Brincadeiras, música, dança e mágica são algumas das atrações do espetáculo Alegria e Mariola: Palhaçaria Inclusiva nas Escolas, que promove o encontro entre arte e inclusão em escolas públicas do Gama e de Santa Maria. Protagonizada pelas artistas cadeirantes Jarlene Maria, intérprete do palhaço Alegria Cadeirante, e Kássia Gomes, a palhaça Sorriso, a iniciativa realiza 16 apresentações gratuitas entre os dias 19 e 27 de outubro.
A programação começou nesta segunda-feira (19), com quatro sessões no CAIC Albert Einstein, em Santa Maria. As próximas apresentações ocorrem nos dias 20, 26 e 27 de outubro, em outras instituições de ensino das duas regiões administrativas. O projeto também homenageia Mônica Giseuda, conhecida como palhaça Mariola, colega de Jarlene que morreu neste ano.
Realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab-DF), a iniciativa é fruto de uma parceria entre Jarlene Maria Nunes de Oliveira, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) e o Ministério da Cultura.
Arte para ampliar referências desde a infância
A criação do espetáculo parte da trajetória de Jarlene na palhaçaria e ganhou novas possibilidades com a chegada de Kássia Gomes, dançarina com lesão medular e atleta de canoagem. Após assistir a uma apresentação da artista, Jarlene a convidou para experimentar a linguagem circense. A parceria resultou na criação coletiva de novas cenas e proporcionou a Jarlene uma experiência inédita: contracenar com outra artista cadeirante.
Em cena, as duas brincam, cantam, dançam e fazem truques de mágica, incorporando as particularidades de seus corpos e os movimentos das cadeiras de rodas à dramaturgia. As artistas também apresentam seus equipamentos ao público e demonstram diferentes maneiras de utilizá-los durante as atividades.
A proposta é abordar a inclusão de forma lúdica, mostrando às crianças que as diferenças não impedem a colaboração e a troca de conhecimentos. Enquanto uma ensina a dançar, a outra compartilha habilidades com a música e a mágica.
Para Jarlene, levar o espetáculo às escolas tem um significado pessoal. Diagnosticada com paralisia cerebral, ela conta que viveu uma infância marcada pelo isolamento e encontrou na arte, já adulta, uma oportunidade de participação social.
“Entrar no trabalho da Alegria mudou minha vida totalmente. A arte me incluiu na sociedade, me incluiu na vida”, afirma.
A experiência também motivou a artista a levar às crianças referências que não teve durante a própria infância. “Eu tive uma infância sem inclusão, uma infância fechada. Hoje, o Alegria leva a inclusão a todos”, relata.
Jarlene acredita que a presença de artistas com deficiência nos palcos pode ampliar as perspectivas de crianças e jovens, permitindo que reconheçam novas possibilidades de atuação profissional e expressão artística.
“Quando uma criança com deficiência vê a gente, ela pode pensar: um dia eu também vou ser ator, vou ser palhaço. A criança vai crescer e pode se transformar em um adulto professor, artista. Ela precisa ver outras pessoas com deficiência trabalhando, fazendo arte, vivendo”, pontua.
O produtor executivo Marco Augusto de Rezende destaca que a circulação pelas escolas foi planejada para aproximar estudantes com e sem deficiência. Segundo ele, o espetáculo aborda amizade, cooperação e autonomia, além de convidar as crianças a participarem das brincadeiras e vivenciarem o convívio com as diferenças.
Acessibilidade faz parte da experiência
As apresentações contam com interpretação em Libras, audiodescrição e profissionais dedicados à acessibilidade atitudinal. Os espaços também passam por avaliações prévias das condições de circulação e acesso, considerando as necessidades das artistas cadeirantes.
A preocupação com a acessibilidade está ligada às experiências vividas por Jarlene, que relata dificuldades para se deslocar e encontrar palcos preparados para receber artistas que utilizam cadeiras de rodas.
Ao transformar essas barreiras em matéria artística, a palhaça construiu uma personagem que combina humor, expressão e representatividade. “Eu transformei a minha dor em alegria”, conclui.
Programação
19 de outubro (segunda-feira)
CAIC Albert Einstein, Santa Maria — às 10h, 11h, 13h30 e 14h30.
20 de outubro (terça-feira)
- Escola Classe 21, Gama — às 9h e 15h30.
- Escola Classe 12, Gama — às 11h e 13h30.
26 de outubro (segunda-feira)
- Escola Classe 17, Gama — às 9h e 15h30.
- Escola Classe 10, Gama — às 11h e 13h30.
27 de outubro (terça-feira)
- Escola Classe 02, Gama — às 9h e 15h30.
- Escola Gesner Teixeira, Santa Maria — às 11h e 13h30.
Mais informações: Instagram @jarlenelala.