Reajustes de quinze por cento no PVC e concreto mobilizam reuniões de emergência no Sinduscon
O mercado imobiliário do Litoral Norte de Santa Catarina, reconhecido pelos maiores índices de valorização do país, enfrenta um novo desafio estrutural que coloca em xeque as margens de lucro dos grandes projetos. Em um movimento que pegou o setor de surpresa, fornecedores de insumos básicos anunciaram reajustes expressivos que impactam diretamente o custo do metro quadrado em Balneário Camboriú, Itajaí e Itapema. O cenário de otimismo com as vendas agora divide espaço com a preocupação técnica sobre a escalada dos preços nos canteiros de obras.
A gravidade da situação é evidenciada pelos números recentes que circulam nos bastidores das grandes incorporadoras da região. O concreto, elemento vital para as torres de alto padrão, sofreu anúncios de aumentos que variam entre 7% e 13% em curto espaço de tempo. Paralelamente, o setor de polímeros registrou um salto de 15% nos tubos e conexões de PVC, refletindo a volatilidade do mercado internacional de petróleo e a instabilidade na cadeia de suprimentos de commodities fundamentais para a infraestrutura urbana.
Para contextualizar o impacto, o setor monitora de perto o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), que já demonstrava sinais de pressão acumulada. Em termos comparativos, enquanto o índice geral tenta se manter estável, os custos específicos de materiais e equipamentos para o segmento de luxo no Litoral Norte tendem a descolar da média nacional devido à alta demanda por acabamentos e tecnologias de ponta. Essa “inflação da construção” local é intensificada pela logística portuária e tributária, gerando um custo operacional acima do esperado para o semestre.

Diante da urgência do tema, o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) convocou reuniões estratégicas para discutir medidas de mitigação junto aos construtores. O objetivo principal é avaliar a viabilidade econômica de novos lançamentos e buscar alternativas que impeçam um repasse integral e imediato ao consumidor final. A preocupação é legítima: em um mercado onde a qualidade é o diferencial, economizar em insumos não é uma opção, o que obriga as empresas a buscarem máxima eficiência em seus processos internos.
Além da inflação de materiais, a escassez de mão de obra qualificada atua como uma força secundária que pressiona o custo global das obras. A competição por profissionais experientes no litoral catarinense elevou os salários e encargos, criando um gargalo produtivo que pode estender os prazos de entrega. Esse cenário de “pinça” econômica, materiais mais caros e trabalho mais oneroso, exige que as incorporadoras revisem seus cronogramas financeiros para garantir a entrega das unidades sem comprometer a solidez das empresas.
Refletindo sobre essa conjuntura, Rafael E. B. Schefer, diretor da Neuhaus Incorporadora, ressalta que o planejamento e o diálogo entre todos os agentes da cadeia produtiva são cruciais para atravessar o momento. “O aumento de custos já é uma realidade; o desafio agora é como o mercado vai absorver esse cenário de forma equilibrada”, analisa o executivo. A expectativa é que, se os reajustes do concreto e PVC se consolidarem, o setor passará por uma reprecificação estratégica nos próximos meses para sustentar o crescimento imobiliário regional.