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Teatro e Dança

Simplesmente Eu, Clarice Lispector retorna a Brasília celebrando 15 anos de trajetória

Em nova temporada em Brasília, Beth Goulart revisita Clarice Lispector em um espetáculo que atravessa tempo, memória e autoconhecimento

Aline Teixeira

07/11/2025 5h00

simplesmente eu, clarice lispector crédito fabian

Foto: Fabian

Neste fim de semana, o premiado espetáculo Simplesmente Eu, Clarice Lispector volta a Brasília para uma nova temporada no teatro Royal Tulip. Idealizado, concebido e protagonizado por Beth Goulart, a peça estreou nacionalmente na capital em 2009 e já percorreu quase 300 cidades e foi assistida por mais de 1,3 milhão de espectadores.

A montagem nasceu de uma imersão profunda de Beth na vida e na obra de Clarice, baseada em entrevistas, depoimentos e correspondências da escritora, além de fragmentos de obras como Perto do Coração Selvagem, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres e os contos Amor e Perdoando Deus. Em cena, Beth entrelaça Clarice e quatro personagens femininas que representam diferentes fases da escritora e de seu pensamento: Joana, Lori, Ana e a mulher sem nome.

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Foto: Fabian

A atriz descreve esse processo como um mergulho afetivo. “Cada momento em que eu entro em contato com a literatura de Clarice é uma transformação. A intensidade das palavras dela parece ter um poder mágico, capaz de nos revelar a nós mesmos enquanto revela suas personagens. A obra de Clarice primeiro me olhou por dentro, e depois me convidou a olhar para dentro dela”, afirma.

Esse impacto emocional guiou também a criação do espetáculo. Beth costuma dizer que “ficou grávida de Clarice” — uma metáfora sobre como a obra foi gestada dentro dela. “Eu me alimentei de todas as informações que descobri sobre Clarice. Deglutir, absorver, transformar. Foi um processo de antropofagia. O resultado é o encontro entre ela e a minha visão de mundo, entre a alma dela e a minha”, diz.

A força que atravessa o tempo

Mais de uma década após a estreia, o espetáculo segue atraindo novas plateias — e novas gerações. Para Beth, isso diz muito sobre Clarice. “Clarice é uma autora atemporal. Ela ultrapassa seu próprio tempo porque fala sobre aquilo que é universal. Por isso, um espetáculo criado há 15 anos permanece atual — ele continua ecoando nas pessoas de hoje”, explica.

A atriz destaca também como a obra tem aproximado jovens do teatro: “Muitas pessoas dessa nova geração vão ao espetáculo porque descobriram Clarice primeiro pela literatura ou pelas redes. E acabam descobrindo também a potência do teatro, essa experiência ancestral em que um ser humano está diante do outro. Clarice traz o público de volta ao humano”.

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Foto: Fabian

Uma celebração de percurso

A nova temporada marca também os 50 anos de carreira de Beth Goulart. Simplesmente Eu, Clarice Lispector foi escolhido como símbolo dessa trajetória. “Este espetáculo não me coloca apenas como atriz, mas como criadora. Ali estão minha dramaturgia, minha concepção, minha direção de movimento, minha interpretação. É um trabalho que me apresenta inteira ao público”, afirma.

Ao longo dos anos, a peça ganhou camadas. “Hoje, ele é outro. O tempo muda tudo. Eu vivi perdas profundas, como a partida dos meus pais, e todos nós passamos pela experiência da pandemia. Então, quando falo sobre a morte, sobre o amor, sobre o silêncio… eu falo de outro lugar. A maturidade traz outra dimensão às palavras de Clarice.”

simplesmente eu, clarice lispector crédito lenise pinheiro
Foto: Lenise Pinheiro

Atmosfera cênica

A cenografia minimalista dialoga com a iluminação delicada de Maneco Quinderé, criando um espaço onírico que evoca silêncio, luz e introspecção. A trilha sonora original de Alfredo Sertã — inspirada em Erik Satie, Arvo Pärt e Astor Piazzolla — reforça a atmosfera sensorial da montagem. A direção de movimento é de Márcia Rubin, o figurino é de Filipecki e o cenário é assinado por Ronald Teixeira e Leobruno Gama. A supervisão artística é de Amir Haddad, que acompanhou o processo de ensaios.

Serviço:
Simplesmente eu, Clarice Lispector
Local: Teatro Royal Tulip – SHTN Trecho 1 Conjunto 1 B – Bloco C
Dias 7, 8 e 9 de novembro
Horários: sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h
Capacidade: 420 poltronas e 80 cadeiras extras
Ingressos: partir de R$ 25
Bilheteria: Belini 113 Sul (sem taxas), ou em https://bileto.sympla.com.br/event/109940/d/337302
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 min

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