“Minha obra vem de alucinações que só eu posso ver. Traduzo as imagens obsessivas que me atormentam em pinturas e esculturas”, disse certa vez a artista japonesa Yayoi Kusama. “Eu, Kusama, sou a versão moderna de Alice no País das Maravilhas.”
Essa última frase ela gritou num “happening” em 1968 diante da estátua da famosa personagem de Lewis Carroll no Central Park, em Nova York. Vestida de Alice, a artista pintava bolinhas coloridas no corpo de homens nus.
Não espanta, portanto, que tempos depois ela tenha emprestado essas bolinhas coloridas, que ela diz enxergar o tempo todo, a uma nova ilustração do clássico de Carroll, morto aos 65, em 1898.
Obra
Lançada há dois anos no Reino Unido, a versão de Alice no País das Maravilhas com desenhos de Kusama já teve os direitos vendidos para sete países e chega agora ao Brasil pela editora Globo, com tradução para o português de Vanessa Barbara.
Do mesmo jeito que a relação de Kusama com Alice é coisa de longa data, Barbara também teve o primeiro contato “sério” com a obra ainda na faculdade, quando escreveu toda uma prova sobre o livro de trás para frente, usando um espelho. “Acho que o Carroll teria tido orgulho.”
A obra da artista pode ser vista na exposição Obsessão Infinita, Yayoi Kusama, em cartaz de quarta a domingo, das 9h às 21h, até 28 de abril. No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul).
Serviço
Alice no País
das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll, Yayoi Kusama
Editora: Globo
Páginas: 184 páginas
Preço médio: R$ 59,90