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Alta Velocidade
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O Fiasco de Madring?

O novo traçado impressionou pela infraestrutura, pelo público e por trechos visualmente espetaculares

João Luiz da Fonseca

14/09/2026 16h05

sem título

Traçado asfixiante anula ultrapassagens, torna estreia monótona e força reforma urgente para salvar GP da Espanha (F1)

A estreia do circuito Madring no Grande Prêmio da Espanha marcou uma nova era para a Fórmula 1 em Madri. Mas, além disso, deixou uma pergunta incômoda no ar: terá a categoria criado um belo cenário, mas esquecido de construir uma boa pista de corrida?

O novo traçado impressionou pela infraestrutura, pelo público e por trechos visualmente espetaculares. No entanto, quando as luzes se apagaram, o que se viu foi bem menos empolgante. A corrida foi marcada pela dificuldade de ultrapassagens, transformando a maior parte das 57 voltas em um desfile de posições praticamente congeladas.

E não foi essa apenas a impressão de quem assistiu das arquibancadas ou pela televisão. Os próprios pilotos fizeram questão de colocar o dedo na ferida.

Gabriel Bortoleto, que terminou a prova em 13º, depois de andar boa parte em nono lugar, resumiu a frustração ao comentar o impacto do Safety Car Virtual sobre sua estratégia: “A pista impossibilitou qualquer reação”, lamentou o brasileiro. “Eu tinha ritmo, mas o circuito simplesmente bloqueia o espetáculo. Você fica preso em um trenzinho e não há o que fazer além de seguir o carro da frente. Tivemos azar com o Virtual Safety Car, o que praticamente atrapalhou nossos planos, e depois disso nada mais aconteceu até o final da corrida. Não havia muito mais que pudéssemos fazer a partir dali”.

Mais direto ainda foi Kimi Antonelli. Mesmo tendo vencido a prova, o prodígio da Mercedes concordou que a corrida foi monótona. “Foi uma corrida chata; foi chato para vocês também que estavam assistindo?”, indagou. “Para a gente foi a mesma coisa lá dentro, não teve muita movimentação, nem ultrapassagem”, completou o italiano.

Outros pilotos também se uniram ao coro. Max Verstappen e George Russell questionaram o desenho das zonas de frenagem, enquanto Oliver Bearman revelou que os pilotos haviam conversado com a FIA já na sexta-feira. A avaliação era unânime: Madring é um circuito interessante, mas a falta de oportunidades de ultrapassagem transforma essa qualidade em um problema quando chega a hora da corrida.

Verstappen foi especialmente contundente ao avaliar a possibilidade de ataques. Para o holandês, o traçado não cria oportunidades reais e, em muitos pontos, uma tentativa de ultrapassagem pode terminar em contato.

Nesse aspecto técnico, Antonelli também teve experiência prática ainda na largada. Ao comentar a segunda chicane, observou que, se tivesse virado naquele ponto durante a disputa com Lando Norris, os dois poderiam ter se tocado e até batido no muro, bloqueando a pista. Não é exatamente o tipo de cenário que se espera de uma pista moderna de Fórmula 1.

E Norris foi além das críticas: apresentou uma solução. Para o piloto da McLaren, as curvas 18 e 19 poderiam simplesmente desaparecer, dando lugar a uma reta maior até um hairpin (curva mais lenta e bem fechada em formato de U). “Acho que há algumas mudanças óbvias que eles deveriam fazer”, afirmou.

No papel, Madring tinha argumentos para oferecer boas disputas. O projeto reúne retas, curvas de alta velocidade, fortes frenagens e a inclinação da La Monumental entre as atrações, dentro da promessa de um circuito moderno.

Na prática, porém, a primeira corrida mostrou que uma pista pode ter todos esses ingredientes no desenho e ainda assim não entregar o espetáculo esperado quando os carros entram em ritmo de competição.

E o problema se torna ainda mais evidente quando a comparação chega a Mônaco — justamente o circuito que há décadas simboliza a dificuldade de ultrapassar na Fórmula 1. Se uma pista recém-construída, concebida com toda a tecnologia disponível, começa a ser comparada à etapa monegasca, alguma coisa saiu do lugar.

Reformas à vista

Fora da pista, entregou. Dentro dela, ficou devendo. Por isso, o circuito que acaba de nascer nem terá muito tempo para conviver com seus defeitos originais, pois já está sendo repensado depois de apenas uma corrida.

Segundo apuração do portal The Race, três setores do traçado já estão na mira de mudanças para 2027.

Na Curva 5, a proposta é ampliar a entrada e alterar a geometria da aproximação para permitir que dois carros disputem espaço antes da frenagem. Na Curva 13, a intenção é reforçar a possibilidade de ataque com uma desaceleração mais significativa. E, na Curva 20, o objetivo é abrir o trecho final para criar uma nova oportunidade de ultrapassagem.

Afinal, Madring nasceu para ser um novo palco da Fórmula 1 – e não apenas um belo cenário para corridas sem ultrapassagens.

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