Com mais de 60 mil espectadores e sessões esgotadas em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, Torto Arado – O Musical desembarca em Brasília para quatro apresentações entre nesta sexta-feira (21) até domingo (23), no Sesc Ceilândia. Dirigido pelo cineasta e dramaturgo Elísio Lopes Jr, conhecido pelos roteiros de Medida Provisória e Ó Paí, Ó 2, o espetáculo adapta a obra premiada de Itamar Vieira Junior, publicada em 2019 e traduzida para 31 idiomas.
A versão teatral, assinada pelos dramaturgos Aldri Anunciação e Fábio Espírito Santos, ao lado do diretor-geral, foi indicada em 10 categorias do 36º Prêmio Shell de Teatro e propõe uma imersão sensível e política na ancestralidade afro-brasileira.


A força das personagens
No palco, 22 artistas dão vida às camadas espirituais, sociais e afetivas da trama ambientada no sertão da Chapada Diamantina. As protagonistas Bibiana e Belonísia — filhas de trabalhadores rurais em condições análogas à escravidão, marcadas por um acidente na infância — são interpretadas por Larissa Luz e Bárbara Sut. O trio central se completa com Lilian Valeska, que vive Donana, avó das irmãs e personagem criada especialmente para a adaptação.
Para Larissa Luz, construir Bibiana exigiu mais que preparação técnica: demandou mergulho em histórias reais de mulheres que sustentam territórios inteiros. “Para construir Bibiana, eu precisei acessar uma força feminina que me levou a buscar referências em mulheres reais. Fui escutar mulheres quilombolas, lideranças femininas que defendem suas comunidades, articulam saberes, enfrentam desafios enormes e continuam produzindo futuro. Também me inspirei muito nas professoras — figuras centrais na transformação de qualquer lugar. E, inevitavelmente, veio minha mãe, que me ensinou firmeza e doçura ao mesmo tempo. Bibiana nasceu desse mergulho”, afirma.
Ancestralidade, espiritualidade e resistência como norte
Larissa reforça que os pilares que estruturam sua trajetória artística encontram eco profundo na poética do espetáculo. “Esses temas são minha espinha dorsal. Minha trajetória sempre dialogou com a ancestralidade como fonte de saber, a espiritualidade como orientação e a resistência como prática cotidiana — especialmente num corpo negro. Torto Arado – O Musical conversa diretamente com isso: honra quem veio antes, revisita feridas e celebra as potências da terra, da religiosidade e das tradições comunitárias. Estar aqui é continuar o caminho de fazer da arte uma ferramenta de memória, afeto e transformação.”
A potência de levar “Torto Arado” à Ceilândia
A chegada do espetáculo à Ceilândia carrega simbolismos importantes para a atriz. “Apresentar esse espetáculo em Brasília é simbólico porque é levar ao centro político do país uma história que nasce das bordas, da terra, das lutas que o Brasil insiste em não enxergar. E fazer isso na Ceilândia tem uma potência gigante. É um território de resistência, de cultura pulsante, de gente que recria força todos os dias. A obra chega quase como um espelho: mostrando dores que ecoam, mas também potência, comunidade e futuro.”

Música, corpo e espiritualidade como dramaturgia
A direção musical e os arranjos são assinados por Jarbas Bittencourt, diretor musical do Bando de Teatro Olodum desde 1996, que constrói a trilha a partir das sonoridades do sertão e de composições inéditas criadas para expressar as contradições que atravessam as personagens.
A direção de movimento é de Zebrinha, referência do Bando de Teatro Olodum, do Balé Folclórico da Bahia e jurado da Dança dos Famosos. No palco, o Jarê, religião de matriz africana e indígena que permeia todo o romance, ganha corpo e simbolismo por meio da dança, funcionando como fio condutor entre corpo, som e espiritualidade.
SERVIÇO – Torto Arado – O Musical no DF
Onde: Sesc Ceilândia (DF)
Datas e horários:
21 de novembro (sexta) – 19h
22 de novembro (sábado) – 15h e 19h
23 de novembro (domingo) – 18h
Ingressos: R$10 (inteira) e R$5 (meia)
Vendas: Bilheteria do Sesc Ceilândia e no link sescdf.com.br/web/eventos
Classificação indicativa: 15 anos