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Além do túnel: Aston Martin encontra luz (e potência) antes do recesso

João Luiz da Fonseca

03/08/2026 12h13

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O AMR26 ganhou uma configuração profundamente revisada na Hungria e mostrou os primeiros sinais de evolução, alimentando a expectativa de uma reação da Aston Martin na segunda metade da temporada – Foto: Antoine Lapeyre /Jornal de Brasília

A primeira metade da temporada de 2026 da Fórmula 1 não foi exatamente um mar de rosas para a Aston Martin, mas o encerramento antes das férias trouxe um alívio bem-vindo. No Grande Prêmio da Hungria, Lance Stroll e Fernando Alonso cruzaram a linha de chegada na 13ª e 14ª posições, respectivamente. Mais do que os números na tabela, o que pesou em Budapeste foi a sensação de que o vento finalmente começou a soprar a favor.

Um AMR26 repaginado

A equipe levou um pacote robusto de 16 atualizações para o Hungaroring, transformando o AMR26 em uma especificação “B” que deu sinais claros de vida. Pela primeira vez no ano, Alonso avançou ao Q2, garantindo sua melhor posição de grid na temporada.

Superar rivais diretas como Williams, Haas e a novata Cadillac serviu para injetar um ânimo necessário nos boxes.

“Foi um primeiro passo muito encorajador”, definiu a equipe em seu site oficial, destacando que a Hungria serviu como o laboratório ideal para validar as novidades de forma real em um Grande Prêmio.

O rugido da Honda e o toque de Newey

A pausa para o verão europeu, contudo, passou longe de ser sinônimo de descanso na garagem verde. Após o GP, a Aston Martin permaneceu no Hungaroring para um dia de filmagem e uma missão crucial: colocar na pista, pela primeira vez, a nova especificação da unidade de potência da Honda.

Antecipada para coletar dados antes da estreia oficial na Holanda, a novidade traz um alívio duplo. Além de resolver os incômodos problemas de vibração que atormentaram o time no início do ano, o propulsor japonês chega com um ganho estimado de cerca de 30 cavalos extras.

Shintaro Orihara, gerente-geral de pista e engenheiro-chefe da Honda, confirmou que o teste relâmpago foi determinante para a integração do motor ao chassi. A primeira ADUO (Oportunidade de Desenvolvimento e Melhoria Adicional) da marca japonesa na temporada chega respaldada pela visão de Adrian Newey.

O diretor técnico explicou que a metamorfose do AMR26 priorizou a aerodinâmica, mantendo a base do chassi, o layout geral e a suspensão dianteira. Segundo Newey, o déficit inicial de tempo de pesquisa antes dos testes de Barcelona, em fevereiro, exigiu um recuo estratégico.

“Tem sido realmente uma questão de dar um passo atrás, entender o comportamento do carro e evoluir a partir deste pacote. Os resultados iniciais são promissores”, avaliou o projetista, adiantando que Zandvoort, Monza e Baku trarão novas etapas dessa evolução programada.

Olho no futuro

Para Fernando Alonso, a correlação positiva entre os dados de túnel de vento e o comportamento em pista comprova que a equipe encontrou, enfim, uma base sólida. O espanhol enxerga o GP da Holanda, que acontece de 21 a 23 de agosto, como o verdadeiro divisor de águas para mensurar a nova realidade do time.

Com o ganho de desempenho proporcionado pelo novo motor Honda e a evolução aerodinâmica liderada por Adrian Newey, a Aston Martin chega à segunda metade da temporada com perspectivas mais animadoras. A equipe ainda está distante das primeiras posições, mas, pela primeira vez em 2026, há indícios concretos de que o projeto começou a seguir a direção esperada.

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