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Analice Nicolau
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Engenheiro detalha segurança das urnas eletrônicas após conteúdos sobre fraudes viralizarem

Colunista Analice Nicolau

21/10/2026 17h25

Elemar Jr., CEO da eximia.co, analisa a engenharia das urnas eletrônicas brasileiras, detalha a cadeia de custódia e afasta teses infundadas sobre fraudes.

O engenheiro de software Elemar Jr., CEO da eximia.co, em análise técnica sobre a arquitetura de segurança e criptografia das urnas eletrônicas brasileiras Créditos: Divulgação

Elemar Jr. destrincha o funcionamento do sistema e explica por que a tecnologia brasileira é blindada contra ataques

A segurança do sistema eleitoral brasileiro voltou ao centro dos debates públicos após o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, impulsionada pela disseminação de conteúdos sobre supostas fraudes nas plataformas digitais. Diante desse cenário de questionamentos, o engenheiro especialista em inteligência artificial e tecnologia Elemar Jr., CEO da eximia.co, analisa a infraestrutura do equipamento e detalha como a engenharia de software brasileira blindou o processo contra manipulações. Com três décadas de operação ininterrupta, as urnas eletrônicas operam sob uma arquitetura de múltiplas camadas concebida especificamente para neutralizar vetores de invasão e garantir a inviolabilidade matemática de cada voto registrado.

A blindagem estrutural concebida pela Justiça Eleitoral apoia-se na redução drástica da superfície de ataque e na segregação estrita de responsabilidades funcionais, distribuídas em três pilares técnicos fundamentais. Em primeiro lugar, destaca-se o isolamento absoluto da rede mundial de computadores, uma vez que o terminal não dispõe de placas de rede, Wi-Fi, Bluetooth ou qualquer porta de acesso remoto, exigindo intervenção física direta para qualquer interação. O segundo pilar reside na apuração descentralizada, na qual o cômputo dos sufrágios ocorre diretamente na máquina da seção, imprimindo o Boletim de Urna (BU) com assinatura digital no encerramento dos trabalhos. Por fim, o bloqueio a códigos maliciosos opera via inspeção prévia realizada por universidades, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), partidos e entidades fiscalizadoras, cujas assinaturas digitais invalidam e impedem a inicialização de qualquer versão adulterada.

Para assegurar a correspondência matemática entre a vontade manifestada na cabine e o registro em memória, a Justiça Eleitoral submete o parque tecnológico ao rigoroso Teste de Integridade durante o próprio dia da votação oficial. Nesse procedimento presencial, urnas sorteadas aleatoriamente recebem votos previamente registrados em cédulas de papel diante de auditores externos, com posterior cruzamento entre os totais físicos e digitais. A robustez desse método obteve validação em auditorias históricas acompanhadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 25 estados, sem registrar divergência matemática. Pela inferência estatística elementar, a ausência sistemática de inconsistências em amostragens rigorosas reduz a probabilidade de fraude massiva não detectada a patamares estatisticamente nulos.

O trajeto percorrido pelos arquivos eleitorais desde a seção de votação até o centro de processamento do Tribunal Superior Eleitoral segue uma cadeia de custódia rigorosamente documentada. O ciclo tem início no começo da manhã com a emissão da zerésima, atestando que a máquina não possui registros prévios, e culmina com a impressão física do Boletim de Urna às dezessete horas. “Digamos que o Boletim de Urna mostre 120 votos para determinado candidato, uma cópia é fixada na porta da seção, ou seja, o resultado existe, é impresso e público antes de qualquer transmissão, e um hacker não consegue acessar as urnas remotamente”, ressalta Elemar Jr. ao detalhar as etapas de segurança. Apenas após a afixação do documento em local público, os mesários retiram a mídia de gravação para envio em terminal homologado, permitindo que qualquer eleitor use o aplicativo oficial e confira se os dados conferem com o código bidimensional da cabine.

A compreensão dessa separação de camadas técnicas também esclarece episódios operacionais que costumam gerar interpretações equivocadas, como o atraso temporário registrado na totalização nacional durante o primeiro turno. Naquela ocasião, o painel centralizado de apuração para a presidência permaneceu fixado em 64,81% por quase cinquenta minutos, enquanto as interfaces estaduais prosseguiam exibindo as atualizações regionais sem qualquer paralisação. “Nada que gente que trabalha com fila em TI já não tenha visto várias vezes, pois as urnas contaram e os boletins continuavam chegando, sendo que quem travou foi apenas a divulgação do consolidado nacional”, explica Elemar Jr. ao demonstrar que os bancos de dados estaduais preservaram plena integridade funcional. Com o restabelecimento do painel centralizado, a convergência absoluta dos números dissipou qualquer ruído sobre a lisura do processamento.

As discussões recorrentes sobre a eventual adoção do voto impresso como camada acessória de conferência física exigem uma reflexão serena acerca de custos, gargalos operacionais e novas vulnerabilidades mecânicas. A inserção de dispositivos periféricos de impressão exigiria lidar com suprimentos de bobinas, transporte protegido de malotes físicos, falhas de tração e a criação de protocolos complexos para apurar divergências entre registros. “A segurança é sempre um trade-off, pois teria que adicionar impressora a cada urna, papel, armazenamento, cadeia de custódia e procedimentos para tratar divergências, de modo que eu não acho necessário um voto impresso para tornar a urna brasileira ainda mais confiável”, pondera Elemar Jr. ao defender a eficiência do modelo existente. A maturidade das rotinas criptográficas e das checagens públicas em múltiplas instâncias assegura um nível de integridade matemática superior a qualquer manuseio analógico de cédulas.

Ao celebrar três décadas de operação ininterrupta, a tecnologia eleitoral brasileira demonstra que o combate à desinformação demanda fundamentação matemática e transparência estrutural perante a sociedade civil. “A confiabilidade não é uma feature que você adiciona no final, pois sistema crítico não pede confiança, produz evidência, e se alguém tentasse modificar o software, a versão nova não bateria com esse carimbo digital e a urna acabaria invalidada, sem sequer iniciar o processo”, sintetiza Elemar Jr. ao analisar as garantias do arranjo técnico de validação. A primazia de evidências verificáveis sobre narrativas desprovidas de base empírica reafirma a higidez das instituições, atestando que o rigor da engenharia segue como o pilar mais sólido de soberania democrática.

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