De 24 de outubro a 24 de novembro, o artista plástico Virgílio Neto apresenta a mostra Ausente Presente, na Galeria Fayga Ostrower, no Complexo Cultural Funarte Brasília. A abertura da exposição será no dia 24 de outubro às 19h. Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição reúne cerca de 200 desenhos inéditos, marcados por uma intensa pesquisa sobre a técnica e o processo de contar histórias; pelas viagens do autor, no Brasil e no exterior, e as pelas residências artísticas das quais ele participou, em Cruzeiro do Sul (Acre) e Banff (Canadá). Durante os fins de semana, Virgílio Neto receberá visitas comentadas, que podem ser marcadas junto à organização da mostra.
Ausente Presente é resultado do Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2013 – Atos Visuais Funarte Brasília – Galeria e Marquise, concedido em 2013 ao artista. A premiação visa a estimular a multiplicidade e a diversidade das linguagens e tendências, em suas mais variadas formas de manifestação. Para o curador da mostra, Paulo Miyada, num primeiro momento, a obra do artista parece caótica, mas “se olharmos com atenção, veremos camadas sobre camadas de desenhos que contam histórias e que, mais que simples expressões, são seu modo de entrar em contato com o mundo”, afirma.
Para esta exposição, Paulo Miyada separou os desenhos em três conjuntos. O Grupo 1, Territórios, traz os trabalhos iniciados durante um curso que Virgílio Neto ministrou em Cruzeiro do Sul (AC). Ali também estão os sinuosos rios da região, representados por cobras – com o fascínio que exercem e o mistério que representam. Também aparecem reflexos da residência artística pela qual o criador passou, no Canadá, no início deste ano. As paisagens; os jogos de hockey no gelo; os animais que cruzam as estradas; tudo está ali, como que disposto em camadas. O grupo 2 é chamado de Fichas. Nelas, estão anotações, em forma de desenhos, com referências a alces, com seus chifres ramificados, lembrando árvores genealógicas. Há também, luvas de hockey – descritas em análises morfológicas e detalhamentos – que mostram uma natureza ao mesmo tempo acolhedora e agressiva. Já Highlights, o Grupo 3, é a maior coleção de desenhos, distribuídos em 7 séries. Dedicados às memórias, os trabalhos deste grupo trazem recordações, recentes e antigas, de maravilhamento frente ao mundo. “Neste fluxo de pensamento que é o trabalho de Virgílio Neto, encontramos contraposições que buscam o equilíbrio. São confrontos de experiências da cidade onde mora, Brasília, com a vida em cidades como Berlim ou com a floresta amazônica”, explica Paulo Miyada.
Encontros e bate-papos
O artista receberá visitas comentadas à mostra Ausente Presente todos os sábados, a partir das 15h. Além disso, estão marcados três encontros. No dia 02 de novembro, o autor receberá o público, para uma conversa sobre sua criação; no dia 09 de novembro, o encontro será com o artista e crítico Divino Sobral; e no dia 16, data do lançamento do catálogo da mostra, o curador Paulo Miyada participará de um bate-papo sobre a mostra, Virgílio Neto e sua relação com a arte. Os encontros acontecem sempre às 17h e a participação é gratuita – mas sujeita à lotação da sala.
Sobre o artista
Aos 27 anos, Virgílio Neto é um dos nomes que têm despontado nas artes no Brasil. Participou de inúmeras coletivas e foi premiado pelo seu trabalho. Em 2012, recebeu o prêmio EDP nas Artes, do Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. No mesmo ano, recebeu Referência Especial do Júri no 11º Salão Nacional de Arte de Jataí, no Museu de Arte Contemporânea de Jataí (GO). Em 2012, fez residência artística em Cruzeiro do Sul (AC) e, em 2013, no Banff Centre (Canadá). Em 2012, publicou o livro Talvez o mundo não seja pequeno, pela a Bolha Editora (Rio de Janeiro), contendo obras suas.
Paulo Miyada
Formado pela Universidade de São Paulo (USP) em Arquitetura e urbanismo e mestre em História e fundamentos, Paulo Miyada, 27 anos, é coordenador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake. Tem realizado mostras de relevância e se destacado na nova geração de curadores do país.