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Mercedes vê rivais encurtarem a distância 

McLaren conquista a primeira vitória do ano, Ferrari confirma evolução e ambas recolocam a luta pelos títulos em aberto

João Luiz da Fonseca

27/07/2026 16h26

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Foto: Antoine Lapeyere/Jornal de Brasília

A hegemonia da Mercedes já não parece tão inabalável quanto no início da temporada. Depois de dominar a primeira metade do campeonato, a equipe alemã chega às férias da Fórmula 1 vendo Ferrari e McLaren reduzirem a diferença e transformarem a disputa pelos títulos em uma batalha aberta para a reta final de 2026.

Líder dos Mundiais de Pilotos e Construtores, a equipe de Brackley segue sustentada pelo desempenho consistente de Andrea Kimi Antonelli e George Russell. No entanto, as evoluções apresentadas pelas rivais diretas nas últimas etapas mudaram o equilíbrio de forças e recolocaram as duas equipes definitivamente na disputa pelos títulos. 

A vitória dominante de Lando Norris no GP da Hungria — a primeira da McLaren na temporada —, aliada ao crescimento técnico da Ferrari, reduziu a vantagem da Mercedes no Mundial de Construtores, tornou o cenário bem diferente daquele visto nas primeiras corridas do ano e

elevou a expectativa para a reta decisiva do campeonato.

Durante a primeira fase da temporada, a Mercedes construiu sua liderança graças ao excelente entendimento do novo regulamento técnico. O W17 mostrou superioridade principalmente na eficiência do sistema híbrido, permitindo à equipe abrir vantagem enquanto Ferrari e McLaren ainda buscavam compreender o comportamento dos novos carros e solucionar problemas de desempenho e confiabilidade.

A virada começou a se desenhar após o intervalo de 33 dias no calendário, provocado pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, período em que as equipes tiveram tempo para acelerar a introdução de importantes pacotes de atualização. Desde então, passaram a reduzir a diferença tanto em classificação quanto em ritmo de corrida.

McLaren confirma evolução

“A McLaren Mastercard F1 deixa a Hungria com sua primeira vitória do ano e a certeza de estar no caminho certo para o sucesso”, escreveu a equipe em seu site oficial.

De fato, o time parece ter encontrado o acerto do MCL40. O carro voltou a ser competitivo em diferentes características de circuito. Norris converteu a pole position em uma vitória incontestável na Hungria e Oscar Piastri, antes do abandono por problema mecânico, também brigava pelas primeiras posições, reforçando que a equipe voltou a ter velocidade suficiente para desafiar a Mercedes.

“Meu ritmo foi provavelmente um dos melhores que já tive. O carro estava ótimo de pilotar e eu me senti confiante; então foi uma ótima corrida”, afirmou Norris.

“Talvez este seja o melhor resultado possível por enquanto, mas acredito firmemente que ainda podemos vencer mais corridas. Eu sabia que isso ia acontecer. A equipe se dedicou para construir um carro que finalmente pudesse vencer. É gratificante poder fazer isso por eles”, acrescentou.

Na Ferrari, embora Charles Leclerc tenha terminado em quarto e Lewis Hamilton em quinto, a equipe reconheceu que o resultado ficou abaixo do potencial do SF-26. Ainda assim, o fim de semana reforçou a evolução do carro e mostrou um time cada vez mais próximo da Mercedes.

Hamilton, que perdeu a chance de subir ao pódio após receber uma penalidade de cinco segundos por exceder em apenas 0,1 km/h o limite de velocidade no pit lane, preferiu destacar os avanços obtidos ao longo da temporada.

“Sou muito grato a todos pelo trabalho que realizaram na primeira metade da temporada. Fizemos progressos reais e o carro estava bom novamente neste fim de semana, o que é muito positivo”, ressaltou após a etapa na Hungria .

Também mostrando sinais claros de crescimento, a Ferrari passou a disputar regularmente as primeiras filas do grid e demonstrou um ritmo muito mais consistente nas últimas provas. Mesmo ainda buscando maior regularidade operacional, o desempenho recente confirma que a equipe italiana é uma candidata real às vitórias.

Liderança ameaçada?

Apesar da reação das adversárias, a Mercedes ainda mantém uma vantagem importante e segue como a única equipe que colocou pelo menos um de seus pilotos no pódio em todas as etapas da temporada.

Antonelli administra uma confortável liderança no Mundial de Pilotos, com 219 pontos, seguido por Lewis Hamilton, com 169, e George Russell, com 160. Entre os construtores, a Mercedes soma 379 pontos, contra 307 da Ferrari e 220 da McLaren.

Ainda assim, a diferença já não transmite a mesma sensação de domínio absoluto vista nas primeiras etapas. Após a Hungria, a vantagem da Mercedes para a Ferrari caiu para 72 pontos, evidenciando que a disputa voltou a ganhar intensidade.

O cenário para a segunda metade da temporada aponta para o campeonato mais equilibrado desde a introdução do novo regulamento técnico. A Mercedes continua como a equipe a ser batida, mas McLaren e Ferrari demonstram que encontraram o caminho do desenvolvimento e chegam à reta final com condições reais de disputar vitórias — e também os dois campeonatos — até as últimas etapas de 2026.

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