Brasília segue encontrando novos caminhos para se reunir em torno da comida. Nesta edição, a À Mesa visita a história por trás dos fornos da Madame Brioche, acompanha o fenômeno gastronômico do bingo do Toinzinho e antecipa a chegada de novos sabores à capital. Porque, entre uma boa história e uma mesa cheia, sempre há algo novo para descobrir.
Uma amizade de 20 anos que cresceu entre farinha, fermento e forno
Antes de se tornarem sócios da Madame Brioche, Henrique Uchôa e Karina (foto) já eram família. Os dois se conheceram há cerca de 20 anos, ainda no movimento escoteiro, e construíram uma amizade que atravessou casamentos, filhos, trabalhos e diferentes fases da vida. Henrique foi padrinho do casamento de Karina, ela se tornou madrinha de seu filho e, com o tempo, a relação ganhou aquela intimidade que dispensa sobrenomes: “somos irmãos”, resumem.
Foi essa confiança que levou os dois à sociedade da Madame Brioche, pequena padaria artesanal da 313 Norte que, há cinco anos, vem conquistando espaço entre os apaixonados por panificação em Brasília. À frente dos fornos, Henrique traz uma trajetória que passou pela alta gastronomia e ganhou novos caminhos em São Paulo, quando, durante a pandemia, escolheu mergulhar na panificação. Entre as possibilidades que surgiram naquele período, acabou encontrando no Mocotó, de Rodrigo Oliveira, o lugar onde poderia transformar a curiosidade pelo pão em profissão.
A experiência foi decisiva. No restaurante, ganhou liberdade para criar, desenvolver produtos e experimentar. De volta a Brasília, trouxe na bagagem uma ideia que hoje define a Madame Brioche: o pão pode ser clássico, mas nunca precisa ser repetitivo.

Ao seu lado, Karina assumiu aquilo que muitas cozinhas deixam em segundo plano: a gestão. Com duas décadas de experiência nas áreas administrativa e de recursos humanos, ela entrou para organizar processos e ajudar a transformar uma amizade de longa data em um negócio preparado para crescer. Entre fornadas e planilhas, os dois parecem ter encontrado uma divisão bastante natural: Henrique imagina o que sai do forno, e Karina ajuda a garantir que a casa continue de pé para receber o próximo pão.
O que sai do forno da Madame
Na Madame Brioche, na 313 Norte, dificilmente duas visitas são iguais. Adepta da fermentação natural, a padaria transforma cada dia da semana em uma nova fornada, com pães que variam entre receitas como Campagne, Pão Amor, Pão de Nozes com Passas e diferentes focaccias.
Mas os clássicos também têm lugar garantido. No cardápio, aparecem croissants, Croissant Aux Amandes (foto), pain au chocolat e ciabattas. A À Mesa provou o cookie, o pão folhado amanteigado, o pão de grãos e as ciabattas, e pode garantir: tudo delicioso.

E tem novidade vindo do forno: a casa está em momento de expansão e prepara uma nova fase, que inclui até mesmo uma mudança de nome. Os detalhes ainda estão sendo guardados a sete chaves, mas uma coisa já parece certa: a pequena padaria da 313 Norte está pronta para crescer.
O bingo que fez Brasília descobrir o Guará
Nas noites de quinta-feira, moradores da Asa Sul, Lago Sul e Lago Norte têm atravessado Brasília em direção ao Guará I. O motivo? O famoso bingo do Buteco do Toinzinho, onde, sim, um dos prêmios mais disputados é uma porca. Mas seria injusto dizer que o bingo explica sozinho o fenômeno. Pelas mesas espalhadas pela praça, garçons circulam com bandejas de petiscos que também ganharam fama própria: bolinhos, casquinha de siri (foto), camarões, espetinhos, pimentas recheadas e o célebre torresmo fazem parte do desfile gastronômico que transforma a noite em uma espécie de perigoso rodízio informal. No fim, talvez seja justamente essa combinação que explique o sucesso: cerveja gelada, petiscos passando sem parar, uma praça tomada por gente e a possibilidade real de voltar para casa com uma porca. Brasília finalmente descobriu que, às vezes, é preciso sair do eixo para encontrar a melhor diversão.

Da Serra Gaúcha para o Lago
Brasília está prestes a ganhar um dos sabores mais tradicionais da Serra Gaúcha. A Di Paolo, referência na culinária da imigração italiana no Sul do país, prepara sua primeira unidade na capital, às margens do Lago Paranoá, nas proximidades do Pier 21.
O protagonista da experiência será o clássico Galeto Al Primo Canto (foto), assado na brasa e servido em uma sequência que inclui sopa de capeletti, massas, molhos, polentas e acompanhamentos. Fundada em Garibaldi, em 1994, a casa construiu sua história justamente em torno dessa tradição herdada dos imigrantes italianos da região.

Com inauguração prevista para setembro, a unidade brasiliense terá vista para o lago e capacidade para cerca de 380 pessoas. Para quem já conhece a fartura das mesas da Serra, a notícia é boa: em breve, não será mais preciso atravessar o país para pedir mais uma rodada de polenta brustolada.