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Analice Nicolau
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Brasil vai testar semana com apenas 4 dias de jornada de trabalho

Experiência vivenciada por empresa brasileiro mostra que houve impacto positivo na qualidade do trabalho

Analice Nicolau

24/05/2023 9h00

Já pensou em trabalhar apenas 4 dias na semana? Pois isso será possível no Brasil. Pelo menos durante uma iniciativa promovida pela organização 4 Day Week, que vai testar no país a semana com apenas 4 dias de jornada de trabalho.


O projeto funciona da seguinte forma. As empresas que demonstrarem interesse em participar receberão orientações da organizadora em um processo de mentoria. Entre setembro e dezembro, implementam a jornada reduzida. Não há pré-requisitos, como número mínimo de funcionários da empresa participante, que precisa apenas se cadastrar de forma online.


Segundo a 4 Day Week, o modelo a ser adotado é o 100-80-100: 100% do salário, trabalhando 80% do tempo e mantendo 100% da produtividade. A ideia é analisar indicadores como estresse da força de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, resultados financeiros e rotatividade.
No Brasil há exemplos de empresas que adotaram esse modelo de trabalho. É o caso da Efí, com sede em Ouro Preto-MG e especialista em recebimentos para pessoas físicas e jurídicas. Com escritórios em São Paulo, Belo Horizonte e Recife, a empresa implementou o sistema e completará 1 ano com este modelo no mês de junho.


“Era um velho sonho reduzir a jornada de trabalho. Eu sou muito disciplinado com os meus horários, então mesmo na posição que ocupo, eu sigo de segunda a sexta, horário comercial, e eu sempre senti falta de resolver assuntos do dia a dia. Às vezes é um carro que precisa levar para o mecânico, manutenção dentro de casa, uma roupa que você precisa comprar. Depois quando me tornei pai, aí o tempo ficou ainda mais escasso. Hoje com filho, a dedicação muda. Com isso, sempre tive vontade de liberar mais tempo para resolver as questões do dia a dia e trouxe a discussão pra dentro da empresa, tendo em vista que a empresa já é produtiva. Como o time entrega bem é mais uma forma de recompensá-los”, diz o CEO da Efí, Evanil Paula.


Evanil acrescenta que uma das vantagens foi a satisfação dos colaboradores. Ela afirma que 98% dos líderes consideraram que houve considerável ou alto impacto na satisfação no trabalho de seus liderados. Além disso, houve uma redução de 87% nos desligamentos voluntários. Outro ponto destacado pelo CEO, é a elevação da produtividade.


Um dos questionamentos sobre esse modelo de jornada de trabalho – já testado em países como Emirados Árabes, Reino Unido, Bélgica, Islândia, Suécia e Espanha – é a produtividade. Evanil Paula explica que na empresa os resultados foram positivos. “Uma amostra realizada com 50 líderes da empresa apontou que, em relação à produtividade, 94% consideraram que houve médio, considerável ou alto impacto positivo na qualidade do trabalho realizados pelas equipes”, afirma.


Diante de quase 1 ano de experiência, o CEO afirma que manter a jornada de trabalho reduzida está nos planos da empresa. “Por conta dos resultados positivos percebidos até aqui e do time seguir entregando bem mesmo com a redução da jornada, não temos pretensão de retornar ao antigo formato. Seguiremos apenas fazendo ajustes no que for necessário para mantermos a semana com 4 dias de trabalho”, finaliza Evanil.

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