O ex-Secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Cristiano Beraldo, 44 anos, concorre nas Eleições 2022 à pré-candidatura do cargo de Deputado Estadual do Estado de São Paulo, apoiado pelo Movimento Brasil Livre (MBL).
Durante 23 anos, o político morou no RJ, estado em que nasceu e, depois, mudou-se para Campinas/SP, partindo para a capital do estado, em seguida.
Cristiano convive com o meio político desde pequeno. O irmão do seu bisavô, Delfim Moreira, foi Presidente da República e seu avô, Bilac Pinto, foi Deputado Federal, Presidente da Câmara dos Deputados e Ministro do Supremo Tribunal Federal. “A política sempre fez parte do meu cotidiano. Meu avô foi um político relevante na época dele e meu pai conviveu com figuras importantes, como Tancredo Neves e outras que frequentavam minha casa”, conta o pré-candidato, casado e pai de dois filhos, uma menina de três anos e um menino de seis.

“Eu sempre tive uma visão muito curiosa, interessada no meio político. Quando eu ingressei na faculdade, eu tinha vontade de ser candidato a vereador, mas meus pais me orientaram que primeiro eu precisava ter uma carreira e uma vida estabelecida, para depois me dedicar à vida política, sem precisar dela, e foi exatamente isso que aconteceu”, relata.
Beraldo, empresário há 15 anos, foi convidado por Paulo Marinho (PSDB) para trabalhar na campanha de Gustavo Bibiano para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Porém, em março de 2020 o político veio a falecer subitamente e então decidiram conduzir o apoio ao candidato Eduardo Paes, “entendendo que, dadas as circunstâncias, era o caminho possível para que o Rio saísse da dinâmica que estava com o Crivella”, conta o político.
Ao ganhar as eleições, Eduardo Paes convida Cristiano a assumir a Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, que é considerada a cidade turística mais importante da América Latina. “Fiquei honrado, achei que era uma oportunidade de contribuir com a cidade em que eu nasci e cresci, e aí aceitei”, explica.

Cristiano, porém, saiu da secretaria após seis meses, por não concordar com a forma em que o turismo era tratado no RJ. “Logo percebi que não havia uma preocupação efetiva em resolver os problemas da cidade em longo prazo. O RJ não era destino de nenhuma grande indústria, que seria um grande investimento para geração de emprego e renda e para movimentar a economia”, conta. Segundo o ex-secretário, o RJ dedicou um orçamento de apenas R$147 mil reais para investimentos na cidade turística, e ficou claro para ele que ali não havia compromisso com a cidade, mas sim com aqueles que faziam parte de um núcleo político que Cristiano jamais aceitou fazer parte.
“A minha dedicação à vida pública é de fato para tentar contribuir para um país melhor no futuro. Não vou ficar ali ‘puxando saco’ e nem fazendo nenhum tipo de encenação meramente para ter um cargo; isso não faz parte da minha formação, não faz parte da minha visão”, declara.
Quando Paes se filiou ao Partido Social Democrático (PSD), Beraldo afirma que ficou claro que o político queria iniciar um diálogo com os partidos de esquerda e que ele não tinha mais, então, como fazer parte de um governo que iria atuar daquela forma, se aproximando de Lula e de figuras que o pré-candidato não tinham nenhuma identidade.

Após sua saída da Secretaria de Turismo do RJ, Beraldo é convidado por Renan Santos a atuar ao lado do MBL, em São Paulo, para ajudar na campanha de Arthur Durval para governador de SP. A partir daí, “abriu espaço para eu ser pré-candidato dentro do MBL. Como eu vejo que eles têm uma atuação política muito aguerrida, muito sincera, transparente naquilo em que eles acreditam, que é uma visão para o Brasil que eu compartilho, então eu realmente abracei essa causa e vou disputar essa eleição, trabalhando nas pautas que eu realmente acho importantes para o Estado de São Paulo”, divide Cristiano.
Com uma presença forte nas mídias sociais, Beraldo possui em seu perfil do Instagram mais de 17 mil seguidores. O político diz que desde que sua atuação nas redes começou, ele foi estimulado a tratar de assuntos de interesse comum e interagir com o público do MBL, que é grande, em lives e encontros, e que passou a defender a sua visão sobre o poder público com a mesma firmeza e garra que defendia seu ponto de vista no ambiente privado.
Sobre a maneira firme e sem medo em que trata dos temas nas mídias sociais, Cristiano diz que as pessoas começaram a fazer cortes em vídeos e a chamar a atenção para as pautas que o político defendia. “Então não foi uma coisa planejada, mas é algo que se tornou mais visível a partir das redes sociais. Mas eu continuo achando que a gente precisa procurar o entendimento, o diálogo, o caminho mais sereno para resolver os problemas do Brasil e de São Paulo. Porém, também fica claro que não há nenhuma restrição da minha parte em ir para o embate. Ser educado, ser sereno, não significa ser covarde, andar de cabeça baixa, ao contrário; então, independente de darem muita atenção as minhas falas mais enfáticas, eu tenho plena consciência de que a briga não é o caminho para resolver os problemas, mas se a briga for inevitável vamos a ela”, declara.
Sobre a Assembléia Legislativa de São Paulo, Beraldo diz que por muito tempo esta se transformou em um cartório do Poder Executivo, não havendo fiscalização efetiva e de oposição e que os deputados rapidamente se compõem com o governo, sem exercer seu papel de ser fiscal do Executivo, de propor leis independentes e de defender valores de forma clara.

“Então o primeiro passo dessa nova legislatura que chegará à Assembleia no ano que vem, sobretudo por conta de uma possível mudança dessa dinâmica de poder no governo, é que ela tem que ter a sua independência, buscar seu propósito, seu valor, e o governo se acomodou enormemente ao longo dessas últimas décadas, porque não houve alternância de poder, e isso tem um efeito prático muito direto na administração pública”, divide o pré-candidato.
Segundo Cristiano, é inegável que São Paulo está há “anos luz” de outros estados no país, mas o político afirma que SP se acomodou, começou a olhar para a próxima eleição e não para a próxima geração, e a atividade parlamentar de um deputado estadual deve ser no sentido de propor esse preparo do estado para os próximos 30, 40, 50 anos.
“A gente precisa ter uma atuação parlamentar que consiga resgatar o foco das coisas que são efetivamente importantes. Não podemos simplesmente assistir uma organização criminosa como o PCC dominando cada vez mais áreas do estado, enquanto que a polícia vai se baseando numa estrutura completamente arcaica, ineficiente, para que os policiais tenham segurança na hora de executar seu próprio trabalho”, afirma.