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Teatro e Dança

Zona Franca volta a Brasília e celebra a dança brasileira como espaço de mistura e identidade

Cia. Suave apresenta espetáculo na Caixa Cultural entre 1º e 3 de outubro e aposta no encontro entre danças urbanas, referências populares e criação contemporânea

Larissa Barros

30/09/2026 6h00

Atualizada 29/09/2026 23h00

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Foto: Renato Mangolin

Depois de passar por palcos no Brasil e no exterior, o espetáculo Zona Franca, da Cia. Suave, volta a Brasília entre os dias 1º e 3 de outubro. A temporada na Caixa Cultural marca mais um capítulo na trajetória da companhia carioca, que há anos pesquisa a aproximação entre a dança contemporânea e diferentes manifestações das danças urbanas e populares brasileiras.

Para a diretora e coreógrafa Alice Ripoll, o espetáculo não chega à capital da mesma forma que estreou. Desde a primeira apresentação, Zona Franca acumulou temporadas e experiências em diferentes cidades, principalmente fora do país. Esse percurso, segundo ela, contribuiu para o amadurecimento do trabalho. “O espetáculo já estava pronto quando estreou, então ele teve uma vida muito bonita de muitas apresentações pelo Brasil, principalmente fora do Brasil. Então ele segue se aperfeiçoando e está seguindo uma trajetória muito bonita desde lá até agora”, conta Alice.

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Foto: Renato Mangolin

No palco, o passinho aparece como uma das principais referências, mas não está sozinho. O trabalho também incorpora elementos de dança contemporânea, como teatro e danças afro. Para Alice, a diversidade de linguagens não representa uma dificuldade para a companhia. Pelo contrário, é parte da identidade construída desde os primeiros trabalhos. “Essa mistura já é uma certa marca”, explica. A coreógrafa tem formação em dança contemporânea, enquanto os integrantes do grupo chegam com experiências diferentes. A curiosidade dos próprios bailarinos por outras linguagens também alimenta o processo de criação.

A proposta faz com que os intérpretes não sejam apenas responsáveis por executar uma coreografia. Eles participam da construção do espetáculo e levam para a cena referências de suas próprias vivências. “Eles são co-criadores, eles estão se expressando também”, afirma Alice. Para ela, essa presença individual contribui para aproximar quem está assistindo. “O público sente que está conhecendo artistas ali e não só assistindo a um espetáculo de dança”. 

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Foto: Renato Mangolin

É justamente esse reconhecimento que a coreógrafa diz gostar de observar nas apresentações realizadas no Brasil. Em um país onde novas formas de dançar surgem constantemente, a companhia procura acompanhar essas transformações e incorporá-las à pesquisa. “A gente mistura tantos estilos brasileiros por uma juventude que reinventa dança a cada mês, a cada dois meses aparece um estilo de dança diferente no Brasil”, diz.

O resultado é uma obra que procura dialogar com diferentes gerações e experiências, sem abandonar a pesquisa contemporânea. Ao mesmo tempo em que leva manifestações brasileiras para palcos internacionais, a Cia. Suave busca manter uma relação mais próxima com o público de seu próprio país.

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Foto: Renato Mangolin

A companhia já passou por festivais e instituições internacionais, como o Kunstenfestivaldesarts, em Bruxelas; o Wiener Festwochen, em Viena; o Festival d’Automne à Paris e o Centre Pompidou, em Paris; e o BAM, em Nova York. Para Alice, no entanto, cada apresentação no Brasil tem um significado particular. “Nós somos uma companhia brasileira que pesquisa as danças brasileiras misturadas com dança contemporânea. A gente pode dizer que faz uma dança contemporânea brasileira”, afirma.

A volta a Brasília ganha, nesse sentido, uma importância que vai além de mais uma apresentação na agenda. A coreógrafa defende que a circulação de espetáculos pelo país precisa ser acompanhada de continuidade. Para ela, retornar às mesmas cidades ajuda a criar uma relação mais duradoura com quem assiste. “Se a gente vai numa cidade e depois não volta mais ou vai voltar 15 anos depois, a gente não conseguiu construir uma relação com aquele público. Foi um evento pontual”, avalia.

É por isso que a temporada brasiliense, um ano depois da primeira passagem de Zona Franca pela capital, é vista por Alice como uma oportunidade de continuar esse vínculo. A intenção, diz ela, é que o público reconheça o trabalho, recomende a outras pessoas e tenha vontade de voltar. “Se você faz uma apresentação numa cidade e volta no ano seguinte ou dois anos depois ou três anos, cinco anos que seja, você tem um público que vai lembrar, vai espalhar no boca a boca, vai querer rever. E aí a gente está realmente começando a construir uma relação com o público”. 

Serviço
Zona Franca – Cia. Suave
Local:
Caixa Cultural Brasília – SBS Quadra 4, Lotes 3/4, Asa Sul
Data: 1º a 3 de outubro
Horário: 20h
Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)
Classificação: 16 anos
Duração: 70 minutos

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