Depois de uma pré-temporada marcada por discursos cautelosos e tempos discretos nas tabelas de classificação, a Mercedes mostrou que guardava muito mais cartas na manga.
Se a postura reservada levantou dúvidas no paddock, bastaram as primeiras corridas do campeonato para que a narrativa mudasse completamente.
Nas pistas, o desempenho da equipe tem sido dominante. Com um motor potente e de alta performance em curvas lentas, médias e rápidas, o W17 tornou-se o carro a ser batido, o que fez Lewis Hamilton trazer à tona uma teoria para explicar a vantagem técnica de sua ex-equipe: a ressurreição do lendário “modo festa”.
O termo, popularizado pelo próprio Hamilton durante o domínio da Mercedes na década passada, refere-se a um ajuste extremo do motor utilizado exclusivamente no Q3 para extrair potência máxima em uma única volta.
Embora o regulamento tenha se tornado mais rígido ao longo dos anos, o britânico sugere que os engenheiros de Brackley encontraram uma forma de replicar esse salto de performance nas novas regras de 2026.
Enquanto os rivais sofrem com a entrega linear de potência, as “Flechas de Prata” parecem ter um fôlego extra guardado para os minutos finais do treino classificatório.



A aposta certa
Além de contar com esse diferencial na recuperação e entrega de energia elétrica da nova unidade de potência, o sucesso da Mercedes inclui a validação da aposta em um jovem talento para a difícil missão de substituir o heptacampeão Lewis Hamilton, que se transferiu para a Ferrari no início de 2025.
A então duvidosa escolha para a vaga ao lado de George Russell ganhou, no último fim de semana, sua grande confirmação nas pistas. O italiano Kimi Antonelli, de apenas 19 anos, conquistou a primeira vitória na Fórmula 1, após cravar também uma histórica pole position em Xangai.
O triunfo do novato, que puxou a dobradinha da equipe, com Russell em segundo no pódio, marcou um momento simbólico para o time de Brackley, após mais de uma década construída em torno de Hamilton — um dos maiores nomes da história da categoria.
“Muitos duvidaram dele, dizendo que era cedo demais, que ele não tinha a calma necessária, e Kimi provou que todos estavam errados. Este é apenas o começo para ele; ele manterá os pés no chão e continuará trabalhando duro”, destacou Toto Wolff, Diretor de Equipe e CEO da Mercedes.
“Esta vitória é a realização de um sonho que tenho desde que pilotei um kart pela primeira vez. Foi um momento muito especial para todos nós”, disse Antonelli, que ficou a apenas uma volta de conquistar o Grand Slam já em sua primeira vitória na carreira.
Ele liderou todas as voltas, exceto a primeira, na qual justamente Hamilton foi o mais rápido.
O campeonato está apenas começando, mas o primeiro triunfo de Kimi entra para a história como o capítulo inicial de uma carreira que promete ser uma das mais marcantes da nova geração da Fórmula 1.
E se o restante do grid ainda busca respostas para acompanhar o ritmo do W17, a Mercedes segue ampliando sua vantagem e dissipando qualquer tipo de dúvida ao mostrar que iniciou a temporada um passo à frente.