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Teatro e Dança

Sem Osso investiga os limites e as possibilidades do corpo em cena

Solo de dança contemporânea dirigido por Édi Oliveira e interpretado por Lívia Bennet será apresentado de 7 a 12, no Teatro Engrenagem, em Brasília

Aline Teixeira

07/10/2026 17h08

sem osso livia bennet ft. elise milani 6

Foto: Elise Milani

Até onde o corpo consegue ir quando é colocado diante de seus próprios limites? É a partir dessa pergunta que se desenvolve Sem Osso, solo de dança contemporânea interpretado por Lívia Bennet e dirigido por Édi Oliveira. O espetáculo será apresentado de 7 a 12 de outubro, no Teatro Engrenagem, na 708 Norte, e integra o projeto MECÂNICORGANICO.

Em cena, o corpo deixa de ser apenas instrumento da dança e passa a ocupar o centro da investigação. Sem projeções, vídeos ou recursos tecnológicos, a montagem aposta na fisicalidade da intérprete para explorar movimentos, quedas, contrações, deslocamentos e diferentes estados corporais.

A proposta surgiu durante o próprio processo de criação. Inicialmente, o espetáculo investigaria a relação entre corpo e novas tecnologias, mas o desenvolvimento da pesquisa levou a equipe a concentrar a atenção naquilo que o corpo da intérprete poderia revelar por si só. O resultado é uma investigação sobre potência, fragilidade, resistência e sobre a capacidade de ultrapassar padrões de movimento já conhecidos.

Para Lívia Bennet, a pesquisa artística também dialoga diretamente com sua experiência pessoal. A bailarina convive com uma hérnia cervical e uma protrusão lombar, condições que vêm sendo tratadas desde janeiro. A preparação para o espetáculo inclui fisioterapia, fortalecimento muscular, acompanhamento nutricional e períodos de descanso.

“Descobri que meu corpo enfrenta limites diários, não somente por conta de dores musculares pela intensidade que o trabalho me propõe a investigar, ou pelas lesões já adquiridas ao longo dos anos, mas também pela qualidade de movimento em momentos específicos, onde meu corpo não está habituado a se mover”, explica.

Segundo a intérprete, o processo também permitiu reconhecer novas possibilidades em meio às limitações. “Nesse trabalho precisei acessar, investigar e observar para que fosse possível entender tais caminhos. Mas percebi também, diante disso, o quão potente e expressivo esse corpo é capaz de ser”, afirma.

A rotina de preparação tornou-se parte da própria pesquisa. Lívia realiza fisioterapia uma ou duas vezes por semana, com foco na coluna e na cervical, além de manter uma rotina de fortalecimento muscular de quatro a cinco vezes por semana. O acompanhamento nutricional e o descanso também fazem parte da preparação.

“Tenho sido acompanhada por um nutricionista e meu descanso aos domingos é inegociável”, relata.

A dramaturgia de Sem Osso parte de referências filosóficas relacionadas à ideia de “corpo sem órgãos” e propõe a noção de um possível “corpo sem osso”. A imagem sugere um corpo capaz de dilatar seus limites, romper estruturas rígidas e experimentar outras formas de existência.

Nesse contexto, a queda ocupa um lugar importante na linguagem do espetáculo. Mais do que representar fragilidade, ela aparece como possibilidade de transformação, resiliência e descoberta de novos caminhos para o movimento.

Criação

A montagem é resultado de uma parceria que levou cerca de dez anos para ser concretizada em razão de desencontros de agenda. O espetáculo integra uma sequência de trabalhos desenvolvidos por Édi Oliveira entre 2024 e 2026 e reúne uma pesquisa de longa duração sobre o corpo à experiência de Lívia como intérprete.

Para o diretor, o processo de criação parte justamente da relação entre domínio técnico e vulnerabilidade.

“Lívia é uma intérprete que tem consciência do potencial de seus recursos técnicos, mas que também conhece suas fragilidades e vulnerabilidades que, de certo modo, fazem parte da dramaturgia do espetáculo”, afirma Édi.

Segundo ele, essa característica contribui para a construção da obra. “Isso tem gerado, no processo criativo, uma fluência nas etapas de criação e nos experimentos, e tem me provocado, como diretor, a buscar estratégias para conduzir essa intérprete a lugares de performatividade que sejam desafiadores, instigantes e prazerosos”, completa.

Atriz, bailarina e professora, Lívia Bennet integrou o Basirah Grupo de Dança Contemporânea entre 2000 e 2012 e a Foco Companhia de Dança entre 2017 e 2024. Também foi fundadora e intérprete da Trupe de Argonautas, coletivo de circo, dança e teatro em que atuou entre 2005 e 2018. Sua trajetória inclui trabalhos como intérprete, coreógrafa e professora.

Mestre em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), Édi Oliveira iniciou a carreira como bailarino e intérprete na Anti Status Quo Cia. de Dança e, posteriormente, no Basirah-Núcleo de Dança Contemporânea, onde também atuou como coreógrafo, intérprete e figurinista. Em 2000, criou o grupo dançapequena, para o qual dirigiu e coreografou diversos espetáculos. Atualmente, é professor das disciplinas de dança do curso superior de Teatro do IESB.

Ao longo de seis apresentações, Sem Osso propõe ao público acompanhar de perto um corpo em permanente investigação. Um corpo que sente, enfrenta limites, cai, resiste e, justamente nessas fronteiras, encontra outras possibilidades de movimento e expressão.

As sessões de 7 a 9 de outubro serão realizadas às 20h. Nos dias 10, 11 e 12, as apresentações começam às 19h. As sessões dos dias 11 e 12 contarão com intérprete de Libras e audiodescrição.

O espetáculo é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

SERVIÇO
Espetáculo Sem Osso
Data: 7 a 12 de outubro de 2026
Local: Teatro Engrenagem — SHCGN 708/709, Bloco B, Entrada 30, Subsolo, Asa Norte, Brasília
Ingressos: pelo Sympla
Redes sociais: @mecanicorganico

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