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Viva

Uma conversa com Tom Hanks e Richard Phillips

Arquivo Geral

10/11/2013 10h00

Durante cinco dias angustiantes em 2009, o capitão Richard Phillips foi mantido refém por piratas somalis. Agora, ele e Tom Hanks, que o interpreta em um novo lançamento cinematográfico, em cartaz nas salas da cidade, discutem bravura, medo e o momento em que uma pessoa comum se pega fazendo coisas extraordinárias.

 

Quando vocês dois se conheceram e sobre o que conversaram?


TOM HANKS: Eu fui visitá-lo na casa dele em Vermont; deve ter sido em março de 2012. Eu lhe perguntei sobre sua primeira experiência sendo uma celebridade e tour mundial que ele teve que fazer após o seu resgate. E também, sabe: “Como age o capitão de uma embarcação?” A resposta padrão capta o romantismo da vida no mar; de vez em quando você observa o horizonte e inspira profundamente. Mas se você fizesse isso no Maersk Alabama, basicamente, respiraria vapores do diesel. Então, (este papel) mostra sobretudo as pressões da rotina do dia a dia de trabalho levando mercadorias aos portos. 

 

CAPITÃO RICHARD PHILLIPS: Uma equipe de homens trabalhando juntos com o mesmo propósito; é basicamente isso.

 

E então a sua rotina foi interrompida pelo ataque pirata. Muitas pessoas podem se perguntar como elas se portariam naquela situação.

 

PHILLIPS: Uma coisa que eu aprendi é que nós somos mais fortes do que imaginamos. Eu estava com medo, mas você precisa colocar esse medo de lado e fazer o que é preciso fazer. Eu estava o tempo todo agindo em “modo de resolução de problemas”.

 

Tom, quando alguma coisa assim surge no noticiário, você pensa: “Isso daria um grande filme”?

 

HANKS: O que eu sempre penso é: “Isso terá de ser absurdamente exagerado para que se torne um filme? Ou podemos ser fiéis à conduta na situação real como ela se deu?” Um exemplo seria Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo. O filme acrescentou algumas bobagens, mas não muitas. Não acrescentaram nenhum vilão nem espiões.

 

PHILLIPS: Nem cenas de perse

 

Como foram as filmagens? Paul Greengrass também dirigiu Voo United 93, outro filme sobre uma crise da vida real em um espaço confinado (o avião que foi sequestrado em 11 de setembro e caiu na Pensilvânia).


HANKS: Naquele filme, eles rodaram o voo inteiro de manhã em tempo real, porque só tinha uma hora e meia de duração, no máximo. E depois, filmaram tudo de novo à tarde, com as câmeras em diferentes posições. É um método de trabalho fascinante, porque se baseia nos comportamentos e nos procedimentos, não to “Vamos rodar a tomada que demonstra isso”. Eu liguei para o Matt Damon, que fez os filmes Bourne com o Paul, e ele disse: “Olha, da primeira vez que você faz isso, é um desastre, porque todo mundo fala ao mesmo tempo. Mas aí tudo se ajusta”. Nós conseguimos filmar a maioria das cenas no passadiço, antes do embarque dos piratas. É uma coisa estranha – você quase não está atuando; está apenas reagindo.

 

Capitão Phillips, como o senhor se sentiu revivendo o incidente quando assistiu ao filme?

 

PHILLIPS: Para mim, não foi ruim. É algo que está no meu passado; eu não penso mais nisso. Eu tive a sorte de sobreviver àquilo, é assim que eu encaro o caso. A minha mulher chorou no final – o filme a comoveu. 

 

Tom, há uma responsabilidade especial em se interpretar uma pessoa real?

 

HANKS: Eu creio que sim. Muitas vezes, não está unicamente nas nossas mãos; você precisa estar de acordo com o cineasta quanto à filosofia básica. Eu acho que é importante não redefinir as motivações de alguém. (Num filme), as pessoas precisam fazer ou dizer coisas que elas nunca fizeram nem disseram, e estar em lugares onde nunca estiveram. Mas você pode levar isso a um extremo em que o que importa não é apenas o motivo que levou a pessoa a fazer o que ela faz, e isso é fundamental. Você precisa ser jornalista, historiador e cineasta, tudo ao mesmo tempo.

 

Os piratas somalis não são mostrados simplesmente como “os vilões”; a gente sente quem eles são como indivíduos e que estão sob grande pressão.

 

HANKS: O filme poderia facilmente ser sobre bandidos que são simplesmente malvados. A maioria dos filmes é assim. Mas a dinâmica de quem são esses quatro somalis e as pressões sobre eles são palpáveis — porque o Paul decidiu criá-los assim. Todos os atores que os interpretam vivem em Minneapolis, você sabe. Eles integram uma pequena comunidade local de somalis. Quando eu os conheci, nunca me senti mais fora de forma e um homem branco de meia-idade em toda a minha vida. [risos]

 

O que vocês esperam que as pessoas levem do filme?

 

HANKS: Eu diria que o Rich colocou isso muito bem: você sempre pode tentar fazer alguma coisa. Siga em frente. Continue tentando outras coisas.

 

PHILLIPS: Nada está acabado até você decidir desistir.

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