A Fórmula 1 não dá trégua. Após a eletrizante vitória de George Russell pelas ruas de Baku, o circo desembarca no Sudeste Asiático para uma das etapas mais peculiares da história recente da categoria.
O cenário do próximo fim de semana é o lendário Circuito Internacional de Sepang, mas o letreiro oficial estampa a etapa como sendo o Grande Prêmio do Bahrein, já que os organizadores de Sakhir seguem operando os bastidores financeiros da prova, ainda que a ação real aconteça no asfalto malaio, marcando o retorno de uma pista icônica após nove anos de ausência.
É uma volta aguardada. Fora do calendário desde 2017, Sepang retorna com seus 5,543 km e 16 curvas; e a grande questão é saber se a Mercedes conseguirá sustentar o ritmo apresentado em Baku ao trocar os muros espremidos e as longas retas do Azerbaijão por uma pista permanente, larga e de alta exigência aerodinâmica.
Em Baku, a equipe mostrou novamente força em classificação e corrida, mas Sepang apresenta outro tipo de desafio: curvas de raio longo, forte demanda lateral sobre os pneus, altas temperaturas e possibilidade de chuva tornam o gerenciamento térmico e o equilíbrio do carro ainda mais importantes.
Do outro lado, a Red Bull deixou Baku com sinais positivos, com o segundo lugar de Verstappen – que chegou colado em Russell -, e com Isack Hadjar completando o pódio.
O holandês, porém, enfrentou problemas de unidade de potência durante o fim de semana, o que aumenta a pressão sobre a equipe para evitar novas complicações nas próximas etapas.
Pesadelo para os engenheiros
Para este fim de semana, a guerra das atualizações ganha um capítulo crucial. A Ferrari, que sofreu com o ritmo de corrida no Azerbaijão, aposta em atualizações na sua unidade de potência usando as brechas do sistema ADU da FIA.
A Red Bull tenta refinar o mapa aerodinâmico para mitigar o desgaste de pneus traseiros, enquanto a Mercedes leva pequenos retoques nos sidepods para lidar com o ar rarefeito e úmido de Sepang.
E as questões técnicas não param por aí. As equipes precisam encontrar o ponto ideal entre carga aerodinâmica, velocidade de reta e preservação dos pneus em um circuito que não perdoa carros desequilibrados.
E há outro ingrediente: experiência. Para parte significativa do grid atual, Sepang será território inédito. Nomes como o líder do campeonato Andrea Kimi Antonelli, Oscar Piastri, Lando Norris e o brasileiro Gabriel Bortoleto, entre outros, farão suas estreias no traçado,
Para Franco Colapinto, o desafio será ainda maior. O argentino carregará uma punição de cinco posições no grid, aplicada pelo incidente em Baku que terminou com o abandono de Norris, do próprio piloto e de seu companheiro na Alpine, Pierre Gasly.
Depois de nove anos fora do calendário, Sepang retorna justamente em um momento decisivo da temporada. Se Baku exigiu velocidade e sobrevivência entre os muros, a Malásia será um teste de consistência, eficiência e resistência.