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Analice Nicolau
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Debate reúne especialistas para discutir enfrentamento à violência contra a mulher em Salvador

Colunista Analice Nicolau

11/03/2026 17h35

Debate reúne especialistas para discutir enfrentamento à violência contra a mulher em Salvador Evento propôs olhar multidisciplinar sobre políticas públicas, justiça, comunicação e rede de proteção às vítimas Ontem, 10 de março de 2026, Salvador não apenas debateu a sobrevivência feminina; a capital baiana estabeleceu um novo padrão de enfrentamento estratégico à violência de gênero. O auditório do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) em Gestão Severino Vieira foi palco de uma imersão crua e necessária, provando que o combate à misoginia não se faz apenas com leis, mas com uma rede blindada, técnica e, acima de tudo, multidisciplinar. O cenário brasileiro ainda é de alerta máximo. Segundo dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou um aumento sistemático nos casos de feminicídio e violência doméstica nos últimos anos, o que torna iniciativas como esta mesa redonda, idealizada e organizada pela professora e advogada Isabele Pereira, não apenas necessárias, mas urgentes. O objetivo foi claro: furar a bolha do judiciário e levar a consciência do direito para a base, onde o futuro cidadão se forma.

Foto Divulgação Arquivo Pessoal

Evento propôs olhar multidisciplinar sobre políticas públicas, justiça, comunicação e rede de proteção às vítimas

Ontem, 10 de março de 2026, Salvador não apenas debateu a sobrevivência feminina; a capital baiana estabeleceu um novo padrão de enfrentamento estratégico à violência de gênero. O auditório do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) em Gestão Severino Vieira foi palco de uma imersão crua e necessária, provando que o combate à misoginia não se faz apenas com leis, mas com uma rede blindada, técnica e, acima de tudo, multidisciplinar.

O cenário brasileiro ainda é de alerta máximo. Segundo dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou um aumento sistemático nos casos de feminicídio e violência doméstica nos últimos anos, o que torna iniciativas como esta mesa redonda, idealizada e organizada pela professora e advogada Isabele Pereira, não apenas necessárias, mas urgentes. O objetivo foi claro: furar a bolha do judiciário e levar a consciência do direito para a base, onde o futuro cidadão se forma.

A força deste encontro residiu na sua pluralidade absoluta. Na sessão das 14h, a experiência de campo da delegada plantonista da DEAM, Argimária Soares, que lida diariamente com a aplicação da Lei Maria da Penha, cruzou com a visão executiva de Fernanda Lordêlo, secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ). O debate evidenciou que punir o agressor é apenas metade do caminho; a eficácia real reside em como a máquina pública acolhe a mulher antes que o ciclo de violência se torne fatal.

Um dos pontos altos foi a discussão sobre a “segunda violência”: a revitimização no sistema de justiça. Joana Rodrigues, coordenadora do Comitê de Acompanhamento e Capacitação sobre o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, e a defensora popular Carine Morais trouxeram o peso da realidade jurídica. Elas mostraram que a justiça que ignora o gênero muitas vezes acaba por punir a mulher duas vezes. Enquanto isso, a comunicação estratégica ganhou voz com a jornalista Driele Veiga, que desconstruiu a narrativa do medo para erguer a do empoderamento real, tirando a mulher do papel de vítima passiva para o de protagonista de sua própria história.

À noite, o tom estratégico se intensificou. A presença da advogada trabalhista e doutoranda Samantha Lins e da diretora de Políticas para Mulheres da SPMJ, Fernanda Cerqueira, reforçou que a mudança cultural exige protocolos técnicos e sustentáveis. A mídia, peça fundamental nessa engrenagem, foi analisada pela apresentadora Adriana Planzo, que provocou uma reflexão profunda sobre o limite ético da cobertura jornalística e como a repercussão de casos de violência impacta a percepção pública e a segurança das vítimas.

De ambientes vulneráveis para o protagonismo ativo, a transformação proposta ontem no CEEP Severino Vieira é um modelo de educação cidadã. Ao focar em estudantes de cursos profissionalizantes, Isabele Pereira plantou a semente da ética e do respeito no mercado de trabalho, território onde a desigualdade de gênero e o assédio ainda tentam ditar as regras. O evento não apenas informou; ele convocou a comunidade acadêmica a ser vigilante.

O impacto de uma iniciativa como esta em Salvador é um espelho acessível para outras capitais brasileiras. Quando instituições de segurança, direito, gestão pública e comunicação se alinham, o recado é nítido: a proteção à mulher não é uma pauta sazonal, é um compromisso inegociável de Estado. Salvador reconhece que a visão estratégica e humanizada de ontem eleva o resultado mensurável de amanhã.

Investir em educação e rede de proteção é, em última análise, investir no futuro da Bahia. O legado deste encontro ensina: o enfrentamento exige coragem técnica e união institucional. Afinal, o futuro das nossas mulheres não espera; ele exige ação concreta hoje. De uma comunidade vulnerável para uma rede de proteção ativa, a transformação possível é real.

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