Eduardo Sodré
folhapress
O primeiro carro da Leapmotor foi lançado na China em 2019. De lá até 2025, foram vendidas 1,2 milhão de unidades de diferentes modelos. É um ganho de escala impressionante, mas que parece trivial quando narrado pelos chineses.
Alan Li, responsável pelo planejamento de produtos da marca, disse que 597 mil unidades foram comercializadas no ano passado, o que mostra o avanço recente. Em 2026, o objetivo é alcançar 1 milhão de emplacamentos mundo afora. O Brasil aparece em destaque nesta estratégia global.
Durante visita à sua sede, em Hangzhou, a empresa apresentou novos carros que devem chegar ao Brasil. Um deles é o sedã médio B01, 100% elétrico. Com 204 cv de potência e autonomia para rodar 650 km no ciclo chinês —mais otimista que o padrão adotado no Brasil—, o modelo seria um concorrente para os híbridos Toyota Corolla e BYD King.
Entre os SUVs compactos, a solução proposta pela Leapmotor é o A10, que já aparece em registros do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).
Com 4,27 metros de comprimento e cerca de 500 km de autonomia no padrão chinês, o utilitário esportivo a bateria terá como concorrentes diretos modelos como o BYD Yuan Pro (R$ 182.990) e o Chevrolet Spark EV (R$ 144.990).
Tanto o B01 como o A10 devem custar menos do que os modelos oferecidos hoje pela Leapmotor no Brasil. A opção mais em conta é o recém-lançado SUV médio elétrico B10, que parte de R$ 182.990. De maior porte, o C10 é oferecido em versões puramente a bateria (R$ 204.990) e com extensor de alcance a combustão (R$ 219.990).
Chamada REEV (sigla em inglês para veículos elétricos com extensor de autonomia), a tecnologia consiste em um um motor a gasolina que funciona apenas como gerador para recarregar a bateria.
Os modelos disponíveis atualmente pela Leapmotor serão produzidos no Brasil a partir de 2027 em Goiana (PE) —a marca chinesa é associada ao grupo Stellantis, que produz modelos das marcas Jeep, Fiat e RAM na unidade pernambucana.
Com a nacionalização, o extensor de alcance vai se tornar flex, utilizando motores turbo da linha Firefly.
Os planos da marca para o Brasil incluem também SUVs de porte grande. O C16 está confirmado para o próximo ano, enquanto o D19, que acaba de ser apresentado na China, faz parte dos estudos de viabilidade para o mercado nacional.
Caso a marca chinesa decida pela importação, o D19 vai disputar mercado em uma faixa de preço próxima dos R$ 400 mil. Com seis assentos individuais e 4,91 metros de comprimento, o modelo traz 23 alto-falantes e deve ser equipado com o extensor de alcance.