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Viva

Voz com discurso feminino

Arquivo Geral

30/10/2013 8h30

Com a chegada das festas de fim de ano, a cantora Simone é sempre relembrada pelo seu hit Então É Natal, considerado quase que um hino natalino no País. Indo além do clima do Papai Noel, amanhã os brasilienses poderão conhecer um trabalho novo da artista baiana, que ela lança, a partir das 21h, em show inédito, no teatro Unip (913 Sul).

É Melhor Ser  é o nome do álbum lançado pela gravadora Biscoito Fino. Aos 63 anos, 40 de discos, a voz que já cantou supersucessos populares, homenagens a compositores como Ivan Lins e Martinho da Vila e, é claro, canções natalinas, agora se volta ao discurso feminino. 

 

Canções

 

“Sou totalmente eclética, minha mãe ouvia Ângela Maria e Orlando Dias e meu pai cantava ópera”, diz Simone, ao explicar a escolha das doze compositoras do CD, de gerações e estilos distintos. Vão da contemporânea Joanna a Dona Ivone Lara, Sueli Costa, Rita Lee, Joyce e Ângela Rô Rô, chegando à geração de Adriana Calcanhotto e Teresa Cristina. 

 

Primeiro veio a ideia de cantar só mulheres, depois essas mulheres, e, por fim, essas músicas – clássicos de seus gêneros, como Acreditar, Mutante e Charme do Mundo. Não quis novidades, à exceção das recentes Só Se For (Simone/Zélia Duncan) e Haicai (Fátima Guedes).

 

“Pensei: quando eu comecei, 40 anos atrás, quem estava ali? Queria retratar as mulheres que eu sempre adorei, como a Fátima, a Sueli. Descaminhos, da Joanna, eu amo desde que ela lançou, em 1979”, comenta a artista. “Adriana (Calcanhotto) e Teresa (Cristina) têm trabalhos que eu adoro. As faixas vão se entrelaçando. Essas moças são poderosas. Ficou um disco cheio de curvas, como a mulher”, compara.

 

Parcerias no repertório

 

Na hora de escolher as canções, Simone convocou Zélia Duncan. A amiga lhe ajudou a selecionar as faixas, entregues então a Leandro Braga e Bia Paes Leme, diretores musicais que trataram de revesti-las de elegância, com arranjos que privilegiaram o piano.

 

Simone não quis um trabalho que partisse de um conceito, e sim das músicas selecionadas. A direção do show que será apresentado amanhã na cidade é de Christiane Torloni, de quem a cantora queria o olhar bem feminino.

 

Diferenças do mercado

 

A última vendagem expressiva de Simone, que batia recordes de público e discos de ouro e platina nos anos 80, quando lotava o Ibirapuera e o Maracanãzinho com performances de O Que Será, Começar De Novo e Cigarra, foi em 1995: mais de 1,5 milhão de cópias. 25 de Dezembro era aberto pela famosa Então É Natal. 

 

Como seus pares, Simone foi tragada pelo abismo da indústria fonográfica. Mas diz não ter se abalado. “Não era só eu, todo mundo afundou. Não sou saudosista. Eu tenho saudosismo é quando vejo Vinicius (de Morais) na televisão…”, suspira. 

 

“O mercado tem suas artimanhas e seduções”, escreveu o compositor Hermínio Bello de Carvalho no texto de apresentação de É Melhor Ser, referindo-se ao auge dos anos 80. 

 

Hoje em dia

 

Simone não veste a carapuça. “Na época, as baladas invadiram, e eu nunca tive problemas de cantar baladas, de arriscar, de errar. Eu errei muito, mas não por gravar baladas. Acertei muito mais. Concessões eu nunca fiz. Se errei, fui eu”, garante. As reflexões sobre as quatro décadas de atividade vieram naturalmente: “Tem muitos momentos assustadores, porque o tempo passa muito rápido. Ao mesmo tempo, fazer 40 anos e continuar cantando, inteira, sem estar bagaceira… Tenho tesão no que eu faço, canto como se fosse o último dia, não quero saber se vou ficar rouca.”

 
Serviço
 
Simone –  Amanhã, a partir das 21h. No Teatro Unip (913 Sul). Ingressos: R$ 60 (meia-entrada). Informações: 2192-7080. Classificação livre.

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