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Advogado Henrique Lima foi entubado duas vezes por causa de covid-19, e comemora a vitória: “Esse é um milagre”

Infectado durante uma viagem de negócios, o advogado ficou 28 dias internado e por ser resistente a sedação, ficou consciente e assistiu diversas mortes dentro da UTI

Por Analice Nicolau 05/05/2021 4h05
Henrique Lima Henrique Lima

Há mais de um ano temos uma notícia que, infelizmente, ocupa as manchetes diárias, o número de mortes causadas pela covid-19 em todo o mundo. No Brasil, que durante todo esse tempo foi um destaque negativo com diversas perdas, em meio ao caos, uma história de superação trouxe esperança. O advogado Henrique Lima, de Curitiba, venceu o coronavírus, após duas intubações e 28 dias de internação, enfim voltou para casa.

“Precisei ir até São Paulo para uma reunião de negócios, no final da noite, fui a um restaurante para jantar. Lembro que cheguei em casa numa quinta-feira à noite, sem sintomas. Mas três dias depois, no almoço de domingo com meus vizinhos, comecei a tossir. Foi naquele momento, que contaminei meus vizinhos e familiares”.

Henrique Lima é advogado atuante em ações envolvendo direito do administrativo, tributário, do consumidor, previdenciário (INSS e RPPS), responsabilidade civil e direito do trabalho.
É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família.

“Quando caiu a ficha de que poderia estar com coronavírus, procurei um teste rápido em uma das farmácias da minha cidade, mas o resultado deu negativo. Então, busquei orientação com uma amiga que é médica que me aconselhou a fazer um teste em um laboratório. O resultado confirmou as minhas suspeitas, estava infectado com o vírus, assim como minha família”, conta.

Infelizmente, a incerteza dessa doença chegou para Henrique. Nove dias após o positivo, começaram os sintomas mais assustadores. “Despertei na madrugada com falta de ar. Era realmente como se estivesse sendo sufocado. Naquela mesma noite procurei o hospital e fui internado. Minha saturação estava em 80 e a solução era ser intubado. Mas o terror começou aí”, comentou.

Henrique foi internado em Curitiba com 90% do pulmão comprometido , todo o processo durou 28 dias.

“Algumas pessoas têm mais dificuldades para pegar anestesia, sedação, e eu descobri que sou uma delas. Passei pelo procedimento de ser entubado ainda consciente e durante os 14 dias que precisei ficar entubado, ouvi os médicos e a equipe de enfermagem cuidando e conversando comigo, assim como as diversas pessoas que morreram ao meu lado, por complicações da covid-19, parada cardíaca ou respiratória. Eu estava com o corpo imóvel, e me senti aterrorizado naquele momento, eu orava e pedia para Deus para não ser o próximo a morrer”.

“Não existe dinheiro, carreira ou classe social que pudesse me tirar daquele sofrimento. Em muitos momentos de consciência, pensava na quantidade de momentos que desperdiçamos com coisas fúteis, como séries, bens materiais e a busca pela carreira. Passei por esse processo orando, buscando forças em Deus”, contou.

Quando o quadro pareceu favorável para Henrique, a equipe médica optou por interromper a intubação. “Foi um dia inteiro para ter notícias da minha família, entender sobre o meu quadro clínico e agradecer a Deus, pois sair dali era realmente um grande milagre”. Mas, ao chegar à noite, Henrique precisou ser intubado às pressas devido a uma piora.
Foram mais três dias, intermináveis. “Esse foi o momento que realmente bateu o desespero. Eu tinha certeza de que não sairia vivo daquela vez. Um milagre não cairia duas vezes no mesmo lugar. Foram dias intermináveis, de mortes, incerteza e aflição. Mas, para honra do Senhor Jesus, eu venci a segunda intubação”, conta.

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Durante os primeiros 20 dias, Henrique precisou recorrer ao oxigênio, em casa durante 15 dias durante o dia e a noite. Depois, por 9 dias usou apenas para dormir. Agora, está há quatro dias sem precisar do oxigênio.

Todo esse processo durou 28 dias. E do lado de fora da Unidade Tratamento Intensivo (UTI), a família também tinha uma luta a parte. O filho mais velho, de 14 anos, foi internado um dia depois de Henrique, e precisou ser submetido ao oxigênio por uma semana. Os outros filhos, de 11 e 7 anos ficaram com os vizinhos até a chegada da sogra, que veio de outra cidade.

Quando, enfim, recebeu alta, o tratamento precisou continuar em casa. “Tenho certeza de que sou realmente um milagre. Nos meus exames, o meu pulmão estava 90% comprometido. Quando estava saindo do hospital, o resultado foi para 45% e daqui a alguns dias vou refazer a tomografia. Durante os primeiros 20 dias precisei recorrer ao oxigênio, em casa durante 15 dias durante o dia e a noite. Depois, por 9 dias usei apenas para dormir. Agora, estou há quatro dias sem precisar do oxigênio”.

Em casa, recuperado, e com familiares e vizinhos longe do perigo, a lição que leva daqui para frente é de aproveitar os bons momentos. “Fazer o bem para o próximo, cultivar boas memórias com a família e falar de Jesus são o meu propósito de vida. Depois desse episódio, vou aguardar a chegada da vacina em casa com a minha família em segurança”, encerrou.

No Brasil, até a publicação desta matéria, 412 mil pessoas perderam a vida e 13,2 milhões de pessoas se recuperaram da enfermidade.

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