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Depois de adotar bebê abandonado no hospital, apresentador gay quer adotar mais um filho e descarta outros métodos

O empresário, casado há mais de 20 anos com Louis Planès, conta o que mudou na vida do casal com a chegada do pequeno Vinícius

Por Analice Nicolau 12/05/2021 6h00
Depois de adotar bebê abandonado no hospital, apresentador gay quer adotar mais um filho e descarta outros métodos Benjamin Cano e Louis Planès. Foto: Laurence Guenoun

O Dia Nacional da Adoção é celebrado no dia 25 de maio. A data foi oficializada a partir do decreto de lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002 e tem o intuito de desmistificar o tema e fomentar um dos princípios mais importantes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): o direito da convivência familiar e comunitária com dignidade.

Adotar é um ato de coragem. Quem adota uma criança ou adolescente, não só cumpre o propósito de garantir o direito à família, mas ressignifica o amor, assim como fez o empresário e apresentador Benjamin Cano. Ele e o marido Louis Planès, franceses que vivem no Brasil há mais de 10 anos, entraram com a habilitação na Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro. Durante um ano, participaram de encontros com psicólogos e assistentes sociais para obter um estudo da condição familiar.

Depois de aprovados, aguardaram dois anos com imensa expectativa, acompanhando de perto o processo junto à Vara da Infância e da Juventude para saber se havia uma criança disponível para o casal. Até que um dia receberam a aguardada ligação de uma juíza carioca, informando que uma colega, também juíza, de Ilhéus, Bahia, estava com um caso de um recém-nascido prematuro de 5 meses sem pretendentes.

O pequeno Vinícius havia nascido na rua com apenas 900 gramas. Foi reanimado na ambulância do SAMU e abandonado no hospital. A mãe biológica não chegou a ficar nem três horas com o bebê.

Benjamin Cano e o marido Louis Planès, franceses que vivem no Brasil há mais de 10 anos, entraram com a habilitação na Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro para a adoção do pequeno Vinicius. Foto: Laurence Guenoun

Imediatamente eles se interessaram e foram até a Bahia. Ali começou a conexão do casal com Vinicius. O bebê, já com dois meses e meio de vida, teve alta da UTI um dia após a ligação da juíza, quando os novos pais foram buscá-lo na maternidade. Era dia 11 de maio de 2017. Naquela época, a nova família teve de permanecer na Bahia por três semanas, pois Vinicius estava tão magro que a pediatra não autorizou a viagem de avião para o Rio.

Benjamin falou sobre o tema. Ele afirma que a adoção deveria ser mais incentivada para que não houvesse mais nenhuma criança em abrigo.

“Adotar é um ato de amor. As crianças nos abrigos merecem amor e uma família que vai dar um lar para eles. Então, por favor, vá se habilitar e entrar na fila. Em 2021, não deveria ter sequer uma única criança em abrigo. Deveria ser uma causa nacional”, pontua.

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Atualmente, Vinícius tem quatro anos e pede um irmão. O casal está na fila para um novo filho há quatro anos. Apesar da demora no processo, eles não pensam em outros métodos para ter um filho, como barriga solidária ou até de aluguel.

“Jamais. Tem tantas crianças para serem adotadas! O nosso projeto é realmente apenas a adoção. Já conversamos bastante sobre todas as possibilidades de sermos pais e a única que faz sentido para Louis e eu e de adotar”, enfatiza.

Benjamin conta o que mudou na vida dele e de Louis depois que passaram a ser pais de Vinícius:

Atualmente, Vinícius tem quatro anos e pede um irmão. O casal está na fila para um novo filho há quatro anos. Apesar da demora no processo, eles não pensam em outros métodos para ter um filho, como barriga solidária ou até de aluguel. Foto: Laurence Guenoun

“Tudo mudou: a rotina, a alegria, a vida do casal em si, os projetos pelo futuro, o jeito de se projetar, a forma de pensar a vida, porque você inclui o ser humano a mais, que é seu filho”.

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Muitos casais adotantes têm medo de que um dia a criança procure os pais biológicos. Benjamin não teme isto e inclusive irá apoiar o menino caso ele queira conhecer a sua família biológica.

“Se um dia Vinícius quiser encontrar a mãe dele, porque o pai está desconhecido, ajudaremos ele. Estaremos junto com ele em todas as etapas. Guardamos todas as informações da mãe biológica dele para que, caso ele quisesse ter acesso, ele teria. Não temos problemas com isso. Somos a família dele, não tenho dúvida”, afirma.

Benjamin diz que, apesar da pouca idade de Vinícius, ele já conversou com a criança sobre adoção.

“Desde que ele chegou bebê na casa da gente, estamos falando da sua adoção. Óbvio, em função das idade, com palavras e histórias adequadas. Ontem , 11 de maio, foi o dia da chegada dele em casa. Nessa data, temos uma comemoração em casa para lembrar a chegada dele e ele recebe um presentinho”, finaliza.

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