Na luta há mais de dez anos, Galinha Preta, que se apresenta amanhã no Festival Sai da Lata, e Deceivers continuam fazendo um som autêntico e buscam, a cada dia, resgatar o movimento independente do Distrito Federal. Cada uma com sua peculiaridade, as bandas fazem o possível – e o impossível – para gravar CDs, atrair público e divulgar seu som para o País.
“Um som tosco e que não se encaixa em galera nenhuma”. É assim que o vocalista do Galinha Preta, Frango Kaos, define a banda – que até se firmar, passou por algumas alterações. Além do irreverente vocalista, o quarteto é formado por Bruno Tartalho, no baixo; Japonês, na guitarra; e Guilherme Tanner, na bateria.
“Nas apresentações, soltamos nossas neuroses com bom humor e sem invadir o espaço de ninguém”, conta Frango. Para comemorar os 12 anos de estrada, o grupo criado no P Sul, em Ceilândia, prepara um vinil com canções inéditas e outras conhecidas do público. “Achamos bem bacana preparar esse disco, que ainda não tem nome. Talvez se chame Brasília, mas não é certo”, conta Frango.
Burocracia
O vocalista conhece bem as dificuldades para se realizar eventos no DF, com ou sem apoio. “Hoje é muita taxa, muita coisa para resolver. Acho que o rock oitentista era muito mais reconhecido porque não tinha burocracia. Os músicos tinham mais liberdade”, conta ele. “Para você não pagar o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), por exemplo, precisa provar que é músico. Poxa, como assim? Eu toco punk rock”, finaliza.
Ponto de vista
Segundo Digão, da banda Raimundos, na época em que os integrantes eram da cena independente, existia um mercado forte de demos circulando no DF e isso era um dos fortalecedores da cena. “Na época, sair do underground foi uma coisa bem louca. Não tínhamos certeza de nada, além da vontade de fazer a coisa acontecer. Pelo menos existia um circuito de shows autorais e um mercado de demos colocando as músicas das bandas novas na boca da galera. Isso enriquecia de uma tal forma a cena que saíram ótimas bandas. Hoje, com o YouTube, meio que deu uma diluída no interesse. Parece até que se tornou mais difícil. Viver da música hoje é uma arte. A ralação é enorme, mas vale a pena”, opina o vocalista e guitarrista.
Em seu melhor momento
Em atividade desde 1994, o Deceivers mescla elementos variados do heavy metal e do hardcore, formando um estilo musical próprio. No começo, o grupo chegou a receber mais de 40 cartas por semana e a fazer shows por vários cantos do País. Mas, segundo o vocalista Gregório Salles, nada comparado à melhor fase da banda: agora. “Como membro há quase 20 anos, creio que estamos melhores que nunca, com planos alinhados e firmeza em decisões e formação. Isso é muito importante”, explica.
O Deceivers está gravando um novo disco e, com ajuda de selos independentes, vai distribuir o álbum. No entanto, a banda nunca teve uma gravadora que custeasse as gravações. Os selos ajudam o conjunto independente prensando os CDs e repartindo os custos.
Apesar do apoio, o grupo – formado por Gregório Salles, no vocal; Leo Cavalcante, na bateria; Júlio Boca, no baixo; e Eduardo Sauerbronn, na guitarra; acredita na ajuda das ferramentas da internet para alcançar o público. “Damos valor nas novas plataformas de lançamento virtual”, diz Gregório.
Serviço
Calourada UnB 2013 – Com shows de Raimundos, Wiliam e Marlon, Di Propósito e Surf Sessions. Amanhã, a partir das 22h30, no Centro Comunitário Athos Bulcão – Campus Universitário Darcy Ribeiro (UnB). Ingressos: R$ 30. Informações: 8101-9695. Não recomendado para menores de 16 anos.
Festival de Artes Integradas Sai da Lata – Com Dona Cislene, AlohaTomic, Rios Voadores, Scalene, Alf, Na Lata, Galinha Preta e Brasil Riddim. Amanhã, às 16h, no Museu da República (Esplanada dos Ministérios). Entrada franca. Informações: 9408-8787. Não recomendado para menores de 16 anos.