado em constante reinvenção. O futuro da área financeira pertence aos profissionais dispostos a encarar os dados como o ponto de partida de uma conversa, e não como o seu veredito final. “Dominar a matemática financeira abre as portas, mas são a curiosidade, a capacidade de ouvir e a coragem para assumir o risco inteligente que garantem a sustentabilidade do líder no longo prazo”, finaliza Marcelo Baldassare.

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