O ortopedista Dr. Carlos Cedano analisa evidências científicas que comprovam a ação do treino de força na prevenção de demências, no alívio de sintomas psíquicos e na longevidade
A celebração do Dia Internacional do Autocuidado, em 24 de julho, marca uma transformação no conceito de bem-estar, que supera a associação exclusiva a rituais de relaxamento ou estética. O avanço da medicina preventivo-esportiva e da ortopedia demonstra que a preservação da saúde física e mental encontra na musculação um de seus pilares mais consistentes. Longe de figurar apenas como um hábito voltado ao ganho estético, o treinamento de força é hoje reconhecido pela comunidade científica internacional como uma intervenção fisiológica capaz de reconfigurar marcadores biológicos e assegurar autonomia funcional ao longo do envelhecimento.
As evidências que sustentam essa mudança conceitual ganharam o reforço de pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os estudos demonstraram que a contração muscular decorrente dos exercícios resistidos estimula a produção do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e do hormônio irisina. Essas substâncias favorecem a neuroplasticidade, a formação de novas conexões neurais e a preservação da integridade do hipocampo, estrutura cerebral ligada à memória, ajudando a reduzir a proliferação de proteínas beta-amiloides, um dos marcadores associados ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer.
Avaliando a transição conceitual da ortopedia moderna, o ortopedista Dr. Carlos Cedano aponta que a musculação deve ser encarada como uma estratégia de saúde pública para a longevidade. Analisando a função metabólica do sistema musculoesquelético, o médico ressalta que “a musculação deixou de ser uma atividade voltada apenas para quem busca melhorar a aparência física. Hoje sabemos que o músculo funciona como um verdadeiro órgão protetor da saúde. Quando nos exercitamos, desencadeamos uma série de respostas biológicas que beneficiam o cérebro, o sistema cardiovascular, os ossos e até o equilíbrio hormonal”, demonstrando que a sobrecarga mecânica orientada regula diversos sistemas do corpo humano.
Essa proteção biológica é vital diante do avanço da sarcopenia, a perda acelerada de massa, força e função muscular. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) indicam que a condição afeta cerca de 15% dos idosos no Brasil e pode atingir até 50% dos indivíduos acima de 80 anos, representando o principal fator de risco para quedas, fragilidade física e perda da independência na maturidade. Refletindo sobre o papel preventivo do treino com pesos, o especialista Dr. Carlos Cedano afirma que “um dos maiores fatores de risco para a perda de independência na terceira idade é justamente a redução da massa e da força muscular. Pessoas que mantêm uma rotina de treinamento ao longo da vida tendem a preservar melhor sua mobilidade, equilíbrio e autonomia para realizar atividades simples do dia a dia”, sinalizando que o fortalecimento contínuo preserva as articulações e resguarda a capacidade funcional.
Além do impacto neurológico e estrutural, a musculação é apontada como uma ferramenta no combate aos transtornos emocionais. Uma meta-análise publicada na revista científica JAMA Psychiatry, abrangendo 33 ensaios clínicos e cerca de 2.000 voluntários, comprovou que o treino de força reduz de forma expressiva os sintomas depressivos. Do mesmo modo, uma revisão sistemática divulgada no periódico Psychiatry Research confirmou a diminuição acentuada de quadros de ansiedade em praticantes regulares. A explicação reside no aumento do fluxo sanguíneo cerebral e na secreção de neurotransmissores como endorfina, dopamina e serotonina durante a execução dos movimentos.
Contextualizando a ação fisiológica dos exercícios na estabilidade psíquica, o ortopedista Dr. Carlos Cedano destaca que “não é exagero dizer que a musculação funciona como um remédio biológico. A atividade física regular ajuda a reduzir os níveis de estresse, melhora a qualidade do sono e contribui para o controle da ansiedade. Muitas pessoas percebem uma melhora significativa no humor e na disposição após algumas semanas de treino consistente”, atestando que a regularidade nos pesos atua na modulação do sistema nervoso central.
Para que esses desdobramentos terapêuticos sejam alcançados com segurança, a individualização das cargas e o acompanhamento técnico profissional são premissas indispensáveis. A musculação voltada à longevidade prescinde de metas estéticas irreais ou exaustões extremas, priorizando a adequação biomecânica às necessidades de cada indivíduo. Orientando a condução dos treinos, o especialista Dr. Carlos Cedano enfatiza que “cada pessoa possui uma realidade, uma idade e uma condição física diferente. O ideal é que o treinamento seja individualizado e respeite as limitações de cada um. O autocuidado não está em buscar resultados extremos, mas em criar hábitos sustentáveis que promovam saúde ao longo da vida”, prevenindo sobrecargas articulares e garantindo a continuidade da prática.
Em um cenário global caracterizado pelo envelhecimento populacional e pelo aumento do diagnóstico de transtornos mentais, a musculação se afirma como uma intervenção não farmacológica indispensável. Integrando o fortalecimento osteomioarticular à neuroproteção, o treino de força consolida-se como um investimento contínuo na saúde global. A comprovação de que o cuidado com o tecido muscular atua diretamente na preservação da saúde cerebral e da independência diária transforma a musculação em um dos pilares de autocuidado respaldados pela ciência médica moderna.