Imagine a seguinte situação: durante 12 horas de um único dia por ano, uma lei nacional permite que qualquer atividade ilegal possa ser cometida sem qualquer punição. Ela faz parte de um plano do governo para equilibrar a violência e servir para a população “limpar a alma” e a população dos indivíduos indesejados, como pobres e minorias.
É isso que acontece em Uma Noite de Crime, longa-metragem de James DeMonaco que estreia hoje nos cinemas. A trama se passa num Estados Unidos do futuro, onde os índices de violência foram reduzidos graças à iniciativa.
A trama é centrada na família de James Sandin (Ethan Hawke, de A Entidade), empresário que rabalha no ramo da segurança. Ele instalou um sistema que blinda as portas e janelas de sua casa, impedindo que qualquer pessoa entre ou saia do local. Uma forma aparentemente eficiente de transformar a mansão numa fortaleza contra qualquer intruso que possa atacar a família Sandin durante a noite de crime. Mas nem tudo sai conforme o planejado, ainda mais por se tratar de um filme de suspense.
Desperdício
A premissa do longa é interessantíssima e poderia render um longa ótimo nas mãos de outro cineasta. Mas, infelizmente, não é o que acontece. Apesar do início bem construído, com um clima de tensão crescente, o roteiro promissor desanda – resultando em apenas mais uma produção do gênero.
Além do desperdício potencial da história, outro ponto que incomoda são os personagens que beiram o estúpido: desencontram-se durante toda a projeção e mudam de opinião toda hora sobre o que fazer.
Uma coisa é certa: se o lado psicológico da trama fosse melhor trabalhado, seria um brilhante título que, além de assustar, faria o público questionar sobre a “limpeza” social necessária para a construção de uma sociedade perfeita e a natureza violenta dos seres humanos.
Manaus recebe festival
Andréia Castro
andreia.castro@jornaldebrasilia.com.br

Começa hoje a décima edição do 10º Amazonas Film Festival (AFF), que acontece tradicionalmente no Teatro Amazonas, em Manaus. Na programação, 49 filmes concorrem em quatro mostras competitivas divididas em: Internacional de Longa-Metragem, Curta-Metragem Brasil, Curta-Metragem Amazonas e Projeto Jovem Cidadão.
Este ano, o evento deve tirar o foco das celebridades, prometendo um festival mais focado nas produções audiovisuais. A novidade faz parte de uma série de mudanças promovidas pela Secretaria de Cultura de Manaus, responsável pela realização do AFF.
No total, são R$ 191 mil distribuídos para as quatro categorias, dos quais R$ 64 mil são para as mostras e R$ 127 mil para o VIII Concurso Amazonas de Roteiro Inédito para Produção de Curta Digital.
Na Mostra Internacional, produções da Alemanha, Itália, Espanha, Filipinas, Inglaterra, Estados Unidos, Índia, França, Afeganistão e Brasil. A cerimônia de abertura homenageia o presidente de honra, Roberto Farias, responsável por filmes como Assalto ao Trem Pagador (1962).
Vitrine
O secretário de Cultura de Manaus, Robério Braga, que também coordena o festival, não esconde a ansiedade. “A grande prova de que a cultura amazonense é, sem dúvidas, uma vitrine para o Brasil, é o sucesso não só do Amazonas Film Festival, mas também de outros eventos que rendem louros diante do cenário mundial, contemplando e reconhecendo o talento natural do nosso povo”, ressaltou.