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Teatro: Reconhecimento lá fora

Arquivo Geral

20/02/2014 8h01

Mesmo com reconhecimento em outros países, companhias teatrais brasilienses são desvalorizadas na cidade. O descaso resulta em diversas dificuldades para se manter na ativa, e, também, se torna um dos principais motivos para desistir do sonho. No ano passado, os grupos Idiossincrasia e In-Provisório estiveram presentes em grandes festivais da América Latina, mas agora, as dificuldades para seguir em frente são maiores.

A primeira apresentação internacional abriu portas para o grupo Idiossincrasia, de Samambaia. O convite para participar do Primer Encuentro de Artes Escénicas (Tropiconce) se deu por meio de um espetáculo que a companhia apresentou em 2011, no 9º Festival Itinerante y Encuentro Popular (Fietpo). O grupo La Otra Zapatilla estava presente, gostou do que viu e quando surgiu a oportunidade os convidou para participar do encontro. Para essa viagem, o grupo recebeu apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, e da Administração de Samambaia.

Neste ano, o Idiossincrasia recebeu novo convite do Fietpo e deveria embarcar rumo ao Peru em julho, porém não será possível. “Dependemos de recursos para viajar com segurança. Não podemos arcar com tudo sozinhos, e retornar sem dinheiro, também temos uma vida a seguir por aqui”, destaca o coordenador do grupo Elison Oliveira.

A companhia, que trabalha com humor relacionado a aspectos culturais, apresentou três montagens no Chile: Roubo, ou Pra Não Dizer Artigo 157…, Tchu Plac, Tchu Plic, e Gula: 10 Minutos para o Vermelho.

Cada um para seu lado

 Quem também deu umas voltas fora do País foi o grupo In-Provisório. Em janeiro de 2013, a garotada participou de um dos maiores festivais latinos de teatro, o Entepola, que realizou sua 27ª edição no Chile. Sem ajuda de custo para viajar, os integrantes tiveram de recorrer ao próprio bolso. Mas, neste ano, a história não se repetiu. O grupo se dispersou, cada integrante procurou seu rumo e uma oportunidade de emplacar sua arte. “Nos separamos, cada um de nós está se dedicando às suas linhas de pesquisa. Não tivemos como viajar novamente por falta de verba”, destaca a produtora cultural Helen Dieb.

A vivência de se apresentar em palcos estrangeiros é um tanto positiva, desafiadora e rica para os artistas. “Quando saímos do nosso País levamos o conhecimento e a noção que temos daqui. Ao chegar lá, nos deparamos com o quão diferente são as coisas”, explica o ator Albert Carneiro.

Essa foi a segunda vez que a companhia participou do festival. Eles apresentaram Sentimento Só, inspirado em quadros de Frida Kahlo. “É uma experiência fantástica, intercâmbio de conhecimento artístico e cultural”, diz Carneiro.

Saiba Mais

  Ano retrasado o grupo Idiossincrasia enviou um projeto ao Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Ainda há expectativa de que seja aprovado. A ideia da trupe é  circular entre as regiões administrativas como Taguatinga, Sobradinho e Recanto das Emas levando teatro e oficinas para a população. 

As apresentações serão nas escolas, privilegiando o público infantil e adulto, que têm aulas no período noturno.

Albert Carneiro, ex-integrante do grupo In-Provisório, conta que, como ator, percebe que existem diversas pessoas empenhadas em fazer arte e produzir teatro também, e na maioria das vezes não possui incentivo financeiro.  Segundo ele, existem várias formas de articulação de fomento a arte, mas considera que não é suficiente. Para Carneiro, toda a produção que acontece é movida pelo amor à arte.

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