A diretora de conteúdo da Bett Brasil defende a liderança socioemocional para apoiar os gestores na era digital
A integração da inteligência artificial no ecossistema educacional brasileiro avança em ritmo acelerado, mas expõe gargalos operacionais e humanos significativos nas instituições de ensino. Segundo dados da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, 43% dos professores do Ensino Fundamental e Médio no país, o equivalente a cerca de 1 milhão de docentes, já utilizam inteligência artificial generativa para a elaboração de conteúdos didáticos, com maior frequência entre profissionais mais jovens, de redes privadas e zonas urbanas. No entanto, essa rápida transformação tecnológica ocorre em paralelo a um cenário crítico de saúde mental no setor: levantamentos do Inep indicam que 62% dos docentes relatam estresse e ansiedade frequentes, enquanto um estudo da UFPR aponta que 47% dos profissionais da educação apresentam sintomas moderados de esgotamento e 77,2% já consideraram abandonar a carreira devido à sobrecarga de trabalho.
Posicionada no epicentro dos debates sobre o futuro da aprendizagem na América Latina, a especialista em inovação e diretora de conteúdo da Bett Brasil, Adriana Martinelli, acompanha de perto essa transição nas redes públicas e privadas. O tema ganhou relevância central na edição de 2026 do evento, que reuniu mais de 47 mil educadores e especialistas, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior, e reuniu mais de 270 expositores em torno do uso responsável da tecnologia e da preservação da saúde emocional. Para a executiva, a profusão de dados e ferramentas automatizadas exige que mantenedores e diretores adotem uma governança humanizada, capaz de acolher as equipes pedagógicas e impedir que a aceleração digital intensifique o esgotamento dos profissionais.
A humanização da liderança surge como o diferencial estratégico para mantenedores e diretores que buscam sustentar o acolhimento das equipes em meio à inundação de dados no cotidiano escolar. Ao analisar o equilíbrio entre automação e presença interpessoal, a executiva pontua que “a Inteligência Artificial otimiza o tempo e nos entrega dados valiosos, mas ela não substitui a sensibilidade de um olhar atento. O grande desafio dos diretores e coordenadores hoje é justamente não se perderem no excesso de telas e dados, resgatando o espaço para o diálogo real, olho no olho. As escolas mais inovadoras não serão aquelas que apenas utilizam mais tecnologia, mas, sim, as que usam a tecnologia para liberar tempo para as pessoas”, defende Adriana Martinelli. Com essa perspectiva, o posicionamento reforça que a verdadeira inovação escolar depende da capacidade dos gestores em priorizar o diálogo e a escuta ativa sobre a mera automação de processos.

Essa mudança de paradigma exige que a formação continuada de educadores e gestores supere o treinamento exclusivamente técnico e contemple o desenvolvimento de competências socioemocionais sólidas. Conforme indicam os estudos qualitativos do Cetic.br, embora a tecnologia seja vista por diretores e coordenadores como uma ferramenta de apoio para otimizar tarefas administrativas e personalizar o ensino, o Brasil ainda vivencia um estágio inicial de implementação, marcado por experiências pontuais e lacunas em infraestrutura, capacitação e regulação. Sem o devido suporte institucional e emocional às equipes para lidar com essa assimetria, o avanço das ferramentas digitais corre o risco de acentuar a insegurança dos educadores em vez de impulsionar os índices de aprendizagem.
A construção de um ecossistema escolar resiliente depende de líderes capazes de acolher as vulnerabilidades do corpo docente e promover a confiança mútua em tempos de profunda transição. Detalhando as habilidades indispensáveis para os gestores da nova era educacional, a especialista pondera que “inovação sem autoconhecimento é vazia. Quando olhamos para a gestão escolar, liderar equipes no século XXI exige escuta ativa e vulnerabilidade. Precisamos apoiar os educadores para que eles se sintam seguros diante do novo. O papel da liderança é criar ambientes de confiança mútua onde o erro faça parte do processo de evolução, algo que nenhuma máquina é capaz de simular”, afirma Martinelli. Essa visão evidencia que o fortalecimento institucional não decorre do uso isolado de novas ferramentas, mas do constante desenvolvimento humano e emocional dos profissionais.
A tese defendida pela especialista funciona como um direcionamento estratégico para investidores, formuladores de políticas públicas e diretores que buscam longevidade no ecossistema educacional. Utilizar a inteligência artificial para simplificar a burocracia pedagógica, mantendo a empatia e a ética no centro do projeto pedagógico, é o único caminho para sustentar um ensino de excelência. A tecnologia deixa de ser vista como um fim absoluto e passa a figurar como um catalisador de tempo de qualidade para as relações interpessoais nas escolas.
A atuação de Adriana Martinelli no comando de conteúdo da Bett Brasil consolida sua autoridade na antecipação das pautas que moldam o futuro da educação no país. Ao conectar a maturidade tecnológica ao desenvolvimento emocional das equipes, a executiva aponta que a inovação pedagógica não será determinada pela sofisticação dos algoritmos, mas pela capacidade da liderança em cuidar de pessoas. Em um cenário de profunda transformação digital, as instituições que assumirão o protagonismo do mercado serão aquelas que equilibrarem a alta eficiência computacional com o acolhimento humano.