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Viva

Ué! Cadê o público?

Arquivo Geral

01/12/2012 11h14

Cancelamento do show da cantora Fiona Apple. Cancelamento do set de will.i.am na abertura de Madonna. Cancelamento do show do Sublime with Rome. Cancelamento do concerto do Coldplay, três dias após o anúncio da turnê.

Lady Gaga vendendo apenas metade dos ingressos disponíveis para seus shows no Brasil. E, mais recentemente, um baque no orgulho da Rainha do Pop: Madonna desembarcou ontem no Brasil para a 77ª apresentação da MDNA Tour fazendo uma insólita promoção de entradas – preço do ingresso para seu show caiu pela metade. Em sua última visita, houve filas homéricas e os ingressos tinham se esgotado em apenas 24 horas.

A bruxa anda solta no reino do showbiz. Após anos de euforia no setor – e do estabelecimento de três gigantes da área no Brasil, a T4F, a Geo Eventos e a XYZ Live –, o mercado vê um recuo nas pretensões de expansão. Festivais que chegaram a reunir 179 mil pessoas, como o SWU, sumiram da grade de programação do ano. Observadores já anteveem uma crise na área.

 

Dura realidade

 

No dia 9 de novembro, no Rio de Janeiro, Lady Gaga demonstrou não ser totalmente alienada à situação do showbiz. “Eu sei o quanto são caros os ingressos do meu show. Eu agradeço aos que vieram, gastaram seu dinheiro e pagaram esse preço”, afirmou a cantora, durante sua apresentação no Parque dos Atletas. O show recebeu menos da metade do público esperado, que só compareceu após uma promoção relâmpago que dava direito a comprar um ingresso e levar outro de presente.

O mercado nacional precisa achar sua própria fórmula de sobrevivência se quiser continuar crescendo – e fazendo a América Latina crescer. Para a maior empresa do ramo, a T4F, o ano de 2011 foi de recordes: realizou 396 apresentações de música ao vivo, com mais de dois milhões de ingressos vendidos (um crescimento de 14% sobre as 348 apresentações e 1,8 milhão de ingressos de 2010). Os números de 2012 ainda não estão fechados, mas não devem repetir o êxito.

 

Alto preço dos ingressos desmotiva

 

O panorama de inflação nos preços de ingressos é preocupante, e mostra que o custo das entradas para shows internacionais no Brasil explodiram nos últimos dez anos, chegando a ter, em média, um valor quatro vezes superior ao que era praticado em 1998.

Para o público, no entanto, nada muda: o que se vê é um cenário de aviltamento do mercado. Há ainda, em especial no Brasil, as condições externas ao concerto complicando tudo. Shows no Estádio do Morumbi, em São Paulo, por exemplo, são palco de abuso de preços de estacionamentos, táxis, alimentação, segurança.

Claro que nem todos os cancelamentos de shows no Brasil em 2012 se devem a um recuo em relação às condições dos shows na América Latina. O grupo britânico Coldplay chegou a anunciar seu retorno ao País para o próximo ano, com dois shows, parte da divulgação do disco Mylo Xyloto. Três dias após esse anúncio, a banda cancelou sua turnê latino-americana, alegando problemas internos no quarteto.

 

Pense Nisso


Muito se tem falado sobre o Estádio Nacional de Brasília como palco de mega-atrações vindas de outros países como justificativa para o pouco uso do mesmo depois da Copa do Mundo. Diante desta fase amarga que enfrenta o cenário de grandes shows internacionais, fica a dúvida: será que o novo espaço não se tornará um elefante branco? O que a população mais precisa, antes de novas casas para shows de grande porte, é de ingressos para essas atrações a preços mais acessíveis.

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