Os traços retilíneos característicos de Brasília e o canteiro de obras que permeou – e ainda permeia – a expansão da capital federal para as regiões administrativas têm ganhado cada vez mais cor graças aos grafites, inscrições artísticas gravadas sobre diferentes superfícies das ruas da cidade.
Por muito tempo comparado com pichação, o grafite se incorporou no rol das artes visuais urbanas. Pelos quatro cantos, o Distrito Federal exala a arte urbana dos grafiteiros. Seja em uma simples placa revitalizada na UnB, ou em centros de cultura, caso do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). O grafite está por toda parte.
O coordenador-geral da Rede Urbana de Ações Socioculturais (R.U.A.S), Antônio de Pádua, acentua a importância do grafite em Brasília. “É um meio de inserção social. São tantas as obras espalhadas pela cidade que é impossível precisar um número, principalmente pelo caráter efêmero do grafite”, ressalta.
Segundo Antônio, a Praça do Cidadão, localizada em Ceilândia Norte, é um dos pontos de maior concentração desse tipo de intervenção urbana. Na pracinha, vê-se grafite nas residências, nos muros e até na farmácia popular do local. “A cidade e a população clamam pela intervenção da bela arte. Foram os próprios donos da farmácia que pediram para que os grafiteiros deixassem sua marca por lá”, conta.
Grafitaço
Artista, grafiteiro e responsável pela pintura de várias intervenções urbanas espalhadas por Brasília, Julimar Pereira dos Santos relembra alguns momentos marcantes do grafite na história da cidade, como o primeiro Grafitaço, realizado em 2011. O evento reuniu mais de cem grafiteiros para pintar os tapumes que envolviam a construção do novo Estádio Nacional Mané Garrincha. “A ação representava a contagem regressiva dos mil dias que antecediam a Copa do Mundo”, explica.
Outro grande evento de ação urbana foi realizado no aniversário de Brasília do ano passado. Em homenagem ao título de Capital Ibero-americana da Juventude , a festança, um mutirão de jovens grafiteiros ocupou o Museu da República para construir a chamada Praça Ibero-americana da Juventude. “Foi uma linda ação”, diz Julimar.
Co-produção feita em spray
O famoso muro do Espaço Cultural Renato Russo é um marco da arte do grafite na cidade. Em uma ação realizada em 2009, em comemoração ao ano da França no Brasil, o centro cultural ganhou contornos e coloridos que permanecem (quase) inalterados até os dias de hoje. Produtora cultural e coordenadora do evento intitulado O Encontro! Arte Urbana em Brasília, Tereza Rolemberg explica como foi realizada a obra, que contou com o apoio do GDF: “Reunimos em torno de oito grafiteiros brasileiros e quatro franceses para pintar o espaço. Foram dias grafitando, mas o resultado valeu muito a pena”. Segundo ela, algumas ações individuais de grafiteiros foram feitas após a data mas, no geral, o Renato Russo ainda conta com vários traços deixados pelo evento.
Saiba Mais
Sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a Lei 12.408 de 2011 regularizou a prática do grafite.
Segundo detalha a lei, a prática do grafite é permitida desde que consentida pelo proprietário particular e autorizada pelo órgão competente, observadas as normas de conservação do patrimônio histórico a artístico nacional.
A Rede Urbana de Ações Socioculturais – R.U.A.S trabalha desde 2007 com a revitalização de espaços públicos e inserção de jovens na sociedade por meio da arte urbana.
Antes representados pela extinta Cufa – DF (Central Única das Favelas), que hoje só existe em âmbito nacional, o R.U.A.S, foi oficializado como instituição no último dia 12 de abril.
Sorriso como ponto de partida