Fonoaudióloga Ariane Bonucci destaca a importância do check-up auditivo precoce para evitar a perda da audição e zumbido
A fonoaudióloga Ariane Bonucci, especialista em Audiologia Clínica e sócia-fundadora do Espaço da Audição, chama a atenção para o crescimento dos casos de perda auditiva e zumbido no país. A exposição constante ao excesso de ruído, o uso inadequado de fones de ouvido e o envelhecimento populacional estão entre os fatores que aceleram esse quadro. Diante dessa realidade, a profissional reforça que o cuidado com os ouvidos precisa se transformar em uma prioridade de saúde em todas as faixas etárias.
Dados indicam que aproximadamente 70% das pessoas apresentam algum grau de perda auditiva após os 60 anos, mas o problema não se limita à terceira idade. Crianças, jovens e adultos também vêm desenvolvendo alterações em decorrência de fatores genéticos, infecções e, principalmente, da sobrecarga sonora diária. No entanto, a falta de informação preventiva faz com que a maioria da população adie a busca por uma avaliação especializada.
Os sinais de comprometimento costumam surgir de forma gradativa, afetando diretamente a autonomia e a convivência social. Aumentar frequentemente o volume da televisão, pedir repetidamente para repensarem frases e sentir dificuldades de compreensão em ambientes barulhentos são alertas claros. Sem o devido acompanhamento, a barreira na comunicação pode evoluir para o isolamento interpessoal e prejuízos emocionais silenciosos.

Para reverter esse cenário, a especialista defende a consolidação de rotinas preventivas regulares na população. “Precisamos criar a cultura do check-up auditivo. Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dificuldade para ouvir já compromete a comunicação e a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados”, afirma a Dra. Ariane Bonucci ao detalhar a necessidade da intervenção precoce.
Entre os sintomas que mais levam pacientes aos consultórios está a percepção de ruídos sem origem externa, condição que exige investigação cuidadosa. “O zumbido é a percepção de sons como chiados, apitos ou assobios sem que exista uma fonte sonora externa. Em cerca de 90% dos casos, ele está associado à perda auditiva, mas também pode estar relacionado ao estresse, à ansiedade, a alterações circulatórias, problemas na articulação da mandíbula, alimentação ou ao uso de determinados medicamentos”, esclarece a fonoaudióloga.

Com 13 anos de atuação e presença nacional, o Espaço da Audição atua combinando tecnologia, exames completos e orientação especializada. A especialista lembra que a integridade auditiva é essencial para a preservação dos laços afetivos. “A audição nos conecta às pessoas, às emoções e aos momentos mais importantes da vida. Quando ela começa a falhar, muitas pessoas deixam de participar das conversas, evitam encontros familiares, enfrentam dificuldades no trabalho e acabam perdendo sua autonomia e confiança”, ressalta a profissional.
Adotar hábitos simples no cotidiano, como pausar a exposição a sons altos e realizar consultas regulares, garante a longevidade da comunicação. “A audição merece os mesmos cuidados dedicados à visão, ao coração e à saúde como um todo. Cuidar da audição é preservar a comunicação, a autonomia, o funcionamento saudável do cérebro e a qualidade de vida. Com opções cada vez mais acessíveis, cuidar da audição deixou de ser um privilégio. O que realmente pesa é perder conversas, oportunidades e momentos especiais por não buscar ajuda”, conclui a Dra. Ariane Bonucci.