Menu
Analice Nicolau
Analice Nicolau

Dra. Raíza Alves analisa o atraso no diagnóstico do TOC

Colunista Analice Nicolau

28/08/2026 12h49

Dra. Raíza Alves Pereira analisa como a vergonha e a culpa moral adiam por até sete anos o diagnóstico do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Divulgação: Mkt da Holiste Psiquiatria

A psiquiatra Dra. Raíza Alves Pereira explica como a vergonha oculta sintomas e adia o diagnóstico do TOC

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) permanece cercado por estigmas que dificultam a identificação precoce de seus quadros clínicos. Caracterizado pela presença de obsessões intrusivas e compulsões repetitivas direcionadas ao alívio do sofrimento psicológico, a condição frequentemente é interpretada de maneira simplista pela sociedade. A médica psiquiatra Dra. Raíza Alves Pereira, coordenadora do Programa TOC da Holiste Psiquiatria e Mestre em Medicina e Saúde, chama a atenção para o impacto da vergonha no ocultamento dos sintomas. O fenômeno estende o tempo de sofrimento silencioso antes da busca por auxílio especializado na rede de saúde.

O surgimento do transtorno costuma ocorrer em etapas determinantes da formação humana, manifestando-se predominantemente durante a infância e a adolescência. Dados de pesquisas internacionais com pacientes adultos indicam que o intervalo médio entre a manifestação inicial das obsessões e a confirmação do diagnóstico chega a sete anos. Durante esse intervalo, as perturbações não tratadas afetam o rendimento acadêmico, o desenvolvimento profissional, as dinâmicas familiares e a autonomia do indivíduo. Avaliações psiquiátricas mostram que o prejuízo acumulado sobre a qualidade de vida global dos indivíduos diagnosticados equivale aos impactos registrados em quadros graves de esquizofrenia.

A visão estereotipada que associa o transtorno apenas a hábitos rígidos de limpeza ou organização compromete o reconhecimento de manifestações clínicas distintas. Pensamentos involuntários de conteúdo violento, dúvidas religiosas, checagens mentais exaustivas e o medo irracional de causar acidentes formam um conjunto sintomático complexo que raramente é identificado pelo paciente como parte de uma patologia. Diante do desconhecimento, as obsessões passam a ser interpretadas sob uma ótica de julgamento moral, gerando isolamento social e impedindo o acesso aos protocolos terapêuticos fundamentais.

A barreira emocional imposta pela vergonha constitui um dos principais obstáculos para a consolidação do diagnóstico psiquiátrico na rotina médica. O indivíduo tende a atribuir peso moral às ideias indesejadas, confundindo a presença da obsessão com a própria índole pessoal. Diante da incompatibilidade entre os pensamentos intrusivos e seus valores éticos, “a maioria dos pacientes reconhece que seus pensamentos são excessivos e incongruentes com o que acreditam”, pondera a psiquiatra Dra. Raíza Alves Pereira ao explicar que essa autoacusação retroalimenta o ciclo da doença. A ausência de investigação profunda em consultas gerais perpetua a ocultação das queixas mais dolorosas.

A reversão do diagnóstico tardio exige a ampliação do conhecimento público sobre a diversidade de sintomas e a desconstrução de ideias punitivas sobre a saúde mental. A distinção clara entre ideações sintomáticas e condutas voluntárias permite que o paciente rompa a barreira do silêncio e busque suporte psiquiátrico adequado. Ao abordar a necessidade de ressignificar a percepção do doente sobre o próprio quadro, “entender que pensar em algo não é o mesmo que desejar ou agir, e que esses pensamentos são manifestações de um transtorno, não reflexos do caráter, pode transformar a maneira como os pacientes se relacionam com seus sintomas”, destaca Dra. Raíza Alves Pereira. O acolhimento estruturado em clínicas especializadas viabiliza estratégias terapêuticas de alta eficácia.

O avanço das metodologias de triagem e a capacitação contínua de equipes multidisciplinares apontam para um cenário de maior assertividade na identificação de transtornos do espectro obsessivo-compulsivo. A integração entre farmacoterapia moderna e psicoterapia comportamental tem demonstrado capacidade de reverter prejuízos funcionais históricos quando aplicada de forma precoce. Analisando as transformações necessárias para a redução do hiato temporal de diagnóstico, “tratar esses sintomas começa por torná-los reconhecíveis e permitir que aquilo que permaneceu escondido por anos seja finalmente dito”, afirma a especialista da Holiste Psiquiatria, Dra. Raíza Alves Pereira. A inovação nos cuidados em saúde mental consolida novos horizontes de reabilitação.

A consolidação de políticas de conscientização e o fortalecimento de programas de referência em psiquiatria representam passos decisivos para mitigar os danos sociais provocados pelo transtorno. O reconhecimento de que o sofrimento mental não deve ser vivenciado sob o estigma da culpa abre espaço para intervenções que devolvem a autonomia e o bem-estar aos pacientes. Refletindo sobre a urgência de romper a caricatura histórica associada ao tema, “quando aquilo que uma pessoa vive não se parece com essa imagem, reconhecer-se como alguém que pode ter TOC torna-se ainda mais difícil”, conclui a Dra. Raíza Alves Pereira. A superação do atraso no diagnóstico reafirma o compromisso ético da medicina com a dignidade humana.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado