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Analice Nicolau
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Desemprego (-56%) x Escassez (+135%): Brasil nunca empregou tanto e empresas nunca sofreram tanto para contratar

Colunista Analice Nicolau

11/09/2026 15h40

Déborah Nunes Cano, Sócia e Founder da You Lead Outsourcing

Com 103,1 milhões de ocupados, falta de profissionais leva empresas a combinar capacitação própria e terceirização de equipes 

O Brasil chegou ao maior número de pessoas ocupadas desde o início da série histórica, em 2012, mas o avanço do emprego não tornou a contratação mais simples para as empresas. O país registrou 103,1 milhões de trabalhadores ocupados no 2º trimestre de 2026, enquanto a população desempregada recuou para 5,9 milhões. No mesmo período, a taxa de desemprego caiu para 5,4%, ante 12,4% no 2º trimestre de 2018. A diferença representa uma redução de 7 pontos percentuais ou 56,5% em 8 anos. No sentido oposto, a parcela de empregadores brasileiros que relatam dificuldade para encontrar profissionais aumentou de 34% para 80%. O indicador avançou 46 pontos percentuais, o equivalente a 135,3%, e passou a atingir 8 em cada 10 empresas. 

Embora os levantamentos tenham metodologias e universos distintos, a leitura conjunta expõe uma mudança no mercado de trabalho: a queda do desemprego reduziu o contingente disponível, mas não eliminou a distância entre os perfis procurados pelas empresas e as competências encontradas entre os candidatos. O desafio, portanto, deixou de se concentrar apenas na abertura de vagas e passou a envolver qualificação, experiência, adaptação às novas funções e capacidade de formar profissionais dentro das próprias operações. 

A dificuldade não está restrita a profissões tecnológicas. Marketing e vendas aparecem entre as competências técnicas mais difíceis de encontrar no Brasil, ao lado de inteligência artificial, TI, dados e atendimento ao cliente. Em serviços profissionais, científicos e técnicos, 85% dos empregadores relatam escassez, enquanto o índice chega a 88% no estado de São Paulo. “O desemprego baixo muda a natureza do problema. A empresa não está apenas procurando alguém disponível, mas um profissional que consiga entender o negócio, adaptar-se rapidamente e produzir resultado em uma função cada vez mais complexa. Na área comercial, essa diferença aparece com força porque conhecer técnicas de venda não basta. É preciso compreender o mercado, o perfil do cliente e um processo de decisão que pode envolver vários interlocutores”, afirma Déborah Nunes Cano, Sócia e Founder da You Lead Outsourcing.

A resposta das empresas começa a migrar da busca pelo profissional pronto para a construção das competências necessárias. Segundo a pesquisa, 44% dos empregadores brasileiros investem em capacitação e requalificação dos próprios colaboradores, 25% procuram novos grupos de talentos e 13% ampliam a terceirização de funções. É nesse movimento que a You Lead, especializada em prospecção B2B e terceirização de operações comerciais, passou a combinar execução e formação. A companhia mantém uma academia remota para capacitar profissionais de prospecção por meio de aulas ao vivo, simulações de situações comerciais e certificação interna. Segundo dados divulgados pela empresa, a operação atende mais de 150 clientes, reúne cerca de 70 colaboradores, dobrou o faturamento no último ano e projeta alcançar em 2026 um resultado equivalente a 2,5 vezes o registrado anteriormente.

A manutenção do desemprego em níveis baixos tende a aumentar a pressão sobre salários, retenção e tempo de preenchimento das vagas, mas o efeito não será igual para todas as empresas. Organizações capazes de formar profissionais, redesenhar exigências e separar atividades especializadas das funções internas podem reduzir a dependência de contratações prontas. Para Déborah, “A formação passa a fazer parte do próprio recrutamento. Esperar indefinidamente pelo candidato ideal pode atrasar projetos, sobrecarregar equipes e limitar o crescimento. Em uma operação comercial, a empresa pode desenvolver competências internamente ou recorrer a uma equipe especializada enquanto seus vendedores se concentram nas negociações. A discussão não deve ser apenas sobre reduzir custos, mas sobre diminuir o intervalo entre a necessidade de contratar e a capacidade de gerar resultado”, conclui.

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