Renata Noiar
Especial para o Jornal de Brasília
Um dos mais populares escritores do País será homenageado hoje, às 20h, na II Bienal do Livro e da Leitura de Brasília. Dramaturgo, romancista e poeta, Ariano Suassuna está em Brasília para receber as honrarias. Ele ministra ainda uma palestra para os sortudos que resolverem prestigiar o evento esta noite na Praça do Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios).
Suassuna nasceu em João Pessoa, em 1927. Sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol, data de 1942, ano em que o autor mudou-se para Recife. Seguiram-se Os Homens de Barro, Auto de João da Cruz, Torturas de um Coração, O Arco Desolado e O Auto da Compadecida, entre outras. Esta última, lançada em 1955, projetou o escritor nacionalmente. Anos depois, em 1962, a obra seria considerada pelo crítico Sábato Magaldi o texto mais popular do moderno teatro brasileiro.
O elogio é certeiro. A obra de Suassuna influenciou a maneira como se pensava artes cênicas, levando a cultura popular dos cordéis nordestinos para os palcos. O dramaturgo se transformou então em uma espécie de embaixador da língua, literatura e cultura popular tupiniquim.
Compilação
Para o professor da Universidade Católica, Wilian Alves Biserra – especialista na obra de Suassuna –, o autor faz parte de um grupo muito especial de brasileiros que buscaram pensar o Brasil a partir de sua origem ibérica. “Ariano costuma dizer que sua obra é uma compilação da obra de grandes mestres que, como ele, se debruçaram na nossa tradição popular. Entre eles, Câmara Cascudo e Leonardo Mota, dois grandes pesquisadores desse Brasil”, explica. De acordo com Wilian, se o País quiser olhar para si, terá de passar necessariamente por Suassuna. “Ele nos permite resgatar a identidade brasileira”, finaliza.