Diante do preocupante crescimento exponencial dos casos de síndromes gripais e respiratórias entre crianças e adolescentes no estado do Amapá, as Sociedades Brasileira (SBP) e Amapaense de Pediatria (SAP) manifestaram publicamente sua inquietação. A escassez de leitos pediátricos disponíveis na rede pública de saúde do estado se tornou um grande obstáculo para o adequado atendimento às crianças.

Dados analisados pelas entidades revelam que a capital amapaense perdeu quase metade de seus leitos de internação pediátricos nos últimos cinco anos, agravando ainda mais a situação. A presidente da Sociedade Amapaense de Pediatria, Dra. Camila Salomão, alerta para o vírus sincicial respiratório (VSR) como uma das principais causas de internação, destacando a necessidade urgente de ampliação dos recursos disponíveis.
A insuficiência de leitos pediátricos na rede pública de saúde do Amapá tem se mostrado um desafio alarmante. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2019, havia 139 vagas disponíveis para internação de crianças na capital Macapá. Entretanto, atualmente, esse número diminuiu drasticamente para apenas 74 leitos, evidenciando a falta de recursos para atender a demanda crescente.
Essa escassez é particularmente preocupante diante do aumento de casos de síndromes gripais, incluindo bronquiolite e pneumonia, causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente em crianças menores de dois anos.

No último sábado (13), o Governo do Estado do Amapá decretou situação de emergência em saúde pública devido ao agravamento da situação. Infelizmente, desde então, três crianças já perderam suas vidas em decorrência dessas síndromes gripais.
Entre as vítimas, estava uma criança indígena do município de Pedra Branca do Amapari, além de outra em Tartarugalzinho. Essas cidades contam apenas com cinco leitos de internação pediátrica cada, agravando ainda mais o quadro de falta de recursos adequados para o tratamento das crianças.
O presidente do Departamento de Imunizações da SBP, dr. Renato Kfouri, ressalta que a prevenção contra o VSR é fundamental, já que não existe uma vacina disponível. Ele destaca a importância da adoção de medidas de higiene, como a lavagem regular das mãos com sabão ou álcool, além do distanciamento de pacientes com sintomas gripais.
Para bebês com maior risco de complicações, como prematuros, existe a opção de prevenção através do uso de anticorpo monoclonal específico contra o vírus. É essencial conscientizar a população sobre a importância da prevenção.
Segundo a Secretaria de Saúde do Amapá, a maioria das crianças internadas em estado grave não havia sido vacinada contra a covid-19 e a gripe. Nesse sentido, o presidente da SBP, Dr. Clóvis Francisco Constantino, ressalta a extrema importância de manter em dia as imunizações de crianças e adolescentes. Ele enfatiza que as vacinas desempenham um papel essencial na proteção, reduzindo significativamente os riscos de internação e morte. A vacinação contra a gripe, por exemplo, já é indicada a partir dos 6 meses de idade. É fundamental que os responsáveis conversem com o pediatra para garantir que nenhum dos esquemas e doses preconizados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) seja atrasado.
A falta de leitos pediátricos e o aumento de casos de síndromes gripais entre crianças e adolescentes representam uma preocupação crescente no estado do Amapá. As Sociedades Brasileira e Amapaense de Pediatria alertam para a necessidade urgente de ampliação dos recursos disponíveis para o atendimento adequado desses pacientes.
Além disso, destacam a importância da prevenção por meio de medidas de higiene e da vacinação, ressaltando que as vacinas desempenham um papel fundamental na proteção contra doenças graves. É fundamental que a população esteja consciente e tome as devidas precauções para proteger a saúde das crianças e evitar a propagação das síndromes gripais.