Nascido numa quebrada da zona norte de São Paulo, Vitor Bruno sempre teve algumas paixões, como a música, especialmente o rap e o funk, estilos com os quais se identifica desde cedo, além das tatuagens e dos bonés de aba reta. De origem humilde, batalhou para estudar, formou-se em engenharia ambiental, e passou a cultivar outras vocações: como a preocupação com o corpo, o bem-estar e a culinária. Tornou-se vegano, aperfeiçoou-se em terapias holísticas e, ao criar o seu canal Mano Veganu, que está bombando no Kwai, quis acabar com qualquer estereótipo: um mano tatuatuado periférico e fã de músicas dos bailes pode, sim, ser saudável e se preocupar também com a mente e o corpo.

A ideia de criar o perfil surgiu em 2020, quando estava terminando a faculdade e trabalhando como entregador de um restaurante oriental, com as contas um pouco apertadas. Decidiu que deveria deixar de guardar esse conhecimento somente para si: começou falando sobre vida saudável e, entre uma conversa e outra com alguns usuários que já o acompanhavam, percebeu que havia uma lacuna quando o assunto eram receitas. “Como a dieta vegetariana é restrita, criou-se uma aura elitista em torno dela, de que é difícil fazer receitas baratas e saborosas com ingredientes simples e baratos”, conta ele, que é vegano há três anos e nesse tempo passou grande parte sendo crudívoro, uma pessoa cuja alimentação é baseada em itens (frutas, verduras e legumes) no seu estado natural, sem passar por cozimento.

Um fator que o ajudou nessa empreitada foi o fato de, como sempre precisou cozinhar o que come, muitas vezes devido às restrições, pôde sempre buscar conhecimento culinário e aperfeiçoar suas técnicas na cozinha. Hoje já são mais de 200 mil seguidores e quase 6 milhões de curtidas. “Sou um cara simples, faço yoga todo dia, utilizo muitas técnicas holísticas no dia a dia e o que mostro nas redes é um pouco isso, dicas pra todo mundo viver bem.”
Outra questão que o criador de conteúdo costuma enfatizar em seu canal são as nuances que envolvem o veganismo. “O veganismo não é uma dieta, é um estilo de vida e uma filosofia baseada num movimento político cujo pilar é a alimentação saudável, mas também acessível”, explica. Com isso em mente, receitinhas bem fáceis de fazer como o sorvete de banana com um ingrediente só, dicas veganas de festa junina, hambúrguer de “frango” vegano e bife de soja viralizaram no Kwai, ao lado do dia a dia de um vegano em situações cotidianas, como a ida à feira.
“Com meu canal, quero transmitir uma mensagem bacana voltada ao autoconhecimento. Podemos ter uma boa alimentação comendo menos carne, priorizando o produtor local e ingerindo mais legumes e verduras em vez de industrializados. Isso independente da condição financeira. Ninguém precisa viver comendo carne vegetal ou leite vegetal industrializado, que são caríssimos, para seguir uma dieta balanceada”, defende Vitor.