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A economia digital como mola propulsora para o futuro e as dificuldades do setor

Aplicativos invadem o mercado e alteram a feição da economia tradicional

Por Franco Júnior 28/04/2021 5h15
economia digital

Existem alguns fatores de aceleração de processos de transformação, tais como guerras, revoluções industriais e pandemia. Inegável que vivemos um desses fatores e, se não o maior fator da nossa geração, aquele que mais impactou a vida da sociedade.

Essa aceleração de processos caracterizou-se, principalmente, na digitalização da quase totalidade das atividades, sejam comerciais ou prestação de serviços, que permitem que assim sejam executados, mesmo em tempos de restrição de circulação ou quando os agentes econômicos não possuem disposição para deslocamento. Outrora, a necessidade de isolamento e, consequentemente, a diminuição da presença física de usuários do mercado, fez com que toda aquela atividade, antes caracterizada por sua disposição tradicional física, inovasse, como forma de subsistência ante à um mercado em forte declínio mediante a necessidade de medidas de restrição adotadas pelos governos.

A identificação deste fenômeno apresenta-se de forma manifesta. Exemplo: Aqueles restaurantes que ainda não haviam se dobrado à tecnologia da entrega através de aplicativos, viram-se, neste, como meio, a única forma de manter suas atividades. Comerciantes que, outrora, resistiram em criar um departamento de e-commerce, da mesma forma, adaptaram-se, da forma mais rápida possível, como forma de manter, ainda viva, sua atividade empresarial. Prestadores de serviço que jamais imaginaram realizar um negócio que não estivesse ajustado e entabulado entre 04 paredes de um escritório, compelidos foram a se adaptar a qualquer aplicativo de reunião, na base do laptop e um certificado digital para apor sua assinatura. Assim como aulas on-line etc.

O fato é que todos esses avanços já estavam programados como decorrência evolutiva da sociedade, contudo, como de fato funciona toda e qualquer ruptura, seja econômica, social, geopolítica ou cultural, a sociedade possui seu tempo de adaptação e, com essa aceleração, o desafio potencializa suas distorções.

Se por um lado temos um grande desafio em razão de várias rupturas de forma abruptas, existe uma grande oportunidade para o nosso país alavancar de vez sua economia digital e deixar de ser um mero coadjuvante neste cenário mundial.

Os grandes players ainda residem nos EUA, mais precisamente no Vale do Silício. É bem verdade que nos últimos anos a China vem ganhando importante espaço neste nicho, a ponto de rivalizar com os EUA. O interessante é que os empreendedores da China iniciaram o mercado digital através de cópias literais de negócios digitais dos EUA. Foram adaptando às necessidades locais e hoje dominam o seu mercado interno e, em breve, estarão invadindo todos os países.

Olhando o nosso mercado interno, ainda tímido, falta absolutamente tudo que sempre inexistiu para o empreendedorismo brasileiro. Não temos segurança jurídica, incentivo, estabilidade política. Por outro lado, possuímos exacerbada burocracia, entraves e imprevisibilidade de mercado, num país onde até o passado parece ser incerto.

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Por fim, temos um mercado interno pouco profissionalizado. Digo isto em todos os sentidos. Desde os empreendedores até os prestadores de serviços, dificultando ainda mais um mercado ainda engessado no nosso país, principalmente quando saímos do eixo RJ-SP.

As empresas de tecnologias possuem estágios até se encontrarem prontas para efetivamente desempenharem suas atividades com o máximo de sua potencialidade. O que chama atenção para esse mercado é a escalabilidade de produtos e serviços que até então se mostrava moroso e custoso mediante a operação tracionada pela economia tradicional.

Esta condição mercadológica faz com que empresas, que não geram lucros ainda, passem a valer milhões ou bilhões de dólares no mercado. Isto ocorre porque geralmente empresas de tecnologia necessitam de um aporte alto de investimento para fins de testar e difundir o seu produto até que se encontre o ponto de equilíbrio e, a partir disto, passe a gerar lucro e, consequentemente, envidar retornos para todos os envolvidos na operação.

Costumeiramente a pesquisa e desenvolvimento do produto digital é sobremaneira custoso, principalmente no início da operação, quando a empresa ainda carece de investimentos maiores.

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Todas as empresas de tecnologia possuem um objetivo fim maior que se trata do IPO – Oferta Pública de Ações, que é o momento em que sua participação acionária é negociada na bolsa de valores, gerando retornos astronômicos para os investidores, bem como permitindo a execução de um grande plano de expansão, através de uma elevada ingesta de valores, mediante aumento do seu capital social.

O processo até o estágio final é iniciado através do capital do próprio empreendedor, empréstimos bancários ou familiares, amigos. O primeiro investimento de terceiro geralmente ocorre através do chamado “investidor-anjo” ou “Angel Investor” ou “Businesse Angel”, cunhado nos EUA, ainda no século 20, para designar investidores que bancavam os custos de produção das peças da Broadway, assumindo os riscos e participando de seu retorno financeiro.

Para que isto ocorra, o investidor costuma receber uma pequena participação societária e define, no futuro, como será sua saída, aguardando a valorização da empresa e suas ações.

A próxima fase que se aproxima de uma empresa de tecnologia, após o recebimento desse primeiro aporte de capital, é o recebimento de um investimento mais vultuoso através de Venture Capital. Ocorre que entre as fases anteriores até este momento, a empresa precisará ter avançado, não só no desenvolvimento do seu negócio através de P&D, mas também em termos estruturais da operação.

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A empresa precisará estar com seu contrato social ou estatuto social bem definido e pronto para o recebimento de mais participações societárias. Precisa estar com o planejamento tributário correto para fins de maximizar seus resultados e mitigar os riscos da operação. Planejamento trabalhista, através da análise de atividades e o enquadramento correto de cada função, o que também irá permitir a redução de gastos e mitigar riscos. Por fim, um programa de integridade que atenda às necessidades da empresa e mercado.

Tudo isso é necessário, pois as Ventures Capital são compostas, geralmente, por fundos de investimentos, que possuem elevada responsabilidade na gestão de recursos e um rígido regulamento com políticas de investimentos, que possuem a missão de evitar que os recursos sejam aplicados em negócios que não possam gerar um retorno futuro ou que ainda não estão estruturados a ponto de seguir uma evolução significativa.

Atendido todos os requisitos do mercado e do fundo de investimento, a empresa de tecnologia recebe o aporte, geralmente com o objetivo de aumentar seu poder de desenvolvimento e pesquisa, atingindo novo patamar de mercado, encontrando o seu ponto de equilíbrio e se preparando para o próximo passo que é gerar lucros e resultados.

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Chegada essa fase, a empresa de tecnologia poderá receber um aporte, ainda mais vultuoso dos chamados “Private Equity”, momento em que, geralmente, os investidores anteriores realizem o capital e recebem o retorno do investimento primevo.

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O objetivo do Private Equity é levar a empresa de tecnologia até o seu objetivo final já falado neste texto, que é a Oferta Pública de Ações – IPO, cenário no qual a empresa poderá, inclusive, ostentar ou ser considerada uma BIG TECH e passará, em tese, a operar dentro da sua inteira potencialidade de alcance e escalabilidade, bem como capacidade de retorno e lucro.

Essas empresas geralmente possuem um documento chamado de plano de negócios – uma espécie de prospecto, contando a história da empresa, onde está, para onde quer ir e no que deseja se tornar, e o quanto de investimento precisa para isso (obviamente tudo isso através de documentos e demonstrações contábeis financeiras). Estatisticamente 1% dos planos de negócios apresentados para Venture Capital e Private Equity são escolhidos para receberem investimentos.

Por tudo isso a necessidade de melhorarmos nossa capacidade de profissionalizar a estruturação jurídica negocial de nossas empresas de tecnologia ainda no seu leito de nascença, para que, em um futuro próximo, estejam aptas a receber tais investimentos, em uma velocidade cada vez maior.

Esse ciclo é crucial para o desenvolvimento da economia digital no País e será necessário o seu aperfeiçoamento para que o Brasil possa, um dia, estar inserido entre os grandes potenciais mundiais no desenvolvimento de tecnologia.

Levando em consideração a predominância deste mercado atualmente e no futuro, com certeza a economia digital será crucial para o crescimento e desenvolvimento do País.








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