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Sorvetes, risotos e uma quermesse marcam a semana gastronômica de Brasília

A coluna reúne a trajetória de uma sorveteria inspirada no Japão, um festival de risoto com curadoria renovada e a tradicional quermesse budista que celebra a cultura japonesa na capital

Leonardo Resende

17/08/2026 11h56

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Ivone Yokozawa. – Foto: Acervo pessoal

Uma vida servida em poesia gelada

A história de Ivone Yokozawa (foto) atravessa continentes, mudanças de vida e, curiosamente, termina em uma bola de sorvete. Nascida no Paraná e criada em Cristalina, para onde se mudou aos 16 anos, ela chegou a Brasília em 1980 para estudar Artes na Faculdade Dulcina de Moraes. Anos depois, já casada, viveu no Japão entre 1991 e 1995, onde trabalhou na Canon, em uma fábrica de impressoras. De volta à capital, encontrou na gastronomia um novo caminho para transformar experiências e memórias em sabores.

A ideia de produzir sorvetes surgiu em 2018, quando Ivone criou uma receita de sorvete de matchá para o Festival do Japão. Os primeiros testes ainda estavam distantes do resultado imaginado, mas a vontade de aprender persistiu. Durante a pandemia, dedicou-se ao estudo de técnicas de gelato com o professor italiano Mirko Stortini, da Gelato Academy, e, em 2019, refinou a receita com a orientação do chef italiano. O que começou como experimento encontrou seu ponto de maturação e passou a circular pela capital, ocupando espaço em mercados e restaurantes de Brasília. A produção, inicialmente modesta, em um pequeno freezer no Mercado Mikami e depois na Daiso, expandiu-se para casas como Donburi, Montaro, Noru Sushi e o The Coffee da 415 Sul, onde o sorvete de baunilha também passou a integrar o cardápio. Hoje, os produtos saem de uma fábrica na Colônia Agrícola Águas Claras para diferentes endereços da cidade.

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Ivone Yokozawa. – Foto: Acervo pessoal

Sorvete com sabor do outro lado do mundo

Se o matchá foi a porta de entrada, a criatividade de Ivone Yokozawa não parou por aí. A chef transformou ingredientes e referências da cultura japonesa em sabores pouco comuns nas sorveterias de Brasília, como Wasabi, Shogun, feito com gengibre, e Hana Umê, que leva hibisco. Há ainda o Via Láctea, de leite fermentado, o refrescante Melão e o Chocolate Belga, para quem prefere sabores mais conhecidos.

A À Mesa provou o Matchá e o Chocolate Belga e encontrou em ambos uma característica difícil de explicar: são sabores incomuns, daqueles que não se esquecem depois da primeira colherada. E a experiência japonesa aparece também no Nama Choco, versão da casa para o clássico chocolate japonês, disponível nos sabores matchá ou chocolate, com textura delicada e intensidade na medida certa. Uma coleção que mostra como Ivone transformou o sorvete em uma pequena viagem de sabores, e Brasília ganhou um endereço especial para embarcar nela.

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Foto: Acervo pessoal

Mudança de gelo

Com os dias quentes e secos tomando conta de Brasília, nada melhor do que uma pausa gelada para atravessar a estiagem. Em Águas Claras, a Jelly’s Shake reúne opções refrescantes para quem procura um doce para aliviar o calor, com sabores frutados, combinações mais indulgentes e alternativas com proteínas.

Entre os destaques estão o Marajá, que combina brigadeiro de chocolate com calda artesanal de maracujá e suas sementes, e o Sertão, que reúne paçoquita, brigadeiro com leite em pó e calda de banana. Para quem prefere opções proteicas, há o Morango Fit, com whey protein, morango, chia e sorvete cremoso, e o Banana Whey Crunch, com whey, calda natural de banana e granola crocante. A coluna À Mesa provou o Maltizão (foto) e aprovou: cremoso, gelado e daqueles que fazem a gente esquecer, por alguns minutos, que Brasília resolveu virar um forno.

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Foto: Acervo pessoal

Risoto à vontade (feito por quem entende mesmo)

O The Plant, nas unidades da 103 Sul e 109 Norte, coloca o risoto no centro da mesa em um festival que promete agradar tanto aos fãs das receitas clássicas quanto a quem gosta de descobrir novos sabores. Sob nova curadoria da chef Júlia Almeida, a experiência funciona no formato coma à vontade, com direito a repetir os favoritos quantas vezes quiser. O cardápio passeia por combinações bem brasileiras, como o Cabotiá Tradicional, com carne de sol, queijo coalho e chips de banana, o Caipira Fantástico, com ragu de sobrecoxa e linguiça, quiabo e picles de cheiro, e a Moqueca Vegetariana, que reúne caju assado, banana frita e molho de moqueca. Para quem prefere sabores mais clássicos, há ainda o Al Limone, com tilápia, raspas de limão e pangrattato sem glúten, além do Surf ‘N’ Turf, com camarão, bacon artesanal e vinagrete de tomate verde. O difícil será escolher um só, mas, felizmente, ninguém precisa.

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Foto: Acervo pessoal

Uma quermesse para lembrar

Há festas que celebram o presente. E há aquelas que também olham para quem veio antes de nós. É esse o espírito da tradicional Quermesse do Templo Shin Budista Terra Pura, na 315/316 Sul, que durante os fins de semana de agosto transforma o templo em um grande encontro de cultura, memória e gastronomia japonesa. Conhecida como Obon ou Urabon, a celebração é uma adaptação brasileira de uma tradição budista japonesa dedicada à homenagem aos antepassados. Em Brasília, a festa é realizada desde 1973 e, ao longo das décadas, tornou-se parte da própria identidade cultural da cidade. Para quem chega pela mesa, há uma verdadeira viagem pelos sabores do Japão, com yakisoba, udon, tempurá, sushi, sashimi e gyoza (foto), enquanto o espaço recebe apresentações de taiko, Bon Odori, oficinas e outras manifestações da cultura japonesa.

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Foto: Acervo pessoal

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