Nesta semana, de quinta (20) a domingo (23), está em cartaz o espetáculo Um Precipício no Mar, na CAIXA Cultural Brasília. O monólogo, do ator Ângelo Antônio, com texto de Simon Stephens e direção de Gabriel Fontes Paiva, fala sobre a vulnerabilidade masculina e aborda temas como paternidade, masculinidade e existencialismo contemporâneo de maneira sutil e humanizada.
O monólogo começa com uma história cotidiana, onde o fotógrafo Alex faz uma visita a seu sogro na casa de praia dele durante um feriado. Nesse contexto, a peça reflete sobre religião, crenças, relacionamentos, família, fotografia e os desafios e alegrias de ser pai. Ao final de cada sessão, Ângelo Antônio conduz um bate-papo com o público. Renomado no mundo das artes cênicas, ele já atuou em mais de 30 novelas, quase 20 filmes e 10 peças teatrais.

Depois de estrear no Rio de Janeiro e passar pelo estado de São Paulo, a peça delicada, elegante e cativante, chega ao DF com um retrato do personagem de forma escancarada. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o diretor Gabriel Fontes Paiva explicou: “O mais tocante para mim é porque esse personagem está com a caixa torácica aberta para o público. É um personagem completamente a amostra e, com isso, também ele representa a fragilidade da vida humana”.
O título do monólogo surge do momento em que o sogro do personagem o convida para conhecer o precipício do mar, mas segundo Gabriel, é muito mais do que isso. “O precipício é uma metáfora, um resumo do que é o espetáculo. Esse sogro acabou apresentando para ele [Alex] o grande precipício da vida”, destaca ao JBr.

A ideia de encenar o monólogo surgiu quando o diretor pesquisava sobre novas masculinidades para a montagem de “Neste Mundo Louco” e “Nesta Noite Brilhante”, do Grupo 3 de Teatro – fundado por ele em 2005, ao lado das atrizes Yara de Novaes e Débora Falabella.
“Na investigação para estas peças, que tratavam principalmente sobre a violência contra a mulher, fui provocado na leitura das feministas Rebecca Solnit e Virginie Depentes a repensar o lugar do homem na sociedade patriarcal. E, na época, fui surpreendido e muito impactado pela peça de Simon Stephens”, finaliza.

Para Gabriel, a importância de tratar o tema da vulnerabilidade masculina no teatro se dá pelo fato de ser um local que gera reflexão, algo que tem sido observado durante os bate-papos após o show. “A gente vê como que o público consegue enxergar as nuances e todas as a complexidade desse texto”, relata. Para instigar a curiosidade do público, ele brinca: “Não queremos dar muito spoiler, porque se fizermos isso, perde o sentido”.
O texto do dramaturgo inglês Simon Stephens vai de um início feliz até um evento trágico, que muda a vida do personagem para sempre, o levando ao desespero, com a atuação singular de Ângelo Antônio. A narrativa, elogiada pela crítica mundial, é profunda, intimista e poderosa, com diversas questões existenciais tratadas de forma subjetiva até o final, quando tudo fica explícito.
O espetáculo Um Precipício no Mar, agora em uma curta temporada na capital do país, conta com tradução de Pedro Brício, e trilha sonora de Luísa Maita. A direção técnica é de André Prado e o figurino é de Ana Luiza Fay. A peça foi indicada ao prêmio Shell de melhor iluminação e sucesso de público e críticas.
SERVIÇO
Local: Teatro da CAIXA Cultural
Data: 20 a 23 de novembro
Horário: quinta a sábado às 20h; domingo, às 19h
Classificação Indicativa: não recomendado para menores de 12 anos
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia) | À venda a partir de 15 de novembro: às 9h, na bilheteria do teatro; às 13h, no site bilheteriacultural.com.br