A escalada dos conflitos bélicos no Oriente Médio não tardou a cobrar seu preço em relação ao esporte a motor global. Com a segurança comprometida na região do Golfo Pérsico, a Fórmula 1 e a FIA se viram obrigadas a rasgar o planejamento original e traçar uma verdadeira força-tarefa logística para salvar a temporada. O resultado foi uma reviravolta que devolve a categoria a circuitos velhos conhecidos e coloca em xeque a reta final do campeonato.
O Bahrein é logo
alí… na Malásia
Originalmente agendado para abril em Sakhir, o Grande Prêmio do Bahrein foi varrido do mapa do Oriente Médio por questões de segurança. Contudo, para preservar acordos comerciais, direitos de transmissão e compromisso com patrocinadores, a solução encontrada foi criativa: o GP do Bahrein será na Malásia.
A mudança foi oficialmente confirmada pela FIA e F1, com o reino do Golfo arcando com os custos principais.
Na prática, os carros voltarão a roncar no saudoso Circuito Internacional de Sepang, que não recebe a categoria desde 2017. Portanto, mais da metade do atual grid nunca correu nesta pista. Leclerc, Russell, Norris, Albon, Piastri, Lawson, Antonelli, Hadjar, Bearman, Bortoleto, Colapinto e Lindblad farão sua estreia no autódromo malaio, conhecido por favorecer disputas, exigir muito dos pneus e colocar pilotos e equipes à prova devido ao calor intenso e à elevada umidade.
O GP do Bahrein na Malásia tem como data já agendada para o fim de semana de 2 a 4 de outubro, com largada programada para às 4h do domingo no horário de Brasília.
Final na Europa?
Se o cenário no Golfo continuar instável, o impacto pode ser ainda maior nas derradeiras etapas do ano. Stefano Domenicali, CEO da categoria, confirmou que a F1 monitora a situação de perto e estipulou meados de setembro como o prazo limite para tomar uma decisão drástica sobre o cancelamento do GP do Catar, em 29 de novembro, e do GP de Abu Dhabi, em 6 de dezembro.
Caso o martelo seja batido, a solução será fechar o ano em solo europeu, tendo Ímola, na Itália, como a favorita nos bastidores para abrigar a grande final, por possuir infraestrutura pronta, homologação recente e experiência em substituir etapas em situações emergenciais. Portimão, Barcelona e Hockenheim também figuram entre as opções analisadas.
A possibilidades de uma rodada dupla nos Estados Unidos foi totalmente descartada, de modo que, se o circo voltar para a Europa, o calendário encolherá de 24 para 22 etapas.
O alerta de Steiner
Apesar da mobilização da F1, a ideia de terminar o campeonato na Europa em pleno fim de ano gera calafrios em quem conhece o paddock por dentro. O carismático ex-chefe da Haas, Guenther Steiner, fez coro contra a medida ao participar do podcast Red Flags, lembrando que improvisar com pouco tempo de preparação é um luxo para poucos autódromos.
Para Steiner, uma mudança para a Europa em novembro e dezembro esbarra em um obstáculo intransponível que une clima adverso e finanças, já que correr em solo europeu nessa época do ano traz riscos meteorológicos gigantescos e ainda precisa fazer sentido financeiro para as equipes que dependem do retorno do negócio.
Com os motores prestes a voltar a rugir em Sepang, a Fórmula 1 vive semanas decisivas nos gabinetes, e uma das maiores reorganizações de calendário da categoria.
A atual temporada está deixando evidente que, fora das pistas, geopolítica, diplomacia e logística podem ser tão decisivas quanto estratégia, acerto aerodinâmico e desempenho dos carros.