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Viva

Uma segunda chance

Arquivo Geral

11/09/2013 9h00

A segunda chance pode chegar de várias maneiras. No caso de Luciana Samarco, chegou por meio das palavras. Reincidente, a jovem de 22 anos, que está presa há um, tirou o primeiro lugar no Concurso Estudantil de Redação da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap), com o texto Mulher, Lute Contra a Violência.

 

A leitura e a escrita foram ferramentas para estimular a reflexão, o diálogo e a produção catártica e criativa de Luciana sobre a violência contra a mulher. Ao total, o concurso premiou 38 internos do Sistema Prisional, e os textos acabaram virando livro, intitulado Poemas, Crônicas e Dissertações.

 

Durante a entrevista, a detenta, que agora é também escritora, assume a paixão pelos livros. “Sempre gostei de ler e escrever. Na prisão, às vezes leio um livro em apenas quatro dias. Gosto de Sherlock Holmes, da saga Crepúsculo e da trilogia Cinquenta Tons de Cinza“, conta.

 

Ao comentar sobre a repercussão do concurso, ela logo abre um sorriso: “Minha mãe ficou orgulhosa com o resultado. Saiu falando para todos que tem uma filha inteligente”.

 

Mudar de vida

 

Cumprindo regime semiaberto, Luciana trabalha diariamente na Administração de Santa Maria onde obedece uma rotina de sete horas e recebe um salário mínimo.

 

“Quando a gente quer mudar de vida, não importam as barreiras. Sabia o que estava fazendo, tinha consciência do que já tinha passado. Na cadeia, temos muito tempo para pensar em tudo. Do lado de fora, a sociedade nos obriga a tomar decisões rápidas”, analisa a jovem — mãe de dois —, que ainda precisa cumprir dois anos e sete meses da condenação por tráfico de drogas no Presídio Feminino do Distrito Federal, conhecido como Colmeia.

 

A liberdade na leitura



Luciana explica que a superlotação torna a convivência difícil. “Em uma cela para 12 pessoas, chegam a conviver 30. A gente se amontoa, dormimos duas em cada cama. As outras se espalham pelo chão”, explica. “Uma quer assistir o Fantástico, a outra o Esporte Espetacular. Vamos tentando nos organizar. Apesar desses problemas, procuramos nos ajudar, somos muito unidas”, comenta bem-humorada.

 

“Geralmente, a mais velha da cela tem mais autonomia porque já puxou muita cadeia, e as outras escutam”, garante a moça, que sonha em estudar Direito quando for solta.

 

O diretor-executivo da Funap e idealizador do concurso, Adalberto Monteiro, ressalta a importância de iniciativas como essa que premiou Luciana. “É um meio de descobrir novos caminhos”, afirma Adalberto.

 

Nova chance

 

Atualmente, 1,7 mil internos estudam e trabalham fora dos presídios. Ele conta que 66 professores da Secretaria de Educação fazem parte do programa educativo prisional, que oferece ao preso uma chance de continuar (ou começar) os estudos. “As pessoas só precisam de uma oportunidade”, conclui.

 

Cultura no presídio

 

Algumas obras que se passam nas celas


Um Sonho de Liberdade, conto do livro As Quatro Estações, escrito por Stephen King

 

O Expresso da Meia-Noite, filme dirigido por Alan Parker 

 

Carandiru, livro de Drauzio Varella que originou o filme do cineasta Hector Babenco

 

O Beijo da Mulher Aranha, livro do argentino Manuel Puig

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