Preciosidades do patrimônio cultural brasileiro passam despercebidas aos olhos dos brasilienses. Muitas dessas obras ficam reclusas em reservatórios de conservação ou estão guardadas por falta de espaço para exposição.
A Galeria de Arte do Banco Central abriga em sua reserva técnica obras de artistas renomados como Candido Portinari, Aldemir Martins, Alfredo Volpi, Clovis Graciano, Emanoel Araújo, Maciej Babinski, Marcelo Grassmann, Milton Dacosta entre outros.
Segundo a analista do Banco Central, Dulce Mourão Sabino Rodrigues, o resguardo das obras em uma reserva faz parte das medidas de conservação e preservação. “Após um período de exposição é necessário guardá-las ao abrigo da luz e em condições adequadas de temperatura e umidade. Não é recomendado, portanto, que as obras fiquem todas em espaços expositivos o tempo todo”, explica.
Manutenção
Pontualmente, acontecem manutenções de maior valor, como o restauro dos 15 quadros de Portinari, que aconteceu entre 2007 e 2008, e a higienização das obras em papel, realizada em 2011, como parte de projetos específicos do acervo.
As relíquias que estão guardadas, podem ser cedidas para exposições de espaços culturais, públicas e privadas. “Elas estão à disposição para exposição em instituições que formalizarem seu interesse, desde que sejam reconhecidas no meio cultural e arquem com as despesas de seguro e transporte”, afirma a analista.
Espaços mal aproveitados e suas soluções
Para o especialista em monumentos de Brasília, Frederico Flósculo, o Plano Piloto abriga diversos ambientes que são espaços culturais em potencial, mas que se encontram em situação de total abandono ou mal ocupados, a exemplo do Touring Club do Brasil, projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, inaugurado em 1962. “Ele tem uma acessibilidade excepcional por ser localizado no Setor Cultural Sul, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto. Apesar disso, não é nada aproveitado”, aponta.
Segundo ele, a situação se estende pelo paredão do Setor Bancário Sul e Norte até o Conic. “Entre o Touring e o Buraco do Tatu há uma caixa vazia que poderia virar facilmente uma galeria cultural. Isso contribuiria para a revitalização do centro da capital”, afirma Frederico.
O professor também ressalta que o DF tem vários pontos ideais para se construir galerias. “A W3 Sul e Norte poderiam ter um vasto corredor cultural, por exemplo. Bem localizadas, as vias possuem todo o suporte necessário”, opina.