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Alta Velocidade
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Cartas na mesa e aposta certa

Mercedes agora mostra as cartas ao ditar o ritmo da temporada da Fórmula 1, provando ainda que fez a aposta certa ao promover jovem talento

João Luiz da Fonseca

16/03/2026 12h54

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Antonelli valida a opção ousada da Mercedes, que mostra ainda superioridade técnica e ritmo invejável com o novo W17

Depois de uma pré-temporada marcada por discursos cautelosos e tempos discretos nas tabelas de classificação, a Mercedes mostrou que guardava muito mais cartas na manga.

Se a postura reservada levantou dúvidas no paddock, bastaram as primeiras corridas do campeonato para que a narrativa mudasse completamente.

Nas pistas, o desempenho da equipe tem sido dominante. Com um motor potente e de alta performance em curvas lentas, médias e rápidas, o W17 tornou-se o carro a ser batido, o que fez Lewis Hamilton trazer à tona uma teoria para explicar a vantagem técnica de sua ex-equipe: a ressurreição do lendário “modo festa”.

O termo, popularizado pelo próprio Hamilton durante o domínio da Mercedes na década passada, refere-se a um ajuste extremo do motor utilizado exclusivamente no Q3 para extrair potência máxima em uma única volta.

Embora o regulamento tenha se tornado mais rígido ao longo dos anos, o britânico sugere que os engenheiros de Brackley encontraram uma forma de replicar esse salto de performance nas novas regras de 2026.

Enquanto os rivais sofrem com a entrega linear de potência, as “Flechas de Prata” parecem ter um fôlego extra guardado para os minutos finais do treino classificatório.

A aposta certa

Além de contar com esse diferencial na recuperação e entrega de energia elétrica da nova unidade de potência, o sucesso da Mercedes inclui a validação da aposta em um jovem talento para a difícil missão de substituir o heptacampeão Lewis Hamilton, que se transferiu para a Ferrari no início de 2025.

A então duvidosa escolha para a vaga ao lado de George Russell ganhou, no último fim de semana, sua grande confirmação nas pistas. O italiano Kimi Antonelli, de apenas 19 anos, conquistou a primeira vitória na Fórmula 1, após cravar também uma histórica pole position em Xangai.

O triunfo do novato, que puxou a dobradinha da equipe, com Russell em segundo no pódio,  marcou um momento simbólico para o time de Brackley, após mais de uma década construída em torno de Hamilton —  um dos maiores nomes da história da categoria.

“Muitos duvidaram dele, dizendo que era cedo demais, que ele não tinha a calma necessária, e Kimi provou que todos estavam errados. Este é apenas o começo para ele; ele manterá os pés no chão e continuará trabalhando duro”, destacou Toto Wolff, Diretor de Equipe e CEO da Mercedes.

“Esta vitória é a realização de um sonho que tenho desde que pilotei um kart pela primeira vez. Foi um momento muito especial para todos nós”, disse Antonelli, que ficou a apenas uma volta de conquistar o Grand Slam já em sua primeira vitória na carreira.

Ele liderou todas as voltas, exceto a primeira, na qual justamente Hamilton foi o mais rápido.

O campeonato está apenas começando, mas o primeiro triunfo de Kimi entra para a história como o capítulo inicial de uma carreira que promete ser uma das mais marcantes da nova geração da Fórmula 1.

E se o restante do grid ainda busca respostas para acompanhar o ritmo do W17, a Mercedes segue ampliando sua vantagem e dissipando qualquer tipo de dúvida ao mostrar que iniciou a temporada um passo à frente.

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