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Um ano produtivo, que merece ser celebrado

Por Luciana Barbo 08/12/2018 8h08

É de praxe fazer um balanço quando chega dezembro. É aquela hora de pensar o que deu certo, quais foram os pontos fortes    e o que precisamos melhorar. E especialmente o que podemos esperar daquilo que foi plantado. Em 2018, Brasília pulsou, comeu e bebeu, especialmente cervejas artesanais.  O mercado gastronômico mostrou que, mesmo com a crise, é destemido, atrevido, incansável. Tivemos muitas surpresas, e que bom!

Comecemos 2019 com fé, disposição e vontade de mostrar a nossa verve empreendedora. O novo ano reserva bons momentos. Compartilhe-os na mesa do bar, na cozinha de casa, no restaurante do coração.

 Perdas e ganhos

Dez dias sem caminhoneiros rodando pelas estradas brasileiras e um prejuízo de milhões de reais para a economia. É claro que o segmento de alimentação sentiu, e muito, os efeitos da falta de combustíveis, como diesel, gasolina e gás de cozinha. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF, a perda ultrapassou os R$ 60 milhões, cerca de 30% do faturamento dos 10 mil bares e restaurantes do Distrito Federal. Os estabelecimentos, assim como os serviços de buffet, precisaram readequar cardápios, buscar novos fornecedores, mexer nos horários de funcionamento e nas equipes. Eventos gastronômicos também precisaram ser adiados por conta da greve. E a cerveja acabou, lembram?

No mês seguinte a Abrasel/Df anunciou um crescimento de pelo menos 12% no faturamento das casas em relação ao mesmo período de 2017. O motivo foi a realização Copa do Mundo da Rússia e os horários dos jogos, que coincidiram com o período de almoço para nós brasileiros. As casas investiram em decoração, transmissão das partidas e desenvolvimento de menus especiais.

Os aplicativos

Em 2018, vimos o iFood dividir seu espaço com outros aplicativos de entrega de comida. Após uma gestação de vários meses, o Uber Eats deu as caras por aqui em junho, com entrega sem taxa. A plataforma, já presente em mais de 60 países, já tinha chegado em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, e está em fase de expansão pelo Brasil. Na mesma semana, o mercado ganhou o colombiano Rappi, ainda que com entregas somente na Asa Sul. Presente em cinco países da América Latina, o aplicativo tem tudo para ser o novo queridinho dos brasilienses pela possibilidade de juntar pedidos de vários fornecedores (farmácias, lanchonetes, papelarias, dentre outros) e por garantir a entrega em menos de uma hora.

Brasiliense cervejeiro

Em vigor desde 1º de janeiro de 2018, a possibilidade de adesão de micro e pequenas empresas no Simples, sistema único de tributação, animou empreendedores a investirem na produção da bebida. A cada dia surgem mais e mais rótulos, que fica difícil até de acompanhar. Em Brasília, um dos destaques do ano foi a inauguração da Hop Capital, no Setor de Indústrias e Abastecimento. Com diversos rótulos nos mais variados estilos, a casa logo colocou a produção também à venda em outros bares da cidade. No concurso Beba Brasília, em outubro, a estreante levou 5 prêmios, incluindo o de bar preferido do público e melhor cerveja (West Coast).

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O mercado cervejeiro também foi fortalecido por diversos evento, como o Brasília Brew Fest & Homebrewers (BBFH), que reuniu 25 produtores locais e realizou a primeira corrida tendo a bebida como tema. Teve ainda a 1ª Copa do Mundo de Cerveja Artesanal promovido pela Criolina, que incentivou a participação de produtores caseiros; a Copa Cerveja Brasil, com mais de 590 rótulos sendo julgados por 50 juízes e o Oktober Jazz Bier Festival, que uniu música e cerveja em novembro. Também teve lançamento de cervejarias mais experiente. Em homenagem à Brasília, a Colombina colocou no mercado a Tesourinha, que tem a siriguela como elemento inovador. Já a Corina valorizou a goiaba em três rótulos distintos: Madura, Viscosa e Bichada.

Altos e baixos

Reduto de políticos e empresários, o Bar do Piantella fechou as portas em outubro, após um imbróglio com o proprietário do imóvel que o abrigava. Na ocasião, os donos reafirmaram a permanência do restaurante, que ocupa outro imóvel, e anunciaram que haveriam novidade. Estamos aguardando! Quem também fechou as portas foi o Taj, que há pouco havia completado um ano de funcionamento.

Mas a grande perda do ano para a cidade foi mesmo a partida de Albano Ribeiro, do Taypá e Bier Fass. O espírito empreendedor dele fará falta. Mudanças também agitaram o Nikkei, o Tambouille e o Le Vin, que mudaram de mãos. Já o Oma e o Mercadito chegaram em novos endereços por questões estratégicas.

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Também houve grandes surpresas, como a abertura do japonês Kawá, do B Hotel (e seu restaurante, tocado por Rodrigo Sato e Sônia Takata, que recebeu até chefs com estrelas Michelin); do temporário Libertad.  No quesito cafeterias, foi bom ver o Café e um Chêro chegar à Asa Sul, o Adorável se instalar em Águas Claras e o Ernesto alçar voos para a Asa Norte. E o que dizer do café, das irmãs Gentil na 410 Sul? E da singeleza do Acervo, um lugarzinho escondido no Guará, que guarda tantas emoções?

Enquanto esses estrearam no mercado, outros consolidaram seus nomes na história de Brasília. Universal Diner, BSB Grill e Toca do Chopp completaram mais de 20 anos de serviço à boa mesa em 2018.  E que venham mais muitos anos de luta.

Pudemos ocupar mais os espaços sem uso com mais uma edição do Mimo Bar, na comercial da 105 Norte, e do Hidden, dessa vez, no bicicletário do Parque da Cidade. Teve Mesa ao Vivo, Congresso da Abrasel e Mercado Mundi para promover conhecimento. Teve mais visão de sustentabilidade, com a campanha canudo zero e coleta otimizada pelo Instituo Ecozinha. Teve valorização do pequeno produtor e dos frutos locais com os movimentos Panela Candanga e Cerrado no Prato. Teve garimpo de queijo, com a Tarsitano Sabor de oriegem e o bar Teta Cheese. E teve o Momento Speciale, festival que desafiou os chefs a criarem pratos com café.

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O que esperar de 2019?

O ano é de desafios. Melhorar o ambiente para o empreendedorismo, a questão do transporte público e a segurança são apenas algumas demandas do segmento gastronômico para 2019. Esperamos por algumas inaugurações já anunciadas, como a do italiano Così, que tem o chef Renato Carioni à frente da cozinha, e do bar japonês de Cristiano Komiya, ao lado do New Koto (212 Sul).

Chef Renato Carioni (Foto: Charles Damasceno)

Chef Renato Carioni (Foto: Charles Damasceno)

Falando em comida oriental, prepare-se porque os bowls com macarrões e outros preparos asiáticos vão invadir as timelines de seus perfis nas redes sociais. Os sanduíches dessas culturas também estarão em alta. Então, se você é empreendedor e quer abrir um negócio, largue a ideia de ter uma hamburgueria e pesquise lugares como Tan Tan Noodle Bar de São Paulo.

E, porque não, investir no kombucha e outras bebidas probióticas e funcionais? Ainda dá tempo de se destacar, afinal, a busca por uma alimentação mais funcional e saudável continua a todo o vapor, assim como os esforços para criar proteínas vegetais que imitem as carnes. O governo canadense anunciou um investimento milionário para essa pesquisa, então vale dizer que não adianta torcer o nariz para as campanhas de diminuição do consumo de proteína animal.  Aposte ainda nos alimentos crus, a raw food está com tudo lá fora.

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Para facilitar a vida do cliente, continue investindo no delivery. Mas ainda busque formas de melhorar a forma como a comida chega até o destino final. E não esqueça de oferecer uma experiência incrível no seu ponto de venda. Esse conselho parece clichê, mas é preciso lembrar sempre que o cliente não quer só comida quando vai a um restaurante.

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