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Cinema com ela
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Wicked Parte 2 eleva a força de Oz com emoção, política e o brilho de duas protagonistas inesquecíveis

A nova etapa da história chega aos cinemas nesta quinta-feira (20), trazendo Cynthia Erivo e Ariana Grande em interpretações que transformam emoção e magia em espetáculo

Tamires Rodrigues

20/11/2025 5h00

wicked 2

Foto: Divulgação/Universal Pictures

Wicked Parte 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira (20), como um raro acontecimento que entende profundamente o que significa transformar uma história conhecida em algo maior, mais vibrante e mais desafiador. Se a primeira parte ergueu o palco e preparou a plateia, esta segunda metade convida o público a atravessar o véu da magia para encontrar um mundo que, apesar de brilhar em esmeralda, reflete as sombras que insistimos em ignorar. Jon M. Chu entrega não apenas uma continuação, mas uma afirmação cinematográfica.

A abertura já revela que não estamos mais na mesma Oz. O espetáculo cresce, as cores se intensificam e a grandiosidade parece expandir a tela. Mas é no subtexto que reside a verdadeira força do filme. Chu assume a narrativa com maturidade estética e política. Não basta fascinar, é preciso incomodar. E é justamente nesse ponto que Wicked Parte 2 encontra sua potência.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

Cynthia Erivo retorna ainda mais afiada, humanizando uma Elphaba que agora carrega o peso de suas escolhas, de sua reputação e de um destino que nunca pediu. O arco emocional da personagem ganha contornos mais íntimos e dolorosos, especialmente quando o roteiro explora as contradições entre heroísmo e sobrevivência. Elphaba não quer ser vilã, mas talvez aceitar essa imagem seja a única forma de lutar.

Ao lado dela, Ariana Grande finalmente encontra espaço para revelar complexidade. Sua Glinda, antes leve e quase ornamental, agora se apresenta como uma figura dividida, vulnerável, empurrada para a vida adulta em um mundo que não permite ingenuidade. Sua nova canção, marcada por fragilidade, é um ponto de virada emocional. Aqui, Glinda se transforma de ícone em mulher real, atravessada por culpa, medo e afeto.

A força das protagonistas se amplifica em uma Oz politicamente decadente. Chu não esconde as camadas de manipulação, propaganda e autoritarismo que sustentam o reino. O Mágico, interpretado com um cinismo quase sedutor, encarna um líder que só governa porque as pessoas querem acreditar na ilusão. A crítica é direta, mas nunca panfletária. O filme provoca sem subestimar o espectador.

wicked 2 brasil
Foto: Divulgação/Universal Pictures

As figuras secundárias ganham mais relevância, especialmente nas origens do Espantalho e do Homem de Lata, que surgem sombrias e poéticas. São histórias que ampliam o mito e reforçam como as dores individuais podem se transformar em lendas coletivas. O que antes eram personagens simbólicos agora emerge como vítimas de um sistema que transforma sofrimento em espetáculo.

A amizade entre Elphaba e Glinda permanece como espinha dorsal da narrativa e se torna ainda mais comovente. O filme constrói, com delicadeza, uma relação marcada por renúncias, perdas e afetos que escapam a classificações simples. Não se trata apenas de rivalidade ou sororidade. É um vínculo profundo e contraditório que desafia expectativas. A cena em que as duas enfrentam seus destinos divergentes é uma das mais belas da saga.

Visualmente, Wicked Parte 2 aposta na extravagância. Cenários art nouveau, figurinos monumentais e efeitos digitais tornam Oz um mosaico vibrante, embora em alguns momentos o excesso de CGI deixe saudade do equilíbrio mais artesanal do primeiro filme. Ainda assim, há uma coesão visual que mantém o público completamente imerso.

O filme também reflete sobre o poder das narrativas. Sobre quem controla os mitos, quem se beneficia deles e quem é sacrificado para que se mantenham de pé. Em meio ao jogo de versões e versões reescritas, Elphaba e Glinda tentam descobrir qual futuro é possível quando a verdade se torna uma fronteira instável.

Conclusão

No fim, o que torna Wicked Parte 2 tão marcante é a coragem de encarar a fantasia sem medo do mundo real. Não é apenas um musical deslumbrante. É um drama político, uma ode à amizade e um lembrete de que nem toda bruxa nasce má. Às vezes, ela só aprende a voar depois que tentam cortar suas asas.

Confira o trailer:

Ficha Técnica
Direção:
Jon M. Chu.;
Roteiro: Winnie Holzman, Winnie Holzman e Dana Fox;
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Bowen Yang, Marissa Bode, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum;
Gênero: Fantasia;
Duração: 137 minutos;
Distribuição: Universal Pictures;
Classificação indicativa: 12 anos;
Assistiu à cabine de imprensa a convite da Espaço Z

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