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Red Bull em erosão

Saídas em série, incertezas internas e pressão regulatória colocam em xeque a hegemonia recente da equipe austríaca

João Luiz da Fonseca

20/04/2026 9h40

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Entre reestruturação e incertezas, a Red Bull – que recentemente ditava as regras da Fórmula 1 – agora está derretendo internamente, em um dos momentos mais instáveis de sua trajetória

jluizfonseca@uol.com.br

A Red Bull Racing atravessa um momento de turbulência que vai muito além da queda de desempenho nas pistas. Acostumada a impor o ritmo da Fórmula 1 nos últimos anos, a equipe austríaca enfrenta agora uma silenciosa — porém consistente — erosão em sua estrutura técnica e operacional. Esse processo pode ganhar um novo capítulo com a possível saída de Hannah Schmitz.

Reconhecida como uma das mentes mais brilhantes do pit wall, Schmitz desempenha papel central nas decisões estratégicas e que muitas vezes definiram corridas decisivas. Sua eventual saída, mencionada pelo ex-mecânico Kenny Handkammer, acende um alerta relevante: a Red Bull pode estar perdendo não apenas nomes, mas capital intelectual e coesão interna.

Debandada estrutural

O movimento não é isolado. Nos últimos anos, a equipe viu partir figuras-chave que ajudaram a construir sua era dominante. Entre elas, destaca-se Adrian Newey, considerado o principal arquiteto dos seus carros campeões.

Também a saída de Christian Horner, destituído do cargo em julho de 2025 após duas décadas no comando, simbolizou outra ruptura significativa. Oficializada por meio de um acordo milionário, a decisão procurou conter tensões internas e preservar a permanência de Max Verstappen, com Laurent Mekies assumindo o posto de chefe de equipe.

A lista de baixas inclui ainda nomes estratégicos como os de Jonathan Wheatley, Rob Marshall e Will Courtenay — todos peças relevantes na engrenagem que sustentou o domínio recente.

Outro golpe importante já tem data para se concretizar: Gianpiero Lambiase deixará a equipe ao fim de 2027 para assumir um cargo de liderança na McLaren. Parceiro direto de Verstappen desde 2016, Lambiase foi peça-chave nos quatro títulos mundiais do piloto holandês.

A sucessão dessas saídas levanta dúvidas legítimas sobre a estabilidade interna e a capacidade da Red Bull de sustentar sua vantagem competitiva em um cenário técnico cada vez mais exigente.

Pressão externa e incertezas

Apesar de ainda contar com recursos robustos e uma base técnica relevante, o acúmulo de mudanças indica uma organização em transição — seja por disputas internas, oportunidades no paddock ou desgaste natural após anos de domínio.

O cenário se agrava com a crescente insatisfação de Verstappen em relação ao novo regulamento técnico introduzido este ano. O risco de uma eventual saída do tetracampeão, aí da que não imediato, adiciona uma camada extra de instabilidade ao projeto esportivo da equipe.

Reestruturação
como resposta

Em meio às incertezas, a Red Bull iniciou uma reconfiguração interna com foco em desempenho e integração técnica. Ben Waterhouse, na equipe desde 2017, foi promovido a engenheiro-chefe de desempenho e design, passando a responder ao diretor técnico Pierre Wache.

A proposta é clara: unificar áreas-chave para acelerar o desenvolvimento do carro e recuperar competitividade. Em paralelo, Andrea Landi, vice-diretor técnico da equipe irmã Racing Bulls, chega em julho como chefe de desempenho, reforçando o movimento de valorização interna.

Em comunicado, a Red Bull destacou: “Estas mudanças apoiam as ambições técnicas de longo prazo da equipe e refletem o seu foco contínuo no desenvolvimento de talentos internos, ao mesmo tempo que atraem especialistas de ponta de todo o esporte.” Ou seja, os resultados imediatos não acompanham o discurso.

Após três corridas na nova era regulatória, a Red Bull ocupa apenas a sexta posição no Mundial de Construtores, 119 pontos atrás da líder Mercedes.

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